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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Moscou

Adoro conhecer os cinemas de outras cidades, então, aproveitei minha estadia em Belo Horizonte para assistir Moscou, novo documentário do mestre Eduardo Coutinho, cuja estreia em Brasília ainda não aconteceu. O cinema no qual o filme está em cartaz aqui na cidade mineira é o Usina Unibanco de Cinema, cujas instalações lembram muito os cinemas antigos, com pracinha na entrada, decoração rústica e café nos mesmos parâmetros. Ao entrar na sala, me senti num antigo galpão, com cadeirinhas de braços de madeira, mas que não chegam a ser desconfortáveis. Um lugar agradável e charmoso.

Nada mais adequado para assistir à nova empreitada do Coutinho, já que o filme desenvolve-se num teatro antigo de Belo Horizonte, onde o tradicional Grupo Galpão encena suas peças. Senti-me dentro do próprio teatro.

Coutinho convidou o grupo de atores mineiros e o diretor de teatro Enrique Diaz, para construírem, frente às câmeras, em dezoito dias, trechos que transpusessem para as telas a peça “As Três Irmãs”, de Anton Tchekhov. A peça conta a história das irmãs russas Olga, Maria e Irina, que moram numa província a centenas de quilômetros de Moscou, cujos sonhos é voltar à terra natal, para visitar o túmulo da mãe, cujo rosto esvai-se em seus pensamentos.

A intenção, segundo Coutinho, nunca foi a de mostrar o processo de criação da peça. Essa escolha, incentivada pelo amigo e produtor executivo do filme, João Moreira Salles (que dá o sinal de que ainda não se despediu completamente do cinema, como havia dito que faria à época do lançamento de Santiago), parece ser o que cria a polêmica em cima do filme, já que sem o processo, fica faltando algo. Mas a intenção era fazer uma obra incompleta, fragmentada, uma experimentação de linguagem, que às vezes dá certo, mas às vezes toma um ritmo arrastado e sem um elemento que possa renová-lo.

O atores raramente são os atores, nos ensaios. Eles, na tela, são os personagens e por mais que não entendamos isso de cara, depois fica claro que estamos assistindo aos fragmentos da peça, pelos nomes que as pessoas se chamam e pelo rumo que as conversas tomam.

Há vários trechos metalinguísticos, que nos aproximam dos atores, como se estivéssemos presentes no teatro, durante as filmagens. Câmeras aparecem, assistimos ao vídeo-assist com a equipe de filmagem, vemos a estrutura do teatro, o boom, os atores saindo dos bastidores para entrarem em cena.

É uma fusão teatro/cinema muito bem sucedida, mas que fica monótono perto do fim, pela repetição do tema. Coutinho disse, em entrevista ao jornal O Tempo, que entrou em crise quando não sabia o que fazer com o material filmado, na fase de montagem do filme. Isso, para mim, ficou evidente, quando o assunto se esgota e o filme não acaba, com cenas que estão ali simplesmente para preencher espaço. Ainda assim, é perto do filme que surge uma das cenas mais legais, na qual, num ambiente completamente no escuro, surgem os discursos de dois personagens, que então começam a sussurrar a canção “Como Vai Você”, de Roberto Carlos, iluminados pelo frenético acender e apagar de fósforos.

Meu filme preferido do Coutinho ainda é Jogo de Cena (de 2007, no qual ele já flertava com o teatro), mas com Moscou ele demonstra que, mestre que é mestre faz obras muito interessantes, mesmo quando passa por uma fase de crise criativa, como ele diz estar passando.

Trailer:

video

Moscou

(Brasil, 80 minutos, 2009)

Direção: Eduardo Coutinho

Direção teatral: Enrique Diaz

Produção executiva: João Moreira Salles, Mauricio Andrade Ramos, Guilherme Cezar Coelho

Com os atores do Grupo de Teatro Galpão

Nota 7,4


Saiba se o filme está em cartaz na sua cidade!

8 comentários:

Charles disse...

Oi Fred! Estou ansioso pra ver esse filme. Parece ter uma abordagem bem inusitada. abs.

Pedro Tavares disse...

O império do cinema pipoca não deixa Coutinho entrar nos grandes "plex" do Rio, vou ter que atravessar a cidade pra conferir, mas acredito que sairei satisfeito! :D

Rodrigo Fortes disse...

Coutinho é sempre bom mesmo! Estou aguardando também. Não sei se tem essa impressão, mas ele trabalha muito com a questão da memória como uma grande invenção. A memória como "Uma ilha de edição". Embaralhando o conceito do que é real e do que não é.
Abraços

O Cara da Locadora disse...

Infelizmente acho muito difícil que esse filme "toque" por essas bandas, e agora você me deixou curioso...

De qualquer forma, passei aqui para avisar que deixei um selo para você n'O Cara da Locadora... Espero que goste...

Abraços...

Amanda disse...

Gosto muito do Coutinho e estou interessada nessa nova fase experimental dela, mas aqui o filme ainda não chegou. Gosto muito de Jogo de Cena também, mas eu ainda prefiro média-metragem Boca de Lixo pela sensibilidade na entrevista com os catadores.

Fred Burle disse...

Oi, Charles! Parece que agora o problema para você comentar aqui foi resolvido, né!? Consegui me livrar do moderador que tomou conta do blog sem minha permissão...

Pedro, se você gosta de cinema cult, de filmes que não têm uma história clara para contar, vale a pena atravessar a cidade. É uma pena o Coutinho não chegar às grandes massas. Não é o caso de Moscou, mas vários dos seus outros filmes agradariam a qualquer um, mesmo a quem só gosta de filmes pipoca.

Rodrigo, é isso mesmo. Especialmente nos últimos dois filmes, o Coutinho aficcionou-se nesta questão de trabalhar a memória e fundir o real com a ficção, deixando essa discussão metalinguística e ética sobre os documentários no ar. Nesse semestre discutiremos bastante isso na disciplina da Miriam, ACIM. Se você puder participar algum dia...

Rodrigo Fortes disse...

Que legal Fred! Avise-me os dias. Se vc tiver o cronograma da disciplina melhor ainda! Manda por e-mail.
Abraços

Fred Burle disse...

Não assisti ao Boca de Lixo, mas quero vê-lo ainda, Amanda.
Quanto ao Jogo de Cena, até convenci minha professora (sou monitor dela) a incluí-lo no programa da nossa disciplina, "Arquivo, Cinema, Informação e Memória".
Fica a dica pro Rodrigo também, que pode assistir o filme conosco!

Abraços aos dois!

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