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domingo, 29 de novembro de 2009

Cidadão Boilesen: comentários sobre o filme e relato de uma experiência



 (Aviso: o post ficou grande, mas peço a paciência de vocês para que leiam-no até o final).




Você impressiona-se com sensacionalismos? Assista Cidadão Boilesen. Não gosta deste modelo de persuasão à la Michael Moore? Abra uma exceção e assista este filme, mesmo assim.

O filme, do diretor carioca (!) Chaim Litewiski, (re)constroi a memória sobre a vida de Henning Boilesen, empresário bem-sucedido que até hoje causa controversas sobre seu comportamento duvidoso na época da ditadura militar brasileira. Alguns o têm na memória como um sujeito dedicado, pai de família exemplar e trabalhador de índole inquestionável. Outros o têm como um dos principais empresários que tinham ligação política e econômica com o regime ditatorial, cabeça de muitas barbáries cometidas naquela época. A verdade é que Henning é, até hoje, a própria imagem da dualidade.

O documentário foi o vencedor do prêmio de Melhor Filme no festival “É Tudo Verdade” deste ano, um dos principais festivais de documentários do mundo.

O diretor se utiliza de uma farta variedade de fotos de arquivo do retratado, além de contar com cenas de filmes de ficção e seriados que já contaram alguns pedaços da história militar no Brasil, como Lamarca, Batismo de Sangue, Anos Rebeldes e Pra Frente Brasil. Mas a imagem mais utilizada (à exaustão, diga-se de passagem) é a imagem de um sujeito assassinado, caído à beira de uma sarjeta. Desde o início do filme a foto é mostrada e mais pra frente será explicada, da maneira mais sensacionalista possível. Tal postura incisiva diante do tema eu falarei logo mais.

O filme inicia-se com um questionamento aos moradores da Rua Henning Boilesen, em São Paulo. Quem foi este sujeito? Alguns tinham ideia, mas a maioria não. O questionamento fica no ar e parte-se para a exposição dos fatos. A construção da persona de Boilesen é feita através do mesmo bombardeio de informações que Michael Moore utiliza em seus filmes, sem dar muito tempo para o espectador pensar. A reflexão só vem no final. Até lá, Chaim (o diretor) constroi – ou destroi – a imagem do empresário que trabalhou na Ultragaz, Petrobrás, FIESA, teve envolvimento com o Banco Mundial e uma suposta relação com a CIA e com a OBAN (Operação Bandeirantes). Ao mesmo tempo em que ele recebeu comendas do Brasil e da Dinamarca (seu país de origem), foi nele, por exemplo, que foi inspirado o nome da famosa Pianola Boilesen (que não vou explicar o que é; assistam o filme).


De início, revoltei-me, pois tive a impressão que o filme exaltava a figura de uma pessoa perversa. Aos poucos, vi que a revolta causada era só a entrada para o prato principal que estava por vir. Comecei a construir, na minha cabeça, a imagem de uma pessoa muito parecida com o ditador ugandês Idi Amin Dada, que escondia um sujeito monstruoso atrás da carapaça de um homem bom e que lutava pelos interesses da sua nação. Assustou-me perceber que, se alguém quisesse, poderia ter feito um filme exaltando Henning Boilesen, de tão paradoxal que ele era.

Para mim, uma coisa ficou clara: um sujeito que frequentava (e gostava de assistir) sessões de tortura, não poderia, definitivamente, ser bom. Não era preciso um monte de flashes avermelhados com a foto do tal cara assassinado na sarjeta, mostrados a todo momento, como em um filme de terror.

Pois bem, agora falarei sobre a tal “postura incisiva” citada no começo do texto. Assisti a Cidadão Boilesen durante o Festival Internacional de Cinema de Brasília, no início do mês. A sessão contou com a presença do produtor e montador do filme, Pedro Oleg.

Ao término da sessão, uma questão veio-me à mente e eu explico antes o porquê: o filho do Boilesen foi entrevistado e exalta, a todo momento, a figura do pai. As suas falas são estrategicamente posicionadas no filme, de maneira que ele também pareça um monstro, no mínimo um sujeito hipócrita que insiste em dizer o pai foi um cidadão exemplar. A utilização dessas imagens, para mim, fere a ética dos documentaristas, ao pegar um depoimento de um “desavisado” e inserí-lo num contexto diferente, de forma a denegrir a sua imagem.

Uma pessoa fez a pergunta que eu queria: “vocês avisaram à família do Boilesen que eles seriam retratados da forma como o foram, quando os procuraram para dar o depoimento para o filme?” O produtor, Pedro Oleg, disse: “Deixamos clara a nossa intenção e ele topou ser entrevistado. Depois, enviamos o filme a ele e o procuramos para saber o que ele achou, mas ele nunca mais quis falar conosco”. Ora, por que será? Sinceramente, não acredito que o cara foi avisado sobre como sua imagem seria utilizada. Ninguém aceitaria “colaborar” para ter sua imagem ferida daquela maneira. Que fique claro que não estou defendendo ninguém, mas o filho do Boilesen não é o Boilesen, ou seja, talvez não merecesse ser pintado como um monstro, pois aparentemente, ele (o filho) nunca teve envolvimento com as ações cruéis do pai. Apenas é um filho que acha (e tem o direito de achar) que o pai foi um herói. Não defendo-o, só critico a declaração do produtor, que poderia ser muito mais sincero na sua resposta.


Outra coisa: Oleg disse que o diretor tentou ser imparcial o tempo todo, deixando para o público a interpretação se Henning Boilesen foi ou não um asqueroso comandante de ações militares, na ditadura. Ora, depois de tudo que relatei sobre o filme, preciso dizer mais alguma coisa? Desde quando a imparcialidade é elemento de um documentário? Ainda mais de um como este...

O Oleg pode até ter tido boas intenções no debate, mas eu acho que ele foi infeliz nas suas declarações. Pena que o “debate” acabou muito rápido e não pude indagar o produtor sobre estas questões. Ficaram todos apenas com declarações de amor ao filme, por parte do público, que parece ter acreditado em tudo o que viram. É um direito deles, assim como é direito meu filtrar aquele bombardeio de informações.

Enfim, gostaria de ter conhecido o diretor do filme, Chaim Litewiski. Talvez ele tivesse declarações menos infelizes e mais sinceras para dar.

Achei Cidadão Boilesen um documentário excelente, mas o debate pós-sessão fez o filme cair no meu conceito. Uma pena. Mas recomendo mesmo assim.

E desculpem-me pelo desabafo, mas não podia deixar passar em branco a minha experiência.

Trailer

  




Cidadão Boilesen

(idem, Brasil, 92 minutos, 2009)

Dir.: Chaim Litewiski


6 comentários:

joaopaulosnt disse...

fred, achei o filme fraco, com a mão pesada em cenas como aquelas de computação gráfica, aquela do cara cantando a musiquinha ufanista em cima das imagens de arquivo, etc. de qualquer maneira, não vi nada de excepcional, errado ou babaca com a entrevista do filho do boilesen. como você vê ele sendo enganado ali?

Fred Burle disse...

João, filmes de Michael Moore costumam impressionar-me, mesmo com toda a consciência de que o turbilhão de informações é duvidoso e deve ser filtrado.
Quanto à entrevista do filho do Boilesen, eu duvido muito que ele tenha sido avisado que o contexto que seria inserido seria o de "detonar" o pai dele (tudo o que discute-se sobre a ética do documentário...). Além disso, eu o senti como um idiota, porque a montagem fez isso. Cada coisa que ele falava era imediatamente contradita/desmentida pela cena seguinte.
Não julgo se ele mereceu ou não ser (re)tratado daquela forma, mas acho muito mais certo, por exemplo, quando o Vladimir Carvalho entrevistou, pro Barra 68, o general lá que era reitor na UnB, questionando-o abertamente e com intenções claras, sem deixá-lo fazer do "microfone" um meio de exaltar-se, sem saber que depois seria detonado na montagem final.
Entende o que digo?

Anônimo disse...

O diretor deste filme parece tê-lo realizado para satisfazer algum desejo reprimido de se tornar cúmplice moral do justiçamento do sujeito, que, ao menos, merecia ser punido pela justiça (como aliás qualquer criminoso) e não por um grotesco tribunal revolucionário, detentor de um ímpeto homicida tão doentio quanto ao de qualquer torturador. De qualquer forma, porque será que não surgiu até agora um documentário sobre , por exemplo, David Cuthberg, marinnheiro inglês de 19 anos, assassinado por um grupo terrorista com a inacreditável justificativa de solidariedade à luta do IRA contra os ingleses?!

Fred Burle disse...

Anônimo, concordo com você com relação ao "desejo reprimido" do diretor. Pensei a mesma coisa quando assisti o filme. Quanto ao David Cuthberg, esse não conheço, mas parece um tema interessante.
Só uma coisa: da próxima, identifique-se! É mais legal falar com alguém que realmente existe!
Abraço!

Henning Albert Boilesen Neto disse...

Sr. Fred , sou neto de Henning Albert Boilesen. Meu pai , prestou as declarações que realmente foram colocadas fora do contexto. Quando o filme ficou pronto mandaram uma cópia para assistirmos. O produtor Sr. Pedro Oleg é um mentiroso , não entraram em contato para saber oque achamos do filme tanto que só eu assisti em casa. Vi como as filmagens das declarações do meu pai foram feitas e como foram incluidas no filme . Foi tudo descaracterizado mas como nada no Brasil é sério infelizmente o documentário tambem não é, deve ser assistido como ficção de baixa qualidade.

Fred Burle disse...

Prezado Henning, muito obrigado pelo seu comentário. Pelo que você relata, a forma com que os realizadores conseguiram a entrevista e depois utilizaram-na bate com a impressão que tive ao assistir ao filme e, principalmente, ao participar do tal debate com o produtor. Infelizmente, o gênero documentário é infestado por manipulações de imagem e edição e, por isso, deve-se assistí-los sempre com um pé atrás. Abstenho-me aqui de tomar partido sobre o assunto tratado no filme. Apenas sinto muito pela deturpação das entrevistas com o seu pai.
Cordialmente;

Fred Burle

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