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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Crítica: Avatar


Quando eu postei o making of de Avatar, uma pessoa comentou que achou uma asneira eu ter dito que o filme era o maior de 2009. Expliquei que maior não é sinônimo de melhor. Pois bem. Hoje fui assistí-lo e agora posso dizer: neste caso, “maior” e “melhor” são adjetivos que caminham juntos, sim.

Avatar é uma viagem pelo mundo de Pandora, um universo quase desconhecido da humanidade, mas que contém um mineral cobiçado, o unobtanium, cuja utilização pode ser a solução para a crise energética na Terra. Conhecemos esse mundo através de Jake Sully, um ex-fuzileiro naval paraplégico. Como a atmosfera de Pandora é tóxica, foi criado o Programa Avatar, em que “condutores” humanos têm sua consciência ligada a um avatar, um corpo biológico, controlado à distância, capaz de sobreviver nesse ar letal. Os avatares são híbridos geneticamente produzidos de DNA humano e DNA dos nativos de Pandora, os Na’vi. 
 
Na forma Avatar, Jake pode, inclusive, voltar a andar. Por isso, ele recebe a missão de se infiltrar entre os Na’vi, que se tornaram um obstáculo à extração do precioso minério. Ocorre que uma Na’vi, Neytiri, salva a vida de Jake e a ligação entre os dois faz com que ele seja acolhido pelo clã de Neytiri, que o ensina a ser um deles.

Carregado de referências/influências, Avatar tem a lisergia das cores cítricas de Speed Racer; cenários (a Árvore das Almas) e músicas que remetem a O Rei Leão; robôs à la Transformers (só que infinitamente melhores); o “mundo fantasioso” de Star Wars; a língua criada de O Senhor dos Anéis... É um belo exemplo de como inovar, copiando. Paradoxal, mas é verdade.


O filme nos conduz, desde o início, numa viagem extasiante por um mundo novo, tecnológico e fantástico. Não tem pressa em nos arrebatar, levando-nos naturalmente à imersão no mundo de Pandora. De lá, eu não gostaria mais de sair. Cenários maravilhosos, cores cítricas em abundância e texturas incríveis esfusiam nossa visão; as criaturas são fantásticas e a computação gráfica  é perfeita, num nível que eu não imaginava que o cinema já pudesse ser capaz de atingir. A noção de profundidade é muito mais perceptível que qualquer outro filme em 3D já lançado.

É tanta intensidade, em todos os aspectos, que acredito que um drogado, assistindo o filme, seria capaz de atingir o nirvana!

Mas engana-se quem pensa que o filme só vive de efeitos. O que mais dava-me receio era o roteiro, mas fiquei surpreso. A história é boa, não houve um diálogo sequer que agredisse minha inteligência e as mensagens moralistas passadas são pertinentes e passadas com naturalidade. Outra sacada de Cameron foi ter percebido que o mundo que havia criado seria difícil de ser entendido de imediato pelos espectadores, o que fez com que ele criasse um protagonista que também não conhecia aquele mundo. Dessa forma, descobrimos cada detalhe de Pandora junto com Jake Sully e com a mesma fascinação que ele. Além disso, Jake é também o narrador, evitando, por exemplo, que aqueles clipes batidos que retratam a fase de evolução de um aprendiz fossem necessários. Ele detalha o que tem aprendido e nos faz admirar o mundo novo e captar as dificuldades que ele enfrentou para se adaptar à nova espécie. Simples e eficiente.


A tecnologia, dessa vez, não apagou as interpretações. O fato de não haver maquiagem (a pele azulada e todas as outras alterações físícas dos personagens foram feitas apenas por computação) deu maior liberdade aos atores, que não se limitaram pelas próteses incômodas geralmente utilizadas nos filmes deste estilo. Quem mais se destaca é Zoë Saldana. Sua encarnação de Neytiri é visceral e ela pegou totalmente o “espírito da coisa”, reproduzindo com naturalidade os movimentos e a língua característica do povo de Pandora.

O que eu – e todos os cinéfilos do mundo – suspeitava afirmou-se e com expectativas superadas: Avatar é um novo marco no cinema. De quebra, um dos melhores filmes deste ano. Não foi à toa que foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme e não será surpresa se estiver na mesma categoria do Oscar.

Trailer:

 
(idem, EUA, 140 minutos, 2009)
Dir.: James Cameron
Com Sam Worthington, Zoe Saldana, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi, Sigourney Weaver
Nota 9,6

* Estreia na sexta-feira (18/12).

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

IMDb agora em português!

Eu ia postar outra coisa hoje, mas quando entrei neste site e vi a novidade, não me contive.

O IMDB, o maior banco de dados sobre cinema do mundo, ganhou hoje sua versão em português.

Isso será muito útil para quem quer fazer buscas sobre os filmes, mas não sabe o título em inglês, por exemplo. Quase todos os filmes têm agora o título brasileiro cadastrado. Ficou tudo mais simples.

Para quem conhece, curtam a novidade. Para quem não conhece, entrem no site, que vale a pena conhecer.

O endereço é www.imdb.pt


domingo, 13 de dezembro de 2009

Em dvd: Ponte Para Terabíthia



Ao contrário do que o marketing em cima do filme anunciou, Ponte Para Terabíthia nada tem a ver com As Crônicas de Nárnia. Eu definiria como uma releitura de Meu Primeiro Amor, acrescida dos elementos fantásticos da "imaginação de adubo" das crianças. Só não chega a ser realmente uma releitura porque o filme é baseado num conto infantil.

Quiseram vendê-lo como arrasa-quarteirão, cheio de efeitos especiais, com pretensões ao tal Crônicas de Nárnia. Essa infeliz comparação, na minha opinião, é algo suicida, pois se o filme não se parece realmente com o produto comparado, o público se frustra e o rejeita, tornando o seu “boca-a-boca” mais difícil. O resultado nas bilheterias não foi tão fracassado, pois o filme arrecadou pouco mais de U$ 130 milhões no mundo. Longe de ser um grande sucesso, mas pelo menos se pagou.

Não é um arrasa-quarteirão e nem tinha potencial para isso, não é cheio de efeitos especiais e muito menos se aproxima da fábula cinematográfica produzida pela Disney.

Garotinho solitário se torna amigo da nova aluna da escola, uma garota “bicho-grilo” como ele, e vê nela uma companheira para suas “viagens”. Juntos, eles criam o mundo de Terabithia, onde eles são os reis da floresta, habitada por seres e mais seres esquisitos. Nasce aí uma amizade difícil de ser separada e ambos descobrirão, então, o primeiro amor de suas vidas! Piegas, não?!

É realmente tudo bem clichê, mas com um tratamento profissional muito cuidadoso , além da inegável empatia da duplinha de protagonistas.


Os tais alardeados efeitos especiais entram aqui como coadjuvantes, apenas como um auxiliar da narrativa. Está ali para dar vida à imaginação de criança que todos nós tivemos um dia.


Não é nenhuma obra-prima, pode parecer bobo para quem não gosta de filmes que levem às lágrimas, mas para quem consegue se desvenciliar do lado mais crítico de cinéfilo, torna-se um excelente programa, que consegue divertir na medida certa e talvez emocionar além do que se espera.

Admire toda a inocência e a magia do mundo infantil e se deixe identificar com os personagens e terá um programa nostálgico de quem sabe a importância de se incentivar as flores das mentalidades de uma criança.

O filme é o retorno, após 27 anos, de Gabor Csupo como diretor. Neste tempo, ele trabalhou em diversos projetos bacanas, como Os Simpsons (supervisor de animação), Os Thornberrys e Rugrats-Os Anjinhos (produtor e roteirista).

Recomendo altamente!

Trailer:




(Bridge to Terabithia, EUA, 95 minutos, 2007)
Dir.: Gabor Csupo
Com:Josh Hutcherson, AnnaSophia Robb...

Nota 7,6

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A Princesa e o Sapo



Em meados da década de 90, eu já morava no interior de Minas e, vez por outra, ia a Belo Horizonte com minha mãe e ficava na casa da tia Lucília. O que eu mais gostava de fazer lá, era passar o dia assistindo aos VHS de desenhos, que compunham o acervo que ela havia montado para o filho, Caio. Eu ficava fascinado, já que eu não tinha fita nenhuma em casa.


Assistia todos os filmes da Disney (inclusive as continuações) e algumas fitas da Turma da Mônica. Adorava!


A Princesa e o Sapo segue a linha clássica dos musicais desenhados à mão, da Disney. É o primeiro filme de princesa dos estúdios do Mickey desde Mulan, em 1998. Além disso, é o primeiro a ter uma protagonista negra.


O filme conta a história de Tiana, uma jovem chef afroamericana que mora num bairro francês em Nova Orleans e sonha em ter o seu próprio restaurante. Tudo muda quando Tiana beija o sapo Naveen, que se diz príncipe, mas ao invés de ele voltar à forma humana, é Tiana quem vira sapo. Daí para adiante, muitas aventuras acompanharão os dois, que terão direito à ajuda de um crocodilo e até de um pouquinho de... digamos... macumba.


Tudo soa ingênuo. As piadas não têm a acidez dos filmes de animação da atualidade, as músicas são feitas por Randy Newman (Toy Story) com a mesma fôrma de filmes como Tarzan, A Pequena Sereia e Alladin – estes dois últimos dirigidos pelo mesmo Ron Clements – e também devem figurar no Oscar e as mensagens positivas e lições de moral permeiam todo o filme, ainda que faladas de maneira natural, sem forçar a barra.



Tudo bem que dois terços do filme é protagonizado, na verdade, por sapos e que a “princesa negra” apareça bem menos do que deveria, mas ainda assim, A Princesa e o Sapo encanta. Até quando é piegas.


Sou fã das animações em 3D e das novas tecnologias que têm surgido, mas percebi que sentia falta de simplicidade e A Princesa e o Sapo supriu esta carência. Já nasceu clássico.


Não sei se a nova geração vai gostar tanto deste filme, mas a julgar pelas reações da minha sessão, a “magia Disney” ainda funciona.


A Princesa e o Sapo jogou-me completamente para a infância. Voltei a ser criança por 90 minutos e foi muito bom estar no sofá da casa da tia Lucília novamente.


Trailer:



A Princesa e o Sapo
(The Princess and the Frog, EUA, 97 minutos, 2009)
Dir.: Ron Clements e John Musker
Vozes originais: Anika None Rose, Bruno Campos
Vozes brasileiras: Rodrigo Lombardi
Nota 8,0


O filme estreia nesta sexta-feira.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Making Of de Avatar


A estreia do novo filme de James Cameron (Titanic) aproxima-se e a expectativa está cada dia maior.

Avatar tem estreia marcada para o dia 18/12 e promete ser uma das maiores aberturas do ano, além de poder marcar o início uma nova era tecnológica no Cinema.

Para quem não sabe, o diretor esperou 12 anos até que houvesse uma tecnologia avançada o suficiente para realizar o filme do jeito que ele idealizava. Fala-se que o orçamento de Avatar bate na casa dos US$ 500 milhões (entre produção e marketing), ou seja, seria o maior custo de um filme da história.

Uma boa notícia para quem não vê filmes 3D pelo fato de os lançamentos do formato terem sido todos dublados até então, Avatar chegará ao Brasil com cópias em 3D legendadas.

O filme mostra a jornada de um herói em busca de redenção, descobertas e amor inesperado, ao liderar uma batalha heróica para salvar a civilização. 

Os ingressos para a estreia já podem ser comprados com antecedência, na maioria dos cinemas do país.

Para esquentar as turbinas, segue abaixo um making of, que foi legendado pelo Kablam Trailers e divulgado ontem, na net:






A crítica de Avatar poderá ser lida já na quarta-feira (16/12), à noite, aqui no blog. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Atividade Paranormal


O bicho-homem é muito besta. Suas sensações são manipuladas com a maior facilidade, mesmo quando existe a consciência de que tudo não passa de mentirinha ou que já se sabe o que vai acontecer. É claro que tal manipulação só dá certo quando é bem feita.

Atividade Paranormal segue este parâmetro. O diretor Oren Peli usa de manipulação dos medos mais primários no ser humano (barulhos e o escuro) para despertar tensão no público.

Katie e Micah (nomes reais dos atores) resolvem morar juntos e em pouco tempo na nova casa, Micah descobre segredos de Katie. Ela é “vigiada” por espíritos demoníacos há muito tempo. Como Micah acabara de comprar uma câmera, ele passa por aquela fase de filmar tudo e, ao assistir as primeiras imagens produzidas, descobre que os tais espíritos estão mais presentes e cada vez mais “revoltados” do que ele imagina.

No início do longa, uma cartela avisa: “este material foi cedido pela polícia local”. Ou seja, tudo o que veremos saiu da câmera de Micah. E como filme digital não é sinônimo de descuido, logo no começo podemos ver que a câmera de Micah é de última geração e que possui um equipamento de captação de som muito bom. Isso é fundamental para o filme, já que a maior parte da tensão é construída a partir dos sons sutis captados.

Quer coisa para dar mais medo do que barulhos durante a madrugada, porta mexendo-se sem motivo aparente ou aquelas sombras que vemos no escuro, fruto da nossa imaginação? Pois é. No meu caso, não costumo ter medo disso, mas a composição de sons e imagens do filme é tão bem pensada que bastou um primeiro movimento de portas durante a madrugada e eu já estava arrepiado. E era só o começo. A tensão é criada sem a menor pressa e sem artifícios de efeitos especiais ou trilha sonora para ajudar a dar sustos fáceis no espectador.

Atividade Paranormal mexe com os medos do imaginário coletivo e seus personagens tentam diversas maneiras de “comunicar-se” com os espíritos: um jogo que parece a famosa brincadeira do copo, um artifício de jogar talco no chão e outras atividades para exorcizar ou atrair os “demônios” que perseguem Katie.


Na minha sessão, teve jornalista ficando entediado por causa do ritmo e da falta de acontecimentos bruscos no filme e saíram reclamando. Eu já acho que o mais legal do filme é justamente não ter pressa em criar a tensão e nem usar de trilhas e cenas explícitas para pôr medo no espectador. A sutileza e o terror psicológico prenderam minha atenção e assustaram-me muito mais do que eu poderia imaginar.  

Nas cenas finais, a minha sensação já nem era mais de tensão. Eu estava mesmo era apavorado!

Além do êxito como história, o filme é admirável como produção. Foi realizado com apenas U$15 mil e lançado com uma estratégia de marketing interessante, tanto nos EUA quanto no Brasil: foram realizadas pré-estreias em diversas cidades e o público podia solicitar, através da internet, que o filme passasse nos cinemas de sua cidade. Os locais que tivessem o maior número de solicitações teriam o filme exibido. Assim, nos EUA, o boca-a-boca foi sendo feito e o filme espalhou-se aos poucos pelo país, resultando num fenômeno raro de crescimento gradativo de arrecadação. Até agora, já amealhou nada menos que U$ 110 milhões, só entre os norte-americanos! No Brasil, o filme estreará nesta sexta-feira. E a julgar pelo burburinho que o filme já tem causado, também será sucesso por aqui.

Isto é o que chamo de investimento!

Se você costuma ter pesadelos com filme de terror, definitivamente não assista o filme à noite. O pesadelo (ou a insônia) estará garantido.

Trailer:

  



(Paranormal Activity, EUA, 86 minutos, 2009)

Dir.: Oren Peli

Com Katie Featherson, Micah Sloat

Nota 8,7

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Abraços Partidos, de Pedro Almodóvar


Uma hora isso haveria de acontecer.

Finalmente (e infelizmente), Almodóvar quebrou sua sequência de filmes excelentes (Tudo Sobre Minha Mãe; Fale com Ela; Má Educação; Volver) e voltou ao patamar de obras medianas, como A Lei do Desejo e Matador.

A história de Abraços Partidos gira em torno de Lena, uma mulher linda que quer ser atriz. Ela casa-se com o ex-patrão e quando tem a chance de atuar num filme do conhecido diretor Mateo Blanco, tem que conviver com o filho do marido, escalado por ele para fazer um “making of” do filme (como forma de vigiar a mulher). Mas esta é só uma parte, a de meados da década de 1990. A outra parte passa-se, intercaladamente, em 2008, quando o diretor Mateo Blanco, já cego, recebe uma proposta do filho do marido de Lena (!), para escrever um roteiro para ele.

Com Abraços Partidos, Almodóvar troca o requintado pelo requentado. Requentado porque tem muito, mas muito mesmo, de Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos. Além de algumas cenas declaradamente refilmadas daquele filme, Abraços Partidos tem atuações, roteiro e estrutura narrativa parecidos com a obra de 1988. Não que fosse ruim, pelo contrário, mas é que os tempos mudaram e a linguagem criada por Almodóvar evoluiu e este novo filme soou-me como “um passo atrás”. A única (e infeliz) diferença perceptível é que esta nova obra tem menos cores do que o usual do diretor. O forte colorido aparece apenas nas cenas de metalinguagem – as melhores do filme, por sinal. Na história principal, tons mornos predominam.

Mas, como eu já disse, o filme não é ruim. As interpretações são adequadas, a fotografia é ótima e a montagem é excelente, levando com sutileza e clareza a sua não-linearidade. E é claro, Penélope Cruz está cada dia mais bonita.

No finalzinho do filme, um personagem profere a seguinte frase: “Os filmes precisam ser terminados, ainda que às cegas”. A impressão que tive é que Abraços Partidos foi terminado assim. Uma alma mexicana dissipada no escuro.

Trailer:

(Los Abrazos Rotos, Espanha, 127 minutos, 2009)
Dir.: Pedro Almodóvar
Com Penélope Cruz, Blanca Portillo
Nota 7,0

*estreia na sexta-feira, 04/12.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Programação do 1º Festival IESB de Cinema Universitário

Começa hoje e vai até o dia 05 de dezembro, o 1º Festival IESB de Cinema Universitário.
Serão exibidos curtas de alunos de diversas universidades do DF, dentre os quais estão quatro curtas que me têm na equipe!
São eles: Os Quatro Vértices de Um Triângulo Obtuso; Copo D'Água; Ainda Somos os Mesmos; e 32 Mastigadas: 16 N e 16 S.
As exibições acontecerão no cinema do IESB, na quadra 613 da Asa Sul.
Os horários são variados. Seguem abaixo, junto com a relação dos filmes a serem exibidos:


Quarta-feira (02/12), às 19hs



Picolé, dir. Bruno Martins
Quando os covardes tem que dizer, dir. Maurício Pereira
As vezes, dir. Virna Smith
Café do Amanhã, dir. Francisco Gollo
Onde os pés não falam, dir. Oussana El Shaouri
Bailaoras, dir. Akira Martins
Ataborca, dir. Marinna Kowalski
Volei na Tela, dir. Renan Montenegro
Dadá, dir. Allex Medrado
Os quatro vértices de um triângulo obtuso, dir. Pedro Oswald
WC, dir. Bruna Martins
Macumba, dir. Fábio Rezende
Vizinhança, dir. Geovani Taveira e Iuri Lopes
Por onde guardei o amor, dir. Alanna Amorim


Quinta-feira (03/12), às 21hs



O sétimo olhar, dir. Juliet Jones
Zeca Baço, dir. Flávio Costa
A mansão doente de Dr. Maluco, dir. Jacques Sanfilippo
Ainda somos os mesmos, dir. Filipe Vianna
Geni, dir. Marco Alencar
Feijão com arroz, dir. Daniela Marinho
Sobre a pele, dir. Márcio Mota
O jogo, dir. Tiago Belotti
Diogo, dir. Pedro Pedrosa
Blasé, dir. Daniela Sardi


Sexta-feira (04/12), às 19hs



Os Braz da Brazlândia, dir. Guilherme Negrão
Reciclo, dir. João Pacifer
Cabeça de Tulipa, dir. João Pacifer
Bares e botecos, dir. Marcello Alvim
Brasilia – Uma cidade de velhas contradições, dir. Thennison e Leandro
32 Mastigadas: 16N e 16S, dir. Maria Vitória Canesin
Zumbi Brasileiro, dir. Tiago Belotti
Joana – A rota do herói, dir. Jailson Soares Dantas


Sábado (05/12), às 18hs



O artista que deu vida ao concerto, dir. Daniel Soares
De muro a muro, dir. Marina Watanabe
A partir deste momento, dir. Raphael Cardoso
Copo d'água, dir. Pedro Oswald
Florecer da Ira, dir. Guilherme Negrão
X ou Y, dir. Nilo Santos
Feriado Maldito, dir. Bruna Martins
Sindrome, dir. Mateus Araujo
Headshot, dir. Juliana Gregoratto
Fausto, dir. Thyago Pitangui
Humilia, dir. José de Campos
Navalha, dir. Angelo
3 minutos..., dir. Tiago Belotti
A voz da felicidade, dir. Bruna Martins
Estranha Atração, dir. Rafael Costa
Venha a nós o vosso reino, dir. Maira Santiago

Palestras:

02/12 - 20hs - Fabrício Tenório, Cláudia Batista e Valéria Marcondes
03/12 - 20hs -Buraco de Bala e Ítalo Cajueiro
04/12 - 20hs - Getsmane Silva e Marcus Ligocki

A programação completa, com os outros dias e horários, pode ser encontrada aqui.
Boa sorte a todos!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Palestra com Vladimir Carvalho + Doc Entre a Luz e a Sombra

Vira e mexe recebo sugestões de pauta para o blog. Alguns pedidos são para ajudar na divulgação de algum evento ou filme. Separei dois (os quais achei válidos) para colocar aqui hoje.

Palestra "O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em Questão"

Esta palestra acontecerá no dia 15/12/2009, às 15hs, no auditório da reitoria da UnB.


Será realizada pela Comissão “UnB 50 anos de Brasília”.

A palestra será ministrada pelo grande cineasta Vladimir Carvalho, que também debaterá com o público sobre o tema. Haverá também uma mesa de honra, composta pelo reitor da universidade, José Geraldo de Sousa Junior e pelo professor e também cineasta Marcos Mendes, da Faculdade de Comunicação da UnB.

Para quem estuda ou faz cinema em Brasília ou para quem tem interesse em saber sobre a história do Festival de Brasília, a sua situação atual e quais as perspectivas de futuro para ele, é um evento imperdível.
Maiores informações: 3307-1025 - Daniela/Kerlin ou pelo e-mail: unb50anosdebsb@unb.br

 

Documentário Entre a Luz e a Sombra


Há algum tempo venho recebendo e-mails do pessoal de divulgação deste filme. Confesso que não é o tipo de filme que eu gosto, mas parece ser muito bem feito e pode agradar muita gente.

Dirigido por Luciana Burlamaqui, o documentário investiga a violência e a natureza humana a partir da história de uma atriz que dedica sua vida para humanizar o sistema carcerário, da dupla de rap 509-E formada por Dexter e Afro-X dentro do Carandiru e de um juiz que acredita em um meio de ressocialização mais digno para os encarcerados. Durante sete anos, a partir do ano 2000, a vida desse personagens foi acompanhada.

No ano passado, o filme representou o Brasil na mostra competitiva do 17º Festival de Cinemas e Culturas da América Latina de Biarritz e ganhou o Prêmio do Público de Melhor Documentário do Festival além de uma Menção Especial do Júri.

Até o momento, o documentário foi exibido seis vezes na França. Sua estréia mundial foi no IDFA - Festival Internacional de Documentários de Amsterdã ( o maior evento do gênero do mundo), abriu a mostra de cinema brasileiro “Vidas e Memórias do Brasil” na África em Moçambique no 3º Festival do Filme Dockanema (set 08), participou duas vezes do Festival É Tudo Verdade, uma em 2008 na mostra O Estado das Coisas e a segunda este ano na Première Cinemark.

No mês de outubro foi indicado para concorrer ao Prêmio “Salvador Allende” em Bruxelas no 6º Festival Itinéraires, Images et Réalités de l’Amérique Latine focado em documentários que abordam a promoção da justiça, da igualdade, da defesa dos direitos humanos e da não discriminação em todas suas manifestações na América Latina.

Entre a Luz e a Sombra estreou em São Paulo, Santos e Belo Horizonte no dia 27/11 e estreará nesta sexta-feira (04/12), no Rio de Janeiro. Quem puder, assista e me diga o que achou, que fiquei curioso!



Segue o trailer:




(idem, Brasil, 150 minutos, 2008)
Dir.: Luciana Burlamaqui



domingo, 29 de novembro de 2009

Cidadão Boilesen: comentários sobre o filme e relato de uma experiência



 (Aviso: o post ficou grande, mas peço a paciência de vocês para que leiam-no até o final).




Você impressiona-se com sensacionalismos? Assista Cidadão Boilesen. Não gosta deste modelo de persuasão à la Michael Moore? Abra uma exceção e assista este filme, mesmo assim.

O filme, do diretor carioca (!) Chaim Litewiski, (re)constroi a memória sobre a vida de Henning Boilesen, empresário bem-sucedido que até hoje causa controversas sobre seu comportamento duvidoso na época da ditadura militar brasileira. Alguns o têm na memória como um sujeito dedicado, pai de família exemplar e trabalhador de índole inquestionável. Outros o têm como um dos principais empresários que tinham ligação política e econômica com o regime ditatorial, cabeça de muitas barbáries cometidas naquela época. A verdade é que Henning é, até hoje, a própria imagem da dualidade.

O documentário foi o vencedor do prêmio de Melhor Filme no festival “É Tudo Verdade” deste ano, um dos principais festivais de documentários do mundo.

O diretor se utiliza de uma farta variedade de fotos de arquivo do retratado, além de contar com cenas de filmes de ficção e seriados que já contaram alguns pedaços da história militar no Brasil, como Lamarca, Batismo de Sangue, Anos Rebeldes e Pra Frente Brasil. Mas a imagem mais utilizada (à exaustão, diga-se de passagem) é a imagem de um sujeito assassinado, caído à beira de uma sarjeta. Desde o início do filme a foto é mostrada e mais pra frente será explicada, da maneira mais sensacionalista possível. Tal postura incisiva diante do tema eu falarei logo mais.

O filme inicia-se com um questionamento aos moradores da Rua Henning Boilesen, em São Paulo. Quem foi este sujeito? Alguns tinham ideia, mas a maioria não. O questionamento fica no ar e parte-se para a exposição dos fatos. A construção da persona de Boilesen é feita através do mesmo bombardeio de informações que Michael Moore utiliza em seus filmes, sem dar muito tempo para o espectador pensar. A reflexão só vem no final. Até lá, Chaim (o diretor) constroi – ou destroi – a imagem do empresário que trabalhou na Ultragaz, Petrobrás, FIESA, teve envolvimento com o Banco Mundial e uma suposta relação com a CIA e com a OBAN (Operação Bandeirantes). Ao mesmo tempo em que ele recebeu comendas do Brasil e da Dinamarca (seu país de origem), foi nele, por exemplo, que foi inspirado o nome da famosa Pianola Boilesen (que não vou explicar o que é; assistam o filme).


De início, revoltei-me, pois tive a impressão que o filme exaltava a figura de uma pessoa perversa. Aos poucos, vi que a revolta causada era só a entrada para o prato principal que estava por vir. Comecei a construir, na minha cabeça, a imagem de uma pessoa muito parecida com o ditador ugandês Idi Amin Dada, que escondia um sujeito monstruoso atrás da carapaça de um homem bom e que lutava pelos interesses da sua nação. Assustou-me perceber que, se alguém quisesse, poderia ter feito um filme exaltando Henning Boilesen, de tão paradoxal que ele era.

Para mim, uma coisa ficou clara: um sujeito que frequentava (e gostava de assistir) sessões de tortura, não poderia, definitivamente, ser bom. Não era preciso um monte de flashes avermelhados com a foto do tal cara assassinado na sarjeta, mostrados a todo momento, como em um filme de terror.

Pois bem, agora falarei sobre a tal “postura incisiva” citada no começo do texto. Assisti a Cidadão Boilesen durante o Festival Internacional de Cinema de Brasília, no início do mês. A sessão contou com a presença do produtor e montador do filme, Pedro Oleg.

Ao término da sessão, uma questão veio-me à mente e eu explico antes o porquê: o filho do Boilesen foi entrevistado e exalta, a todo momento, a figura do pai. As suas falas são estrategicamente posicionadas no filme, de maneira que ele também pareça um monstro, no mínimo um sujeito hipócrita que insiste em dizer o pai foi um cidadão exemplar. A utilização dessas imagens, para mim, fere a ética dos documentaristas, ao pegar um depoimento de um “desavisado” e inserí-lo num contexto diferente, de forma a denegrir a sua imagem.

Uma pessoa fez a pergunta que eu queria: “vocês avisaram à família do Boilesen que eles seriam retratados da forma como o foram, quando os procuraram para dar o depoimento para o filme?” O produtor, Pedro Oleg, disse: “Deixamos clara a nossa intenção e ele topou ser entrevistado. Depois, enviamos o filme a ele e o procuramos para saber o que ele achou, mas ele nunca mais quis falar conosco”. Ora, por que será? Sinceramente, não acredito que o cara foi avisado sobre como sua imagem seria utilizada. Ninguém aceitaria “colaborar” para ter sua imagem ferida daquela maneira. Que fique claro que não estou defendendo ninguém, mas o filho do Boilesen não é o Boilesen, ou seja, talvez não merecesse ser pintado como um monstro, pois aparentemente, ele (o filho) nunca teve envolvimento com as ações cruéis do pai. Apenas é um filho que acha (e tem o direito de achar) que o pai foi um herói. Não defendo-o, só critico a declaração do produtor, que poderia ser muito mais sincero na sua resposta.


Outra coisa: Oleg disse que o diretor tentou ser imparcial o tempo todo, deixando para o público a interpretação se Henning Boilesen foi ou não um asqueroso comandante de ações militares, na ditadura. Ora, depois de tudo que relatei sobre o filme, preciso dizer mais alguma coisa? Desde quando a imparcialidade é elemento de um documentário? Ainda mais de um como este...

O Oleg pode até ter tido boas intenções no debate, mas eu acho que ele foi infeliz nas suas declarações. Pena que o “debate” acabou muito rápido e não pude indagar o produtor sobre estas questões. Ficaram todos apenas com declarações de amor ao filme, por parte do público, que parece ter acreditado em tudo o que viram. É um direito deles, assim como é direito meu filtrar aquele bombardeio de informações.

Enfim, gostaria de ter conhecido o diretor do filme, Chaim Litewiski. Talvez ele tivesse declarações menos infelizes e mais sinceras para dar.

Achei Cidadão Boilesen um documentário excelente, mas o debate pós-sessão fez o filme cair no meu conceito. Uma pena. Mas recomendo mesmo assim.

E desculpem-me pelo desabafo, mas não podia deixar passar em branco a minha experiência.

Trailer

  




Cidadão Boilesen

(idem, Brasil, 92 minutos, 2009)

Dir.: Chaim Litewiski


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Julie & Julia


Depois de tantos dias assistindo a filmes alternativos, durante os festivais aqui de Brasília, foi um choque voltar ao circuito comercial. Impressionante como o ritmo, a montagem, a narrativa, trilha, atores, é tudo muito diferente. Pelo menos o filme da vez não era ruim, mesmo não sendo uma preciosidade.

Julie & Julia é o novo filme de Nora Ephron (Mensagem Para Você), que conta as histórias de Julia Child, uma famosa chef de cozinha, autora do livro Mastering the Art of French Cooking, e Julie Powell, uma atendente de SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor), que resolve criar um blog, no qual relataria o desafio autoimposto de fazer, em 365 dias, as 524 receitas constantes no livro de Julia Child, seu ídolo.

As duas tiveram histórias parecidas (o filme é baseado em fatos reais) e isso fez com que a diretora resolvesse contar as histórias com uma montagem paralela e linear, como se comparasse a trajetória das duas mulheres. Ambas envolveram-se com a culinária como forma de sair da rotina tediosa, mesmo não tendo muito jeito com a cozinha. Aprenderam tudo com força de vontade e determinação em alcançar seus objetivos.

O roteiro baseia-se em dois livros: a história de Julia Child foi inspirada pelo livro My Life in France e a de Julie, pelo livro Julie & Julia, escrito pela própria Julie Powell.


As histórias separam-se por uma diferença de 40 anos e é interessante que Nora Ephron optou por não usar efeitos de fotografia para distinguir as duas épocas. O espectador percebe nitidamente que se tratam de décadas diferentes apenas pelos figurinos e cenários, que são obviamente bem cuidados, senão tal distinção seria dificultada.

O início do filme é recheado de cenas forçadas, diálogos clichês e personagens fake (os coadjuvantes). Nada de espantoso, em se tratando de um filme de Nora Ephron. A Julie é tida como uma coitada, as ações mostram isso, mas quer algo mais chato do que você estar vendo toda a situação explicitamente e ainda ter que ouvir pessoas te explicando tudo, como se os seus neurônios não fossem capazes de entender tudo? Esta necessidade absurda que os americanos têm de colocar tudo em palavras torna os filmes redundantes. Irrito-me com isso. Sinto minha inteligência subestimada.

Outra coisa que me deu agonia: a sonoplastia. Ninguém merece ouvir barulhos de pessoas comendo, um shlep-shlep sem fim. Mas isso passa depois de um terço de filme.

A história fica mais divertida quando as duas, cada qual em sua época, começam a aprender a cozinhar e vão cumprindo o desafio de fazer receitas cada vez mais elaboradas. Ao mesmo tempo, cada uma passa pelas crises emocionais de quem almeja ser um escritor reconhecido, uma com as recusas de publicação do seu livro e a outra com as incertezas e o desânimo que dá em todo blogueiro em começo de “carreira”, sem saber se o projeto vai chegar a algum lugar, se as pessoas estão lendo o blog (e gostando), se tanto trabalho para manter o projeto de pé vale a pena.


Meryl Streep está bem engraçada (apesar de caricata) no papel de Julia Child e Amy Adams parece, aos poucos, conseguir se livrar do estigma de fragilzinha, no papel da Julie Powell. O filme seria a coisa mais sem graça do mundo, não fosse o talento dessas duas atrizes.

Julie & Julia é um filme muito divertido, clichê, mas alguns respiros de originalidade. Eu esperava um filme excelente. Não foi, mas gostei mesmo assim.

Quem for assistir, reparem em como eles filmaram o planossequência que encerra o filme, no trabalho de movimentação de câmera e de mudança de iluminação. Muito bom!

Trailer 



(idem, EUA, 123 minutos, 2009)
Dir.: Nora Ephron
Com Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina
Nota 7,6


 
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