Quando eu postei o making of de Avatar, uma pessoa comentou que achou uma asneira eu ter dito que o filme era o maior de 2009. Expliquei que maior não é sinônimo de melhor. Pois bem. Hoje fui assistí-lo e agora posso dizer: neste caso, “maior” e “melhor” são adjetivos que caminham juntos, sim.
Avatar é uma viagem pelo mundo de Pandora, um universo quase desconhecido da humanidade, mas que contém um mineral cobiçado, o unobtanium, cuja utilização pode ser a solução para a crise energética na Terra. Conhecemos esse mundo através de Jake Sully, um ex-fuzileiro naval paraplégico. Como a atmosfera de Pandora é tóxica, foi criado o Programa Avatar, em que “condutores” humanos têm sua consciência ligada a um avatar, um corpo biológico, controlado à distância, capaz de sobreviver nesse ar letal. Os avatares são híbridos geneticamente produzidos de DNA humano e DNA dos nativos de Pandora, os Na’vi.
Na forma Avatar, Jake pode, inclusive, voltar a andar. Por isso, ele recebe a missão de se infiltrar entre os Na’vi, que se tornaram um obstáculo à extração do precioso minério. Ocorre que uma Na’vi, Neytiri, salva a vida de Jake e a ligação entre os dois faz com que ele seja acolhido pelo clã de Neytiri, que o ensina a ser um deles.
Carregado de referências/influências, Avatar tem a lisergia das cores cítricas de Speed Racer; cenários (a Árvore das Almas) e músicas que remetem a O Rei Leão; robôs à la Transformers (só que infinitamente melhores); o “mundo fantasioso” de Star Wars; a língua criada de O Senhor dos Anéis... É um belo exemplo de como inovar, copiando. Paradoxal, mas é verdade.
O filme nos conduz, desde o início, numa viagem extasiante por um mundo novo, tecnológico e fantástico. Não tem pressa em nos arrebatar, levando-nos naturalmente à imersão no mundo de Pandora. De lá, eu não gostaria mais de sair. Cenários maravilhosos, cores cítricas em abundância e texturas incríveis esfusiam nossa visão; as criaturas são fantásticas e a computação gráfica é perfeita, num nível que eu não imaginava que o cinema já pudesse ser capaz de atingir. A noção de profundidade é muito mais perceptível que qualquer outro filme em 3D já lançado.
É tanta intensidade, em todos os aspectos, que acredito que um drogado, assistindo o filme, seria capaz de atingir o nirvana!
Mas engana-se quem pensa que o filme só vive de efeitos. O que mais dava-me receio era o roteiro, mas fiquei surpreso. A história é boa, não houve um diálogo sequer que agredisse minha inteligência e as mensagens moralistas passadas são pertinentes e passadas com naturalidade. Outra sacada de Cameron foi ter percebido que o mundo que havia criado seria difícil de ser entendido de imediato pelos espectadores, o que fez com que ele criasse um protagonista que também não conhecia aquele mundo. Dessa forma, descobrimos cada detalhe de Pandora junto com Jake Sully e com a mesma fascinação que ele. Além disso, Jake é também o narrador, evitando, por exemplo, que aqueles clipes batidos que retratam a fase de evolução de um aprendiz fossem necessários. Ele detalha o que tem aprendido e nos faz admirar o mundo novo e captar as dificuldades que ele enfrentou para se adaptar à nova espécie. Simples e eficiente.
A tecnologia, dessa vez, não apagou as interpretações. O fato de não haver maquiagem (a pele azulada e todas as outras alterações físícas dos personagens foram feitas apenas por computação) deu maior liberdade aos atores, que não se limitaram pelas próteses incômodas geralmente utilizadas nos filmes deste estilo. Quem mais se destaca é Zoë Saldana. Sua encarnação de Neytiri é visceral e ela pegou totalmente o “espírito da coisa”, reproduzindo com naturalidade os movimentos e a língua característica do povo de Pandora.
O que eu – e todos os cinéfilos do mundo – suspeitava afirmou-se e com expectativas superadas: Avatar é um novo marco no cinema. De quebra, um dos melhores filmes deste ano. Não foi à toa que foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme e não será surpresa se estiver na mesma categoria do Oscar.
Trailer:
(idem, EUA, 140 minutos, 2009)
Dir.: James Cameron
Com Sam Worthington, Zoe Saldana, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi, Sigourney Weaver
Nota 9,6
* Estreia na sexta-feira (18/12).




















