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domingo, 21 de novembro de 2010

Festival Internacional Kino Olho

Começa nesta segunda-feira (22/11) o Festival Internacional de Cinema Independente (FIIK) 2010, que acontece no Casarão de Cultura de Rio Claro/SP. O FIIK, como o nome já diz, é um festival que objetiva propagar o cinema independente.

Neste ano, 260 filmes foram inscritos, de todos os estados brasileiros e 5 países diferentes. Destes, 40 curtas foram selecionados e serão exibidos até o próximo dia 28 de novembro.

Procedimento Hassali ao Alcance do Seu Bolso”, curta produzido por mim, será um dos exibidos, na sexta-feira (26), às 20 horas, no local já citado acima.

Quem puder comparecer, compareça. Modéstia à parte, vale a pena! A programação completa e mais informações estão disponíveis no site do festival: http://kinoolhofestival.blogspot.com

 

sábado, 20 de novembro de 2010

Documentário brasileiro é pré-selecionado para o Oscar


A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou a lista dos 15 filmes pré-selecionados para buscar uma indicação ao Oscar 2011 de melhor documentário. Entre eles está "Lixo Extraordinário", que enfoca o trabalho do artista plástico brasileiro Vik Muniz no aterro sanitário Jardim Gramacho, no Rio, o maior do mundo.
Com previsão de estreia para fevereiro, "Lixo Extraordinário" ganhou o prêmio do público no Festival de Paulínia, assim como em outros eventos do calendário internacional de cinema, como Sundance e Berlim. Apesar do comunicado da Academia só creditar a diretora Lucy Walker, também são responsáveis pelo cargo Karen Harley e o brasileiro João Jardim ("Janela da Alma" e o inédito "Amor?").
Ainda na lista, estão pesos-pesados como "Exit Through the Gift Shop", do grafiteiro Banksy; "Trabalho Interno", de Charles Ferguson, análise sobre a crise financeira que abalou os Estados Unidos; e "Waiting for 'Superman'", do ganhador do Oscar Davis Guggenheim ("Uma Verdade Inconveniente", "A Todo Volume"), que analisa o sistema educacional norte-americano.
Os cinco indicados a melhor documentário serão anunciados no dia 25 de janeiro, junto com os concorrentes das demais categorias. A cerimônia do Oscar 2011 está marcada para 27 de janeiro, no Kodak Theatre, em Los Angeles.
Veja abaixo os 15 documentários pré-selecionados:
"Lixo Extraordinário" ("Waste Land"), de Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim
"Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer", de Alex Gibney
"Enemies of the People", de Rob Lemkin e Thet Sambath
"Exit Through the Gift Shop", de Banksy
"Gasland", de Josh Fox
"Genius Within: The Inner Life of Glenn Gould", de Michele Hozer e Peter Raymont
"Inside Job", de Charles Ferguson
"The Lottery", de Madeleine Sackler
"Precious Life", de Shlomi Eldar
"Quest for Honor", de Mary Ann Smothers Bruni
"Restrepo", de Tim Hetherington e Sebastian Junger
"This Way of Life", de Thomas Burstyn
"The Tillman Story", de Amir Bar-Lev
"Waiting for 'Superman'", de Davis Guggenheim
"William Kunstler: Disturbing the Universe", de Emily Kunstler e Sarah Kunstler




quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Crítica: Harry Potter e as Relíquias Morte - Parte 1

Quarta-feira, 17 de novembro. O tempo frio e chuvoso e a pouca movimentação em frente ao cinema de Berlim não pareciam combinar com a aguardada estreia que estava por começar. A sala, apesar de lotada, não continha o público histérico, louco para ver o começo do fim da saga do bruxinho mais famoso do mundo. No fundo, aquele clima civilizado e mais maduro que as outras estreias de Harry Potter anunciava o tom do novo filme da franquia.

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1” acompanha Harry (Daniel Radcliffe), Ronnie (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) em busca das horcruxes e de como destruí-las, a fim de minar os poderes de Voldemort (Ralph Fiennes), que dominara o mundo dos bruxos, desde a morte do mago Dumbledore.

O roteirista Steve Kloves se concentrou, nesta primeira parte, na busca por apenas uma horcruxe, o que lhe deixou livre para contar com muita calma a história e se concentrar mais nos personagens e menos na ação, preparando o terreno para o final apoteótico que parece estar por vir. Algumas sequências de ação e corre-corre estão lá, mas não são o grande atrativo.

Surpreendentemente, este é o mais introspectivo filme da série e David Yates – ao contrário do que muitos fãs reclamaram em “O Enigma do Príncipe” – foi bastante fiel ao livro. E hai do fã que reclamar que algum detalhe está faltando! Está tudo lá, com tanta calma, que em vários momentos o filme mais se aproximava de um cult do que de um arrasa-quarteirão. Sobra espaço até para uma ceninha – enfadonha, que se diga – de dança entre Harry e Hermione. É um presente aos fãs, que já devem começar a se despedir do seu objeto de desejo de anos.

Os incontáveis cenários (sonho e pesadelo de qualquer direção de arte) são explorados ao máximo pela fotografia, com sua gelidez, hostilidade e inospitalidade. O português Eduardo Serra (o diretor de fotografia) não teve medo de arriscar e utilizar, por várias vezes, câmera na mão, desfoques e granulados nas imagens, recursos difíceis de serem digeridos por um público tão acostumado à assepsia visual dos filmes de ação e efeitos.

Efeitos visuais, aliás, que cumprem o seu papel com brilhantismo, como era de se esperar. As criaturas daquele universo, como os Goblins, ressurgem em perfeição de detalhes, texturas e expresões faciais. Há ainda a inclusão de uma animação genial, de cerca de dez minutos, suave e poética.

David Yates realizou um filme introspecto, com cara de cult, mas que tem tudo para agradar os fãs vorazes dos filmes e dos livros de J.K. Rowling. E isso só foi possível graças à escolha acertada de adaptar o último livro em dois filmes. O estúdio (Warner Bros) uniu o útil (contar a história com calma e fidelidade) ao agradável (ter outro filme para fazer mais dinheiro).

É assim que o último filme dá certo: o primeiro abaixa a poeira e analiza o âmago dos personagens; assim, quando a ação tomar conta da segunda parte, a história já não será mais vazia e atropelada como seria, se tivesse pouco tempo para ser contada.

Espera-se, agora, que o melhor esteja guardado para o final.

Trailer:

(Harry Potter and the Deatly Hallows – Part 1, EUA/Inglaterra, 146 minutos, 2010)
Dir.: David Yates
Com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Helena Bonham-Carter, Alan Rickman, Julie Walters, Bill Nighy
Nota 8,0
 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mais recordes para o cinema nacional

O cinema nacional acaba de bater mais um recorde. Com os números do último final de semana, o total de ingressos vendidos no ano já passa dos 22 milhões, número do até então recordista ano de 2003. O resultado foi alcançado graças ao desempenho de “Tropa de Elite 2” – que manteve pela sexta semana a liderança das bilheterias brasileiras – e também pela boa estreia de “Muita Calma Nesta Hora”, que obteve público de mais de 170 mil pessoas em sua estreia – o que indica mais um provável filme nacional a ultrapassar o milhão de público neste ano.

Tropa de Elite 2” já levou cerca 9,5 milhões de pessoas aos cinemas, enquanto que “Nosso Lar” levou outros 4 milhões de espectadores e “Chico Xavier – o Filme” 3,4 milhões. Outros filmes de médio porte também deram sua contribuição, como “O Bem Amado” (950 mil espectadores), “Lula – O Filho do Brasil” (850 mil espectadores), “As Melhores Coisas do Mundo” (280 mil espectadores) e “High School Musical – o Desafio” (300 mil espectadores).

No entanto, a porcentagem do público do cinema brasileiro ainda é menor à de 2003. Cerca de 19% dos ingressos vendidos em 2010 foram para filmes nacionais, enquanto que, em 2003, o percentual ultrapassou a casa dos 21%. Isso se deve ao fato de 2010 ser também um recordista de público no geral, dos últimos 20 anos. Até o dia 04 de novembro, mais de 115 milhões de ingressos já haviam sido vendidos.

Ainda sobre o Capitão Nascimento e cia: o filme já ultrapassou a renda e o público de "Avatar" – até então o maior público dos últimos 20 anos no Brasil – e agora só fica atrás de “Dona Flor e Seus Dois Maridos” em número de espectadores. “Dona Flor” levou 10,7 milhões de brasileiros aos cinemas em 1976/1977, sendo que, na época, o número de salas de cinemas no Brasil era quase 50% maior que atualmente. E vale também ressaltar que “Tropa 2” ainda tem fôlego suficiente para ultrapassar a marca de “Dona Flor” e se tornar o maior filme brasileiro de todos os tempos.

É esperar (e torcer) para ver onde estes números irão chegar.

Dados: FilmeB e Ancine


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os 15 potenciais candidatos ao Oscar de animação

Saiu a lista das 15 animações elegíveis para o Oscar. Por causa do baixo número de “aprovados”, a categoria só terá 3 indicados em 2011.
 
Neste ano, cinco filmes foram indicados, pois a Academia havia aprovado 20 inscritos, número mínimo para se ter as cinco indicações em uma categoria.

Toy Story 3” e “Como Treinar Seu Dragão” são tidos como certos entre os concorrentes. Para a terceira vaga, eu aposto em “O Ilusionista” (novo longa de Sylvain Chomet, d'As Bicicletas de Belleville) ou em “A Lenda dos Guardiões”.

Independente da quantidade de nomeados, alguém ainda duvida que a estatueta irá para os bonecos da Pixar?

Veja abaixo, a lista dos 15 candidatos:
 
Alpha and Omega”

“Cats & Dogs: The Revenge of Kitty Galore”

“Despicable Me”

“The Dreams of Jinsha”

“How to Train Your Dragon”

“Idiots and Angels”

“The Illusionist”

“Legend of the Guardians: The Owls of Ga’Hoole”
“Megamind”
“My Dog Tulip”

“Shrek Forever After”
“Summer Wars”

“Tangled”
“Tinker Bell and the Great Fairy Rescue”

“Toy Story 3”

Crítica: Eu, Você e Todos Nós

Miranda July é artista performática, musicista, escritora, atriz e diretora. Eu, Você e Todos Nós marcou a sua estreia na direção de longas metragens e foi premiado em boa parte dos festivais de filmes independentes de 2005, além de ter sido ovacionado pela crítica especializada.

A diretora mostra, através das histórias de diversos personagens, como a vida é feita de pequenos momentos e como todos temos pequenos segredos, desejos ocultos e sujeiras de personalidade, e que nada disso nos faz ser menos admiráveis como seres humanos, justamente por sermos ordinários.

Miranda é também uma das protagonistas do filme, uma taxista que trabalha para a terceira idade, que tenta ter seu trabalho de artista performática aprovado para ser exposto numa galeria. É ela quem dá a liga, a pitada deliciosa de criatividade ao filme, permeando-o com doses homeopáticas de sua arte, fazendo com que uma simples foto tome vida como um show, cujo público está alucinado; ou um par de sapatos se roçando se torne uma linda representação de um casal desentendido, mas apaixonado.

Por outro lado, além de outras tantas histórias, temos um homem recém-separado, que tenta lidar com os dois filhos. É do filho mais novo que vem a fofura e as risadas que o longa arranca. A criança (Brandon Ratcliff) é hilária, um achado da produção. É criação dele o antológico sinal gráfico de computador, eternizado na cabeça de quem viu. E só quem viu consegue entender o que ele significa.

Back and forth... forever!

))<>((

(Me, You and Everyone We Know, EUA/Inglaterra, 91 minutos, 2005)
Dir.: Miranda July
Com Miranda July, John Hawkes, Brandon Ratcliff
Nota 9,0


sábado, 13 de novembro de 2010

Curta: Café Expresso (French Roast)

Café Expresso (French Roast) é um simpático curta francês, dirigido por Fabrice Joubert, que marca aqui sua estreia na direção.

Normalmente, Fabrice trabalha como supervisor de animação de filme Hollywoodianos, como “O Espanta-Tubarões”, “Por Água Abaixo” e mais recentemente “Meu Malvado Favorito”.

Em oito minutos, ele consegue um ótimo discurso sobre o dito popular “as aparências enganam”.

French Roast foi indicado ao Oscar de Melhor Animação em 2008, ganhou o prêmio de melhor animação no Festival de Córdoba 2009 e também o prêmio de melhor direção no Anima Mundi 2009.


(French Roast, França, 8 minutos, 2008)
Dir.: Fabrice Joubert
Nota 7,5

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Crítica: Minhas Mães e Meu Pai


É muito bom poder falar deste filme simultaneamente à sua estreia no Brasil. Ele é daqueles que pode passar despercebido, se o público não comparecer logo, pois tem uma distribuição discreta e não possui efeitos visuais, tiros e escatologias para atingir o grande público.

Minhas Mães e Meu Pai – raro caso em que o título brasileiro soa melhor e mais honesto que o original – é destas pequenas pérolas que, vez por outra, encontramos pelo caminho.

Sua história é centrada em cinco personagens, cada qual minuciosamente construídos. Nic (Annette Benning) e Jules (Julianne Moore) formam um casal de lésbicas que fizeram inseminação artificial e tiveram dois filhos, Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson). Assim que a filha mais velha completa 18 anos, Laser a convence a procurar o doador do sêmen usado na inseminação de ambos. A introdução de Paul (Mark Ruffalo) na família aparentemente tão bem constituída será delicada e as mães terão que colocar na balança todos os problemas, para saber se o doador é ou não bem-vindo como o pai das crianças.

O arco dramático formado não é em nenhum momento abandonado pela diretora Lisa Cholodenko, que transformou o ótimo roteiro num filme delicioso de ser assistido; divertido em seu primeiro ato e dramático na sequência. Uma história especial, sensível e inteligente.

O elenco reunido só possui felizes escolhas, desde os adolescentes Josh Hutcherson e Mia Wasikowska (muito melhor do que a apática Alice de Tim Burton que outrora fizera) à competente Julianne Moore e o sempre despudorado Mark Ruffalo, que desta vez encontrou o papel perfeito para si.

Mas é Annette Benning quem faz o show. Ela confere humanidade e uma leque enorme de qualidades e defeitos à sua personagem. Seu trabalho é emocionante e é digno de todo o reconhecimento.

Sob trilha sonora assinada por Cartel Burwell, Minhas Mães e Meu Pai faz rir quando a situação permite e leva às lágrimas quando deve levar. Tudo muito bem dosado para entregar ao público um dos melhores filmes do ano. 

Trailer:

(The Kids Are All Right, EUA, 106 minutos, 2010)
Dir.: Lisa Cholodenko
Com Annette Benning, Julianne Moore, Mark Ruffalo, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson
Nota 10

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Crítica: R.E.D. - Aposentados e Perigosos


R.E.D. significa “Retired Extremely Dangerous” (Aposentados Extremamente Perigosos). Podemos também entender assim: atores com síndrome de adolescente podem, juntos, formar uma bomba, se aceitarem pagar o mico proposto.

Bruce Willis, John Malkovich, Morgan Freeman, Mary-Louise Parker e Helen Mirren toparam viver os “velhinhos perigosos” e bem que poderiam ter se dado bem, não fosse um roteiro péssimo, sem a menor personalidade.

Willis e Parker vivem Frank Moses e Sarah Ross, respectivamente. Eles mantinham um relacionamento por telefone, até que um dia ele aparece na casa dela e a “sequestra”, com o argumento de que ela corre perigo por ter se envolvido com ele. O real motivo da fuga é que ele é ex-agente da CIA e, por saber demais, precisa ser apagado. Em sua jornada, encontra ex-colegas de trabalho – também considerados R.E.D. – e juntos formam um grupo de combate à CIA, ou se assim melhor preferirem, de luta por sobrevivência.

O roteiro é baseado nas HQs de Warren Ellis e infelizmente não dá conta do recado. Assim como as piadas sem sal e as sequências de ação enfadonhas são de dar sono. Só se salva por ter um elenco competente que, mesmo pagando mico, o fazem com dignidade. O papelão não é por causa da atuação deles, mas por causa da escolha infeliz de fazer um filme como este. Mas disso eles não têm culpa. A proposta parecia boa, mas sob uma direção equivocada, deu errado.

Inicialmente, vemos sequências de ação mal explicadas, de resolução rápida e clichê. A repetição de velhas frases de impacto não funciona e a trilha sonora picareta mais parece de série teen teatral de tevê, bem no estilo Hannah Montana ou Kenan & Kel.

Tudo é feito no formato mais básico possível. Na tentativa aparente de não enfatizar mais este ou aquele astro, o diretor concebeu uma introdução para cada um, como se aquilo fosse causar delírio no público. Hunf.

Os papéis cômicos ficaram a cargo de Mary-Louise Parker e John Malkovich, mas uma é histérica de dar preguiça e o outro só repete as excentricidades que costuma fazer. Helen Mirren, como era de se esperar, é quem se sai melhor, mostrando competência mesmo quando faz escolhas erradas. Sua aposentada tem estilo, postura e não parece querer ser uma adolescente. Prefere ser uma senhora bem vestida e perigosa.

Depois de tudo, o final ainda escancara a possibilidade de uma sequência. Tem gente que não sabe mesmo a hora de tirar o time de campo...

Trailer:

(R.E.D., EUA, 100 minutos, 2010)
Dir.: Robert Schwenkte
Com Bruce Willis, Mary-Louise Parker, John Malkovich,
Helen Mirren, Morgan Freeman, Brian Cox
Nota 4,0

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Crítica: Aftershock

Escolhido como representante da China no próximo Oscar, Aftershock poucas chances tem de alcançar o objetivo de ser indicado na categoria estrangeira. Tudo por causa de um roteiro instável.

Baseado nos acontecimentos de 1976 na cidade de Tangshan, na qual um terremoto tirou a vida de 240 mil pessoas e devastou para sempre o futuro de tantas outras, o filme tenta transmitir ao espectador a força que a história possui.

Uma família comum (marido, mulher, filho e filha) viviam felizes até o dia da citada tragédia. O marido morreu tentando salvar os filhos, que depois acabaram presos em meio aos blocos de concreto da casa desabada. A mãe, desesperada, gritava por ajuda, quando se deparou com o dever de escolher qual dos dois filhos sobreviveria, pois os homens que a ajudavam disseram-na que, ao levantar o concreto para retirar um filho, o outro morreria esmagado.

A partir daí se desenvolve uma história que deveria ter como personagem principal o terremoto, mas o mesmo serve apenas como pano de fundo para um dramalhão de acontecimentos sem fim e pouco desenvolvidos. Muito acontece, mas pouco daquilo tem capacidade de emocionar.

Os primeiros minutos pareciam anunciar um filme excepcional, com o sofrimento exarcebado dos personagens em meio à tragédia, registrada numa sequência espetacular, com muito efeitos visuais e muita dor exposta na tela.

Ao desviar a atenção para a história de apenas alguns personagens, o filme perde força e cada vez o fôlego, que só é retomado no final, quando novamente a questão “terremoto” volta à tona. Mas aí já é tarde: muitas sequências estapafúrdias já haviam sido despejadas, com direito a grotescas cenas no Canadá, que contam com a participação de um ator que merecia um “framboesa de ouro” – premiação que coroa os piores do ano – vitalício.

O diretor Feng Xiaogang inclui ainda cenas do funeral de Mao Tsé-Tung, que morreu no mesmo ano da tragédia. Tal cena é completamente solta no filme. Está ali com objetivos claros patrióticos, para exaltar o governo chinês.

O roteiro se atrapalha ao tentar contar a história da vida toda dos personagens centrais, mas esquece de que não é possível abraçar o mundo com as pernas. Nem o trabalho maravilhoso da direção de arte – que fez cenários imensos para reconstituir três diferentes décadas – e nem as boas interpretações conseguem disfarçar os problemas.

Aftershocks possui uma história poderosa, mas infelizmente, desperdiçada.

Trailer:

(Tangshan dadizhen, China, 132 minutos, 2010)
Dir.: Feng Xiaogang
Com Jingchu Zhang, Daoming Chen, Chen Li
Nota 6,0

domingo, 7 de novembro de 2010

Crítica: E Sua Mãe Também

Foi ali que tudo começou. As carreiras de Gael Garcia Bernal, Diego Luna e Alfonso Cuarón decolaram, definitivamente, a partir do lançamento de E Sua Mãe Também. O filme foi um sucesso de público e crítica, teve presença garantida em diversos festivais mundo afora e colocou o cinema mexicano em outro patamar, no início da década de 2000, quando da sua produção.

Contado em forma de road movie, o longa trás a dupla Bernal-Luna como dois amigos que se encontram na fase de “não quero nada com a vida”. Só querem curtí-la. Perambulam pelas festas e clubes da cidade, usufruindo da boa vida oferecida pelo pai de um deles, e fumam e bebem e transam e se exibem como dois boas-vidas despudorados e descompromissados.

Numa das festas da high society a que são obrigados a participar, conhecem Luisa Cortés, prima de um deles, que há muito tempo não aparecia. De personalidade dúbia, ela faz o tipo, com o perdão da expressão, madalena-do-rabo-quente-arrependida, que chora, chora, chora mais um pouco e depois peca, peca e peca mais um pouco. Os rapazes a convidam para uma viagem à uma praia, cuja localização nem eles mesmos conhecem. Ela aceita o convite e cai na estrada com eles, sem muito peso na consciência.

A partir dali começa uma jornada de “enjoy the life”, com forte apelo sexual, mas que consegue não ser vulgar por ser natural.

A carapaça liberal e relax se esvai à medida que cede lugar a sentimentos tradicionais, o que denota o conservadorismo escondido em qualquer pessoa e faz os personagens repensarem seus posicionamentos, se quiserem mesmo manter sua filosofia de vida em pé.

Como permite o formato road movie, o diretor aproveita para fazer um desfile de estereótipos e lugares comuns da cultura mexicana, com muitos figurantes e situações mostradas de relance, que ajudam a fazer um retrato parcial daquela nação, mas que pelo menos não se atém a mostrar somente seus defeitos.

A dupla protagonista esbanja química e rende momentos impagáveis, arrancando risadas montes do espectador. São eles os maiores responsáveis pelo filme ser a melhor comédia emaconhado de todos os tempos.

Lembro de que, quando vi no cinema, era possível encontrar vários erros, como o boom e a sombra do mesmo, que apareciam várias vezes em cena. Mas estes defeitos foram devidamente retirados para a versão em dvd.

A viagem de E Sua Mãe Também é encantadora e inesquecível; uma pérola do cinema mexicano.

E então você me pergunta o porquê do título? Assista e saberás!

Trailer:

(Y Tu Mamá También, México, 110 minutos, 2001)
Dir.: Alfonso Cuarón
Com Gael Garcia Bernal, Diego Luna
Nota 9,5

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Curta: Little Hands


Como é bom esbarrar com pequenas grandes obras por aí.

Little Hands é um curta dirigido pela dinamarquesa Katrine Talks, cujo sobrenome funciona como um paradoxo ou uma piada pronta. Ela filmou crianças surdomudas, no lugar onde elas não possuem diferenças: numa escola de Libras (a língua dos sinais).

Lá, as crianças deixam de lado sua dificuldade de interação com pessoas comuns e transformam-na numa poderosa arma de divertimento, sendo mais eficiente do que se falassem.

Para o entendimento do público, a diretora varia entra a dublagem (excelente e incrivelmente bem encaixada com os sinais), a legenda e às vezes somente a conversação por libra – momentos nos quais o que menos importa é a tradução literal dos dizem as mãos das crianças.

É o típico curta para nos fazer sentir bem; um documentário gracioso.


(idem, Dinamarca, 16 minutos, 2002)
Dir.: Anne Katrine Talks
 
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