segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Crítica: Sempre ao Seu Lado


O que você pensaria se lesse um título como este (Sempre ao Seu Lado), unido ao cartaz  acima? Pois é. A maioria das pessoas tem achado que o filme da segunda parceria de Richard Gere com o diretor Lasse Hällstrom (Regras da Vida; Chocolate) é mais um desses filmes com cachorros bonitos, prontos para emocionar e matar o público de dó quando algo de ruim acontece com eles.

Não, este não é mais um desses filmes. Tem lá o seu "quê" de emocionante, mas Sempre ao Seu Lado (Hachiko – a Dog's Story, no título original) tem uma perspectiva diferente dos outro filmes do gênero. A base é a mesma de sempre: dono e cão encontram-se por acaso e um escolhe ao outro para ser seu. A partir daí, a relação de lealdade é cada vez mais intensa. A diferença é que o cão é o protagonista. É um filme sobre os efeitos que o dono pode causar no bicho de estimação e não o contrário.

A história foi baseada no cão homônimo, que viveu no Japão, na década de 20. O verdadeiro Hachi ficou tão conhecido que até estátua de bronze ganhou (mas não vou contar o porquê).


O que os fãs de filmes-com-bichinhos-fofos irão assistir é uma obra bem mais lenta que o de costume, com um leve toque da cultura japonesa. O som de um piano embalará boa parte do filme e vários planos subjetivos com pouquíssima variação de cores dará ao espectador uma ideia de como enxergam os cães. Nestes momentos, a câmera assume os mesmos movimentos de um cachorro. Ficou bem interessante.

Richard Gere só deveria fazer filmes com Lasse Hällstrom, afinal, esta é sua segunda melhor interpretação e primeira também é num filme do diretor, O Vigarista do Ano. Mas dessa vez, o grande ator do filme é mesmo o cachorro.

Hachi é um dos cães mais cativantes que já vi no cinema. Ou a raça da qual ele faz parte ou os cães todos que arrumaram para as diversas “fases” do filme são de uma expressão incrível. O bicho tem um olhar que diz muito mais que mil palavras. Eu, pelo menos, senti tudo o que o cachorro queria dizer.

O fato de não se passar no Japão, como originalmente aconteceu, poderia ser um fator incômodo, mas isso não foi nenhum problema, pois trata-se de uma história muito bem adaptada a qualquer lugar do mundo, então, tudo bem que se passe nos EUA. Pior seria se ficasse no Japão e com os atores falando em inglês.


Sempre ao Seu Lado não deixa de ter uma história comum, mas é um ótimo exemplo de que uma mudança de perspectiva pode fazer a diferença no resultado final. É emocionante e nada piegas.


Trailer:




(Hachiko – a Dog's Story, EUA, 90 minutos, 2009)
Dir.: Lasse Hällstrom
Com Richard Gere, Joan Allen

Nota 8,0


sábado, 26 de dezembro de 2009

Promoção Avatar


Avatar já é um grande sucesso mundialmente (com arrecadação, até hoje, de mais de US$ 600 milhões de dólares) e com previsão de ir ainda mais longe.

Ainda não foi assistir ao filme? Já foi e quer ir novamente? Ou apenas quer ganhar uma camiseta do filme?

Pois aviso que no dia 03/01 farei o sorteio de um kit (camiseta + 2 ingressos) do filme. Além do kit, outro ingresso duplo também será sorteado.

 
Para participar, é só responder à pergunta: "Quantos anos se passaram entre a estreia de Titanic e Avatar?"


Ao responder, informe também o seu e-mail, nome e cidade. Todas as respostas corretas estarão concorrendo.
Boa sorte a todos!



P.S.: o tamanho da camiseta é único e os ingressos são válidos para qualquer cinema que Avatar esteja em cartaz, de 2ª a 5ª quinta-feira, exceto as sessões em 3D.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Do Começo ao Fim


Desde maio deste ano, um dos vídeos de Do Começo ao Fim, lançado pelo Youtube, teve quase 800 mil visualizações. O filme chamou a atenção da mídia e do público por diversos fatores, mas o principal deles era a história, ousada e pioneira no Brasil.

Filhos da mesma mãe, mas de pais diferentes, Tomás e Francisco foram criados juntos e desde pequenos desenvolveram uma intimidade maior do que o comum entre irmãos. Naturalmente (?), essa relação vai tranformando-se em uma relação incestuosa.

A mim pareceu, desde que li a sinopse e vi o trailer, que o cinema brasileiro estava prestes a lançar uma de suas grandes obras, que inclusive poderia tornar-se um marco no cinema e um filme cultuado nos festivais do mundo todo. O tema é um tabu e a maneira que o filme propagandeava ser conduzido (vide o trailer, de muito bom gosto) apontavam para uma grata surpresa. Não foi exatamente o que aconteceu.

O filme estreou em 27 de novembro, em algumas capitais do país, e chegou a Brasília há duas semanas. As primeiras críticas que li foram bastante negativas, chegando a ser agressivas. Algumas eram mais amenas, mas também não falavam muito bem do filme. Mesmo assim, quis conferir o que fez o diretor Aluísio Abranches (Copo de Cólera; As Três Marias), já que, quando tratamos do tema “homossexualidade”, ainda mais atrelado a um tabu ainda maior (incesto), as opiniões oscilam ainda mais, pela subjetividade formada, de cada espectador.

A “estética Dove” e as interpretações de Telecurso (a criança mais nova é insuportável e as falas são mais próximas do perverso do que do infantil) foram o que mais me incomodaram no começo do filme, mas depois deixei isso de lado e passei a reparar em aspectos piores. A grande falha é tratar de um assunto tão complexo com tanta superficialidade.

Se fosse um filme somente sobre um relacionamento homossexual feliz, seria um grande filme, pois as cenas são delicadas e acompanhadas de uma trilha bonita (de André Abujamra). Mas a partir do momento em que o tema principal não é esse, e sim o incesto, imagina-se que haverá algum conflito, o que condizeria com a realidade.


O que está no filme não é necessariamente ruim. O que faz o filme ruim é o que não está lá: é a falta de conflito (os pais agem normalmente e não passam por um momento sequer de crise ou repúdio) e a falta da fase de mais dúvidas (a adolescência) é esquecida. Ou seja, tudo que pudesse ser mais complicado de desenvolver é jogado para escanteio, como se não existisse. Até quando tudo está prestes a tornar-se complicado e a mãe começa a questionar os filhos, esta é também tirada de campo. Por que? Para não atrapalhar o sossego que era a vida deles? Que cena é aquela, a dos irmãos conversando pela internet? Desnecessária. Que outra cena é aquela do pai conversando com os filhos num restaurante, quando os dois começam a discutir o relacionamento na frente do pai? Haja modernidade neste pai – que aliás ganha uma interpretação apática de Fábio Assunção.

Para piorar a situação, ainda tive que aturar, na minha sessão, a falta de educação do público, que zombava do filme e fazia piadas homofóbicas a todo momento. Senti hipocrisia dos dois lados: da tela e da plateia.

O único ponto positivo é que, mesmo com toda a superficialidade, não foi um programa chato ir assistir o filme. Queria poder dizer que vi um filme maravilhoso, mas nem com muita boa vontade dá para dizer isso.

Trailer:




(idem, Brasil, 100 minutos, 2009)
Dir. Aluísio Abranches
Com Júlia Lemmertz, Fábio Assunção, Rafael Cardoso, João Gabreil Vasconcelos
Nota 5,0


Saiba se o filme está passando na sua cidade!

Promoção: quem quiser concorrer a um par de convites para o filme, deixe um comentário (com e-mail, nome e cidade, no corpo da mensagem), que farei o sorteio no dia 28/12.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Seria cômico, se não fosse trágico...

Com o "sucesso" dos seus vídeos, o governador do DF assinou contrato para protagonizar mais um arrasa-quarteirão*...


*crédito da montagem: desconhecido. Recebida por e-mail encaminhado.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Morre a atriz Brittany Murphy


Notícia urgente e triste.

Segundo o site TMZ, a atriz Brittany Murphy (32 anos) morreu na manhã deste domingo (20) após uma parada cardíaca.
Ainda segundo informações publicadas pelo TMZ,  uma ligação para o número de emergência foi feita às 8h da manhã deste domingo (horário de Los Angeles) da casa que pertence ao marido da atriz, o diretor Simon Monjack.
Murphy foi socorrida e levada ao hospital Cedars-Sinai Medical Center onde foi declarada morta.

Brittany Murphy nasceu em 10 de novembro de 1977 em Atlanta, nos Estados Unidos, e foi criada na cidade de Edison, em Nova Jersey. A atriz começou a se interessar pela carreia aos 9 anos. Aos 13, participou de alguns comerciais de TV e se mudou com a mãe para a Califórnia, onde conseguiu seu primeiro papel na televisão atuando na série Blossom, em 1991.
Sua estreia no cinema aconteceu com o filme As Patricinhas de Beverly Hills, em 1995. Brittany consolidou sua carreira ao participar dos filmes 8 Mile, no qual atuou ao lado do rapper Eminem, Sin City, onde viveu Shellie, e Garota Interrompida, onde contracenou com Winona Ryder e Angelina Jolie.
Murphy foi namorada do ator Ashton Kutcher (atual marido de Demi Moore) e estava casada desde maio de 2007 com o diretor Simon Monjack.
Que ela descanse em paz. 

sábado, 19 de dezembro de 2009

Promoção Wall-E


Vamos ver se isto dará certo: tenho vários dvds originais repetidos e resolvi sorteá-los aos poucos para vocês, queridos leitores!

O primeiro deles será o dvd de Wall-E*.

Podem participar pessoas de qualquer canto do Brasil. É só deixar um comentário neste post, contendo no comentário, o seu e-mail e a resposta para a seguinte pergunta: "A quantas categorias Wall-E foi indicado, no Oscar?".

Todos os que acertarem estarão concorrendo. "Anônimos" não concorrem, portanto, indentifique-se. O sorteio será realizado no dia 26/12 e o resultado será divulgado aqui e no meu twitter.

Entrarei em contato com o vencedor, por e-mail, para pegar o endereço de envio do dvd.

A partir de hoje, os comentários serão moderados, para que não seja necessário ficar à mostra o e-mail de vocês e para que um não cole a resposta do outro.

Boa sorte a todos!


*dvd seminovo.

(Promoção encerrada. Parabéns à sorteada, Patrícia Loren!)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Crítica: Avatar


Quando eu postei o making of de Avatar, uma pessoa comentou que achou uma asneira eu ter dito que o filme era o maior de 2009. Expliquei que maior não é sinônimo de melhor. Pois bem. Hoje fui assistí-lo e agora posso dizer: neste caso, “maior” e “melhor” são adjetivos que caminham juntos, sim.

Avatar é uma viagem pelo mundo de Pandora, um universo quase desconhecido da humanidade, mas que contém um mineral cobiçado, o unobtanium, cuja utilização pode ser a solução para a crise energética na Terra. Conhecemos esse mundo através de Jake Sully, um ex-fuzileiro naval paraplégico. Como a atmosfera de Pandora é tóxica, foi criado o Programa Avatar, em que “condutores” humanos têm sua consciência ligada a um avatar, um corpo biológico, controlado à distância, capaz de sobreviver nesse ar letal. Os avatares são híbridos geneticamente produzidos de DNA humano e DNA dos nativos de Pandora, os Na’vi. 
 
Na forma Avatar, Jake pode, inclusive, voltar a andar. Por isso, ele recebe a missão de se infiltrar entre os Na’vi, que se tornaram um obstáculo à extração do precioso minério. Ocorre que uma Na’vi, Neytiri, salva a vida de Jake e a ligação entre os dois faz com que ele seja acolhido pelo clã de Neytiri, que o ensina a ser um deles.

Carregado de referências/influências, Avatar tem a lisergia das cores cítricas de Speed Racer; cenários (a Árvore das Almas) e músicas que remetem a O Rei Leão; robôs à la Transformers (só que infinitamente melhores); o “mundo fantasioso” de Star Wars; a língua criada de O Senhor dos Anéis... É um belo exemplo de como inovar, copiando. Paradoxal, mas é verdade.


O filme nos conduz, desde o início, numa viagem extasiante por um mundo novo, tecnológico e fantástico. Não tem pressa em nos arrebatar, levando-nos naturalmente à imersão no mundo de Pandora. De lá, eu não gostaria mais de sair. Cenários maravilhosos, cores cítricas em abundância e texturas incríveis esfusiam nossa visão; as criaturas são fantásticas e a computação gráfica  é perfeita, num nível que eu não imaginava que o cinema já pudesse ser capaz de atingir. A noção de profundidade é muito mais perceptível que qualquer outro filme em 3D já lançado.

É tanta intensidade, em todos os aspectos, que acredito que um drogado, assistindo o filme, seria capaz de atingir o nirvana!

Mas engana-se quem pensa que o filme só vive de efeitos. O que mais dava-me receio era o roteiro, mas fiquei surpreso. A história é boa, não houve um diálogo sequer que agredisse minha inteligência e as mensagens moralistas passadas são pertinentes e passadas com naturalidade. Outra sacada de Cameron foi ter percebido que o mundo que havia criado seria difícil de ser entendido de imediato pelos espectadores, o que fez com que ele criasse um protagonista que também não conhecia aquele mundo. Dessa forma, descobrimos cada detalhe de Pandora junto com Jake Sully e com a mesma fascinação que ele. Além disso, Jake é também o narrador, evitando, por exemplo, que aqueles clipes batidos que retratam a fase de evolução de um aprendiz fossem necessários. Ele detalha o que tem aprendido e nos faz admirar o mundo novo e captar as dificuldades que ele enfrentou para se adaptar à nova espécie. Simples e eficiente.


A tecnologia, dessa vez, não apagou as interpretações. O fato de não haver maquiagem (a pele azulada e todas as outras alterações físícas dos personagens foram feitas apenas por computação) deu maior liberdade aos atores, que não se limitaram pelas próteses incômodas geralmente utilizadas nos filmes deste estilo. Quem mais se destaca é Zoë Saldana. Sua encarnação de Neytiri é visceral e ela pegou totalmente o “espírito da coisa”, reproduzindo com naturalidade os movimentos e a língua característica do povo de Pandora.

O que eu – e todos os cinéfilos do mundo – suspeitava afirmou-se e com expectativas superadas: Avatar é um novo marco no cinema. De quebra, um dos melhores filmes deste ano. Não foi à toa que foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme e não será surpresa se estiver na mesma categoria do Oscar.

Trailer:

 
(idem, EUA, 140 minutos, 2009)
Dir.: James Cameron
Com Sam Worthington, Zoe Saldana, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi, Sigourney Weaver
Nota 9,6

* Estreia na sexta-feira (18/12).
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