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terça-feira, 2 de abril de 2013

Procedimento Hassali ao Alcance do Seu Bolso

"Religar cordões nos dentes permanentes só poderia resultar em um vínculo eterno ou em um dente extraído. Mas a chegada e a popularização do procedimento Hassali no país mudou a maneira como pais, mães e filhos se relacionam, sendo que hoje há mais religados do que jamais se imaginou."

Em 2010, "Procedimento Hassali ao Alcance do Seu Bolso" passou por alguns festivais e obteve boa repercussão da crítica. O curta foi, até então, um dos meus maiores desafios como produtor. Várias locações, atores sociais, equipe grande, etc. Nele, assino a produção executiva e a direção de produção.

"Hassali" foi exibido no 3º MIAU (Goiânia), no 7º PUTZ (Curitiba), no 15º FBCU (Rio de Janeiro), na 37ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia e no 2º FIIK (Rio Claro/SP).

Depois de tanto tempo, o curta está disponível na internet. Estou curioso com a opinião de vocês. Assistam aí:




Ficha técnica:
Direção e roteiro: Saulo Tomé
Codireção: Natália Pires
Com: Agnes Maia, Breno Figueiredo, Bruna Angert, Gisele Niremberg, José de Campos, Juarez Fraga, Márcia Pinto Santos, Maria Socorro de Brito, Waldênio Macedo de Abreu
Produção executiva: Fred BurleDireção de produção: Fred Burle e João Paulo Gomide Reys
Fotografia: Dani Azul, Emília Silberstein, Ivan Gajic
Direção de Arte: Leonardo Martins, Luciana Newton Maria Vitória Canesin, Andréa Nagai, Bárbara Rodrigues
Montagem: Rafael Lobo
Preparação de elenco: Marcelo Carvalhedo, Camila Evangelista
Som: Pedro Branco
Mixagem e trilha sonora: Ricardo Ponte 
Duração: 15 min     Ano: 2010     Bitola: Vídeo 
País: Brasil     Local de Produção: Brasília

domingo, 7 de agosto de 2011

Curta: Cowboy


Como forma de conhecer melhor onde vou estudar a partir de setembro, resolvi assistir algumas produções dos alunos da Academia de Cinema Alemã, em Berlim. Assisti um longa bem interessante chamado Headshot (2010) e também descobri que este média também é produção da casa.

Cowboy mostra um agente imobiliário interessado em comprar umas terras ermas, mas por lá ele só encontra um suposto peão da fazenda, que no auge de sua (pouca) simpatia deixa que o homem espere pelos donos do local. Desenvolve-se então uma estranha relação entre os dois, cujo mistério só será descoberto no final.

É um curta ótimo, com som, edição, roteiro e produção muito bem cuidados. Peca um pouquinho nas atuações e na fotografia que por vezes lembra novela, mas nada que prejudique o resultado final. Foi vencedor na categoria de melhor médiametragem no Festival Internacional Lésbico e Gay de Milão, em 2009.

Vale a pena tirar meia horinha para conferí-lo. As legendas são em inglês, mas é bem fácil de entender.



quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sessão-besteirol: Ráis Cul Míuzical

Mais de um mês se passou desde a postagem da primeira sessão-besteirol, mas eu não esqueci dela. A postagem bombou e o número de visualizações do vídeo mais que dobrou depois que o postei no blog. Então, chegou a hora de mostrar mais um videozinho que a Lu Nasser redublou, em parceria com o Tito Patini.

O zombado da vez é o seriado High School Musical. Vamos rir um pouquinho, sem compromisso?


sábado, 25 de junho de 2011

Hold Your Horses - 70 Millions

Não é cinema, mas é uma produção audiovisual de ideia super original e muito bem executada. O clipe "70 Millions", da banda francoamericana Hold Your Horses.

Os caras resolveram fazer reconstituições de pinturas famosas, que vão de Van Gogh a Rembrandt. A maioria das referências é bem clara e é divertido tentar identificar cada um dos quadros, além de curtir a música, que também é bem boa - clima de feel-good-music.

Fico só imaginando o trabalhão que teve o pessoal da direção de arte e o pessoal da iluminação... Para aqueles que se interessarem na brincadeira do "adivinha", segue também um vídeo com todos os quadros originais - a maioria com identificação de nome, autor e data.

Clipe:


Identificação dos quadros:

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Curta: Recife Frio


Uau! Isto sim é que é um mockumentary (falso documentário).

Estava curioso para assistir Recife Frio desde que ele ganhou três prêmios (direção, filme e roteiro) no Festival de Brasília em 2009, onde fez sua estreia e gerou o maior buchicho no festival. Dali para adiante, passou pelo Festival Internacional de Curtas no Rio e pelo Festival de Recife, dentre outros, sempre arrebatando os principais prêmios. Foi também exibido no Festival de Rotterdam, em 2010.

Com sorte, não demorou tanto para ser disponibilizado no Youtube – e a espera valeu a pena. Kleber Mendonça Filho surpreendeu e convenceu – algo importante quando se trata de um mockumentary – ao “documentar” a época trágica em que uma onda de ar frio invadiu Recife e mudou toda a atmosfera da cidade, levando consigo o tempo em que o sol predominava.

Toda a paisagem e a dinâmica da cidade mudou e o roteiro explica tudo brilhantemente, sem deixar pontas soltas. Não só questões teóricas são explicadas, como também a situação política e econômica da cidade, assim como questões práticas na vida dos moradores.

Até as cenas que não foram filmadas em Recife foram muito bem tratadas e nem dá para dizer que tudo que se vê não é Recife. A montagem, a edição, a narração, o roteiro. Um primor de curtametragem que vale o ingresso de um longa.

Curta:

sábado, 4 de junho de 2011

3 Porcento: a (futura) nova série de sucesso no Brasil

O Brasil ainda não conseguiu produzir uma série de ficção científica sem que isso seja levado para o lado besteirol cômico (como "O Sistema", exibido na Rede Globo em 2007), mas isso pode mudar, desde que o pessoal das produtoras Maria Bonita Filmes e Nation Filmes encontre um canal de tevê que se proponha a produzir a série 3 Porcento.

O projeto já ganhou dois concursos de desenvolvimento e produção de piloto para tevê, mas ainda falta o contrato para produzir e exibir a série completa. Por enquanto, o que está disponível são as três partes do piloto já produzido.

A série acompanha a luta dos personagens para fazer parte dos 3% dos aprovados que irão para o Lado de Lá. A trama se passa em um mundo no qual todas as pessoas, ao completarem 20 anos, podem se inscrever em um processo seletivo. Apenas 3% dos inscritos são aprovados e serão aceitos em um mundo melhor, cheio de oportunidades e com a promessa de uma vida digna. O processo de seleção é cruel, composto por provas cheias de tensão e situações limites de estresse, medo e dilemas morais.



Com influências declaradas - segundo o canal da série no Youbtube - de filmes como Metropolis, O Processo, 1984, A Experiência, Código 46, Blade Runner, THX 1138 e até o seriado Lost, o pessoal conseguiu, com poucos recursos financeiros e sem precisar utilizar efeitos visuais mirabolantes, construir um mundo fictício sinestésico cuidado nos mínimos detalhes.

Em entrevista exclusiva (e com muita simpatia) para o blog, por e-mail, Pedro Aguilera, criador e roteirista da série, explica que "a ideia veio por influência de distopias que estava lendo na época". "Uma das coisas que mais me atraiam nos conflitos dos jovens brasileiros era a dificuldade de entrada no mercado de trabalho (e outros tipos de seleção), por isso pensei em exagerar essa característica da nossa sociedade, criando esse processo único, cruel e intenso para os personagens enfrentarem". 

Pedro e os três diretores da série - Daina Giannechini, Dani Libardi e Jotagá Crema - estudaram Audiovisual juntos, na ECA-USP. Mirando longe, os quatro ousaram ao convidar nomes renomados para formar a equipe. "Foi incrível que essas pessoas como diretor de arte Fabio Goldfarb, o montador Márcio Hashimoto, o músico Érico Theobaldo, o preparador de atores Roberto Áudio, o desenhista de som Edu Mendes, que foi nosso professor na faculdade, o fotógrafo Zé Bob Eliezer - que a gente já era muito fã - tenham se interessado pelo projeto e agregado tanto ao 3%. E a equipe de produção, com a Camila Groch, e direção (assistentes de direção, continuísta) nos deu um suporte que foi fundamental para conseguirmos realizar esse trabalho", conta Daina, uma das diretoras.

Daina explicou ainda sobre a busca de verba para continuar a produção: "Os produtores da Nation Filmes estão nos apoiando e correndo atrás de canais de TV interessados. Vencemos o Festival Internacional de TV no Rio de Janeiro em 2010 e vamos ao Festival de TV de Nova York no segundo semestre. Então o projeto ainda tem boa visibilidade. A recepção na internet está nos deixando muito felizes. Estamos esperançosos que conseguiremos o financiamento de alguma rede de TV para os próximos 12 episódios dessa primeira temporada". 

Desde a montagem de timing preciso, o elenco de boas atuações, a trilha sonora e uma qualidade fotográfica incrível, o projeto foi todo muito bem pensado e elaborado até agora. A história é intrigante e tem quê de vício que deixa a curiosidade aguçada para os próximos capítulos.

Sobre isso (o futuro da série), Daina Giannechini também falou um pouco: "O que se pode esperar é que o universo de '3%' é mais complexo que aparenta. E que conhecer os protagonistas vai ser uma experiência intensa, especial, já que eles terão que se superar nesse ambiente tão duro.  Não podemos dar spoilers sobre o Lado de Lá (risos), mas o que podemos dizer é que o jeito que pensamos a direção é sempre mesclando o uso de efeitos de pós com a construção de coisas reais. Às vezes somos ligeiramente megalomaníacos, mas priorizamos a forma mais simples e que funciona melhor na tela, e sempre evitando deslocar o foco de atenção para os efeitos em si. Durante um bom tempo da temporada, vamos continuar trabalhando essa coisa crua, do concreto, das salas e corredores sem muitos adornos, tudo para deixar o ambiente tenso, e poder aprofundar no aspecto psicológico. A ideia é revelar a complexidade desse universo aos poucos, afinal de contas, retratamos um outro mundo em outro tempo, diferente dos nossos, mas com características que fazem pensar sobre o nossos próprios".

Boa sorte à equipe e que o projeto se conclua logo! 

Abaixo, o que já foi disponibilizado até agora. Assistam a primeira parte e eu duvido que não vão querer assistir as outras também.

Parte 1:

Parte 2:

Parte 3:

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Curta: Não Gosto dos Meninos

Lembram do preview que postei há pouco mais de uma semana no blog? Pois é, não demorou e o curta "Não Gosto dos Meninos" já foi publicado no íntegra na internet.

O curta cumpre exatamente o que o trailer previa: trata de maneira extremamente realista a situação do que é crescer sendo gay e do constante processo de redescobrimento e desconstrução e construção de conceitos, ideias e identidade, para si e para a sociedade. Uma abordagem não só necessária, como urgente, de um tema que assusta e reprime muita gente até hoje, mas que não deveria nem ser assunto mais.

Gustavo Ferri, um dos diretores do curta, comentou - assim mesmo, em letras garrafais - em seu canal do Youtube, deixando clara a intenção deste trabalho: "SOU O GUSTAVO FERRI, UM DOS DIRETORES DO FILME. SOU HETEROSSEXUAL, CASADO E COM UMA FILHA DE 3 ANOS. NÃO APENAS EU PERMITO QUE A MINHA PEQUENA ASSISTA AO FILME, COMO ELA FOI AO LANÇAMENTO DO FILME, E EU FAÇO QUESTÃO QUE ELA VEJA E REVEJA O FILME QUANTAS VEZES FOR. MINHA FILHA ESTÁ CRESCENDO SEM NENHUM TIPO DE PRECONCEITO. PARA ELA, A TIA QUE É CASADA COM A MULHER DELA É ABSOLUTAMENTE IGUAL A TIA QUE É CASADA COM UM HOMEM. ELA NEM AO MENOS SE DÁ CONTA DA DIFERENÇA, POIS NÃO HÁ."

É isso aí. E que bom que o formato escolhido foi o de curtametragem, porque proporciona um alcance maior do que um possível lançamento de longametragem nos cinemas poderia ter e não só pode, como já tem se espalhado rapidamente pela internet. Espero que muita gente ainda possa assistí-lo, porque sim, ele (ainda) é necessário.

Trailer:

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Curta: Até o Sol Raiá

Vejam só que simpático este curta. Até o Sol Raiá é uma animação em computação gráfica 3D das boas e é brasileira!

Faz referência à história de Lampião e Maria Bonita, com todo o encanto que a cultura nordestina tem. Uma ótima junção do cordel com o artesanato de barro e o cangaço.

O curta, dirigido por Fernando Jorge e Leanndro Amorim, foi o vencedor do prêmio de melhor animação brasileira no Anima Mundi 2007, dentre outros prêmios no circuito de festivais nacionais.

Reparem nas texturas, especialmente do velho artesão. A equipe teve um cuidado impressionante com os detalhes e não ficou devendo em nada aos curtas de animação internacional contemporâneos.



segunda-feira, 9 de maio de 2011

Curta: La Jetée (legendado em português)

Quem disse que fotografia estática não tem vida?

O diretor francês Chris Marker provou, em 1962, que é possível contar uma história cinematográfica apenas com imagens únicas, paradas. Revolucionou o conceito narrativo e estético da época, gerando muitos seguidores, como Godard (Alphaville) e Tarkovsky (O Espelho). No Brasil, algo muito semelhante foi feito em 1987, com o belo e nostálgico média-metragem Rio de Memórias, de José Inácio Parente. E eu duvido que também não haja alguma influência deste filme em longas recentes, como Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças e A Origem... De oficial, ele originou o roteiro de Os 12 Macacos, do Terry Gilliam.

Mas, antes de ser influência, La Jetée é um exemplo escancarado de uso do que há de mais essencial no cinema: a memória. É através dela que a história é (literalmente) construída. O próprio narrador-protagonista diz, sobre uma lembrança que tem da infância, que já não sabe mais se aquilo realmente existiu ou se foi apenas algo que ele assim gostaria que fosse.

Em forma de fotorromance, a história é contada por um homem que, assombrado por um imagem desde criança, tenta recapitular a própria vida para cientistas alemães que o tomam como cobaia, na tentativa de “reconstruir” e “explorar” a História francesa, nos tempos do pós-Segunda Guerra Mundial. O que vemos é um misto de memória coletiva e memória subjetiva, uma descrição de uma Paris que acabara de sofrer uma hecatombe e um relato emocionado de quem vivera ali uma grande história de amor.

Com o uso de música e utilizando recursos de câmera para dar maior profundidade às fotos, Chris Marker nos faz abdicar da dependência da habitual condução das imagens pelo cineastas, para nos deixar livres para criar a nossa própria história imagética em movimento, tomando como base aqueles fotogramas. E que maravilha de fotogramas!



(idem, França, 26 minutos, 1962)
Dir.: Chris Marker



quarta-feira, 4 de maio de 2011

Momento besteirol: Harry Brocha e a Ordem do Pênix - Encontro na Estação de Trola

Estava outro dia assistindo uns vídeos que uma amiga, Luciana Nasser, resolveu redublar, por pura diversão, na companhia do Pedro Linhares, colocando palavras sacanas na boca de personagens famosos. 

Resolvi então postar um dos vídeos, como experiência. Caso gostem, mais exemplares podem surgir.

Um aviso: o linguajar é chulo e portanto, não recomendável para pudicas ou menores de idade.


Gostou do vídeo? Gostaria de ver mais redublagens aqui no blog? Deixe sua opinião nos comentários!


terça-feira, 26 de abril de 2011

Curta: Eu Não Quero Voltar Sozinho


Eu já tinha postado aqui o Café com Leite, curta que o Daniel Ribeiro dirigiu em 2007 e arrecadou prêmios mundo afora, inclusive o Urso de Cristal no Festival de Berlim.

Em 2010, Daniel estreou Eu Não Quero Voltar Sozinho, no Festival de Paulínia, que de lá para cá já foi exibido em outros 21 festivais, levando para casa 27 prêmios. Todos prêmios merecidos.

O tema da homossexualidade é até hoje muito mal explorado e retratado no cinema brasileiro e não será nenhuma surpresa se Daniel for o responsável pelo primeiro grande longametragem GLBT brasileiro.

Leonardo (Guilherme Lobo) é um adolescente cego, cuja vida muda completamente com a chegada de um novo aluno em sua escola. Ele terá que lidar, ao mesmo tempo, com os ciúmes da amiga Giovana (Tess Amorim) e entender os próprios sentimentos, despertados por este novo amigo, Gabriel (Fabio Audi).

É revigorante o talento que Daniel demonstra ter para dirigir obras densas, mas com uma leveza incrível. O atenção e a importância dada ao elenco se reflete na tela: o trio de adolescentes está impecável, super à vontade e parecem encarar com maturidade um assunto difícil, especialmente entre adolescentes.

O roteiro é uma pequena pérola, não só por ser bem escrito, mas pela ideia inovadora. O fato de ter um personagem cego como protagonista desvio todo o clichê de que a pessoa se descobre gay pela atração pelo mesmo sexo. Leonardo é desprovido do recurso visual, então o processo de se apaixonar por um outro garoto diz respeito apenas ao coração. E isso o diretor retrata com muito sentimento e simplicidade.

Não é difícil se emocionar com esta pequena e preciosa obra. O final só deixa um gostinho de “quero mais” e uma vontade de que esta linda história possa se tornar um longa um dia.




domingo, 27 de fevereiro de 2011

Curta: 69 - Praça da Luz

69 – Praça da Luz” é um documentário em curtametragem, das diretoras Carolina Marcowicz e Joana Galvão. Foi exibido em diversos festivais e ganhou o prêmio de melhor documentário no Festival do Rio 2008.

Mostra depoimentos de cinco senhoras, que até hoje ganham a vida como prostitutas na Praça da Luz, em São Paulo.

De maneira corajosa, elas falam abertamente sobre suas experiências, humilhações e também contam sobre as excentricidades dos seus clientes. As histórias são, algumas vezes, tão parecidas que cheguei a pensar que se tratava de uma espécie de “Jogo de Cena”, como se apenas uma daquelas mulheres fosse verídica e as outras fossem atrizes, interpretando-a.

Este é um curta que vai do hilário ao trágico em questão de segundo. Isso quando ambos os adjetivos não se encontram numa mesma história. 

domingo, 16 de janeiro de 2011

Curta: Olhos de Ressaca


No começo do mês de dezembro, aconteceu em Berlim a Première Brazil 2010. Em sua segunda edição, a Mostra trouxe para o público alemão uma seleção incrível de filmes brasileiros, sob curadoria de Ilda Santiago, que conseguiu trazer para cá boa parte dos diretores dos filmes em questão.

Eram filmes como “As Melhores Coisas do Mundo”, “Os Famosos e os Duendes da Morte”, “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, “Dzi Croquetes” e “Bróder” - ainda inédito no Brasil. Deu orgulho ver o público berlinense aplaudindo tantos bons filmes brasileiros.

Antes de cada filme, era exibido algum curta-metragem. Casando perfeitamente com o longa que precedia (“Viajo Porque Preciso...”), “Olhos de Ressaca” trás toda a melancolia e romantismo de um amor que perdurou por toda uma vida.

Foi vencedor do prêmio de melhor curta no Festival do Rio 2009 e Prêmio do Júri em Gramado 2009, entre outros.

É um documentário de 20 minutos sobre um casal de idosos, ainda apaixonados, possuidores de um amor sereno e extremamente romântico, à moda antiga, recheado de belas palavras, proferidas como poesias.

Aproxima-se muito da declaração de amor em forma de filme que Àgnes Varda fez a Jacques Demy em “Jacquot de Nantes” (1991), só que neste caso, a declaração – pelo fato de ambas as partes estarem vivas – é mutuamente proferida.

É tanto carinho pululando na tela, que talvez dê a sensação de que a diretora Petra Costa exagerou no açúcar. Mas quem não gosta de um doce?


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Curta: Café com Leite


Daniel Ribeiro, diretor de “Café com Leite”, declarou, após receber o Crystal Bear de melhor curtametragem no Festival de Berlim, em 2008, que achou que foi beneficiado pelo fato de Tropa de Elite ter vencido o festival naquele mesmo ano.

Modéstia dele. O curta é merecedor daqueles e dos outros tantos prêmios (Festivais de Miami, Torino, Cuba, Molodist e Grande Prêmio do Cinema Brasileiro) que venceu, pela sua delicadeza e naturalidade.

Trata de um casal homossexual que precisa cuidar do irmão de um deles, depois que a família toda morreu. Uma história de família nada convencional e muito especial.


(idem, Brasil, 18 minutos, 2007)
Dir.: Daniel Ribeiro
Nota 9,0

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Os melhores curtas da web em 2010


O jornal britânico The Guardian montou uma lista com os melhores curtas metragens disponíveis na web, na opinião dos seus críticos. A lista, esquisitíssima, trás curtas de até três anos atrás, alguns muito ruins e outros mais interessantes. Quem quiser conferí-la, clique aqui

Desta lista, selecionei dois curtas de animação para mostrar para vocês.

O primeiro, Sebastian's Voodoo, foi exibido em mais de cem festivais mundo afora e faz uma alegoria do sacrifício de Jesus em forma de voodoo (sem polêmicas e ofensas nos comentários, por favor).

O segundo, Pixels, é apenas uma divertida utilização dos pixels e jogos antigos de videogame, que invadem e destroem uma cidade. Seguem ambos:




sábado, 18 de dezembro de 2010

O primeiro cinema


Apesar do que muitos pensam, a invenção do cinema não se deu pelas mãos do irmãos Lumière, responsáveis pela famosa sessão pública do seu cinematógrafo, em 1895.

Já em 1889, Thomas A. Edison encarregara uma equipe de técnicos para desenvolverem máquinas que fossem capazes de reproduzir imagens em movimentos, as chamadas motion pictures. Dois anos depois, estavam prontos o quinetógrafo e o quinetoscópio. O primeiro era a câmera que fazia pequenos filmetes em looping, para serem projetados pelo segundo.

Edison produzia seus filmes em um estúdio com um fundo preto, onde figuras exóticas se exibiam em frente à câmera, iluminados pela luz do sol que entrava concentrada no estúdio. Eram os chamados Black Maria, pois se assemelhavam aos camburões de polícia da época, que também levavam este nome.

Abaixo, dois destes filmetes: “Buffalo Dance”, de 1895; e “Carmencita”, de 1894:




Os irmãos Lumière, por sua vez, produziam filmes em locais reais, mas sua intenção era apenas a de registrar situações, se aproximando mais dos documentários. Assim como seus contemporâneos, eles ainda não usavam movimentação de câmera ou diferentes ângulos. Seus registros eram sempre por planos estáticos, ininterruptos e tentavam abrangir bastante o campo de visão, como se quisessem dar ao espectador o campo de vista real da situação. Suas exibições nos vaudevilles ficaram famosas e eram acompanhadas por músicos ao vivo.

Um dos principais filmetes dos irmãos é este “A Chegada do Trem à Cidade”, de 1895:





Enquanto isso, o mais genial de todos, na minha opinião, o francês George Méliès utilizava da sua experiência como mágico ilusionista para produzir filmes cheios de truques, nos quais pessoas desapareciam repentinamente ou cartas de baralho cresciam até virar gente e por aí vai. Foi Méliès o responsável por usar a montagem em seus filmes, apesar de muitos acharem que ele não usava este recurso. Pesquisas recentes nos rolos de filmes do diretor encontraram provas de corte e colagem, além do uso de máscaras e rebobinamento múltiplo das películas, para produzir sobreimpressões.

É claro que não havia ainda uma narrativa desenvolvida e tampouco interessava a construção de cárater dos personagens. O que mais importava no cinema de todos estes pioneiros era o espetáculo.

É de Méliès o clássico “Viagem À Lua” (1902). Não é à toa que Spielberg, George Lucas e muitos outros já declararam ter nos filmes daquele diretor a sua maior influência.



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Curta: La Maison en Petit Cubes

A depender do seu estado de espírito neste momento, “La Maison en Petit Cubes” pode te levar às lágrimas em apenas alguns minutos.

O curta japonês tem como personagem principal um senhor solitário, que vive num pequeno quarto ameaçado pelo nível do mar, que não para de subir há algum tempo submergira toda uma cidade.

A recapitulação de toda uma vida é feita de maneira ímpar pelo diretor Kunio Katô, que tem nesta uma obra triste, mas de imensa beleza. A trilha sonora é outro primor.

Não foi à toa que o curta ganhou o Oscar de melhor curta de animação em 2008.



(Tsumiki no ie, Japão, 12 minutos, 2008)
Dir.: Kunio Katô
Nota 10

domingo, 28 de novembro de 2010

Curta: Werner Herzog Come Seu Sapato

No final da década de 70, Werner Herzog estimulou Errol Morris a fazer um filme, pois via naquele então jovem talento para o cinema. A vontade era tanta que Herzog prometeu comer seu próprio sapato se Morris aceitasse o desafio.

Pois bem que fez o tal filme (“Gates of Heaven”), sem dinheiro algum e em 1978, lançou-o em festivais, sendo tido como um dos melhores filmes daquela década. Herzog resolveu então fazer do pagamento da promessa um evento publicitário, como um apelo para que as distribuidoras se interessassem em divulgar o filme do amigo, que poderia facilmente cair no ostracismo, não fosse este seu gesto.

Além de ser um curta que conta esta história, “Werner Herzog Come Seu Sapato” é uma pequena aula de cinema, não pela sua feitura (com direção de Les Blanc), mas pelo que Herzog fala no decorrer da película. Um grande incentivo para aqueles que querem fazer cinema.

Não é à toa que ele foi professor de cinema por muito tempo e é um dos maiores cineastas da história. Minha admiração por ele só aumenta, a cada filme seu que vejo.

Curta na íntegra:

Dir.: Les Blanc
Nota 8,5

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Curta: The Facts In The Case of Mr Hollow


Vejam que curta ótimo: “The Facts In The Case of Mr Hollow” é uma demonstração de como uma fotografia pode ser um documento probatório de extrema importância.

Assim como Antonioni utilizou uma fotografia como mote de “Depois Daquele Beijo” (Blow Up, 1983), os diretores Rodrigo Gudiño e Vincent Marcone também usaram uma foto (da década de 1930) como personagem principal do seu curta. Só que, desta vez, toda a história e os indícios do mistério estão contidos nela que, à medida que a câmera passeia pelos seus detalhes e os ilumina, faz revelações e mostra como cada detalhe é importante na análise documental.

O curta foi ganhador de prêmios nos festivais internacionais da Catalúnia e de Puchon, concorreu ao Genie Awards e concorre no Cannes Short Film Corner. Vale uma espiada/análise.


(idem, Canadá, 5 minutos, 2008)
Dir.: Rodrigo Gudiño e Vincent Marcone
Nota 8,0


 
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