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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Balanço do cinema no Brasil em 2009


A ANCINE (Agência Nacional do Cinema) divulgou um balanço com o desempenho do cinema nacional em 2009 e o que era esperado, confirmou-se: o desempenho dos filme brasileiros foi o melhor dos últimos cinco anos, alcançado a marca de 14, 28% de share, ou seja, da quantidade de ingressos vendidos. Foram mais de 16 milhões de ingressos vendidos, um crescimento de 76% em relação a 2008, ano em que pouco mais de 9 milhões de ingressos foram comprados para filmes brasileiros.

Segundo Manoel Rangel, diretor-presidente da ANCINE, esses resultados positivos indicam que o cinema brasileiro está vivendo uma nova fase: “A produção nacional está ocupando o mercado de forma continuada e consistente, no que parece ser um ciclo sustentável de crescimento. A safra de filmes programados para 2010 nos permite acreditar na manutenção dos índices de ocupação alcançados em 2009 e apostar no crescimento desta participação”, avalia Rangel.
 

Diversos fatores têm levado a uma reaproximação entre o cinema brasileiro e seu público: a melhor qualidade técnica dos filmes, a maior organização dos agentes do setor e um calendário de lançamentos mais estratégico - mas, sobretudo, a realização de filmes que caem no gosto dos espectadores, especialmente das comédias, que em 2009 emplacou Se Eu Fosse Você 2, Divã, A Mulher Invisível e Os Normais 2.

Somente o filme Se Eu Fosse Você 2 vendeu mais de 6 milhões de ingressos e tomou o posto de maior bilheteria da chamada “Retomada”, que antes era de Dois Filhos de Francisco.

O filme mais visto do ano foi A Era do Gelo 3, que alcançou 9.279.602 ingressos e arrecadou R$ 81.118.935, 00. É o segundo maior público dos últimos 20 anos, atrás apenas de Titanic, que mantém a liderança com inabaláveis 16 milhões de ingressos vendidos.


No geral, o cinema teve um crescimento de mais de 25% em relação a 2008, vendendo mais de 110 milhões de ingressos. Foram lançados 84 filmes nacionais, 144 norteamericanos e 91 títulos de outras nacionalidades. Os números de arrecadação esbarraram na casa do 1 bilhão de reais.

Apesar de ter 91 títulos lançados, o chamado “cinema alternativo” obteve apenas 4,22% do público, enquanto que as 144 obras norteamericanas levaram 81,5% do público aos cinemas, o que indica o baixo interesse do público pelas obras independentes e de arte, geralmente advindas de países não-americanos.

Confira os números dos filmes lançados no Brasil em 2009:

Os 10 maiores filmes nacionais (em número de espectadores)
    1. Se Eu Fosse Você 2 – 6,11 milhões
    2. A Mulher Invisível – 2,25 milhões
    3. Os Normais 2 – 2,2 milhões
    4. Divã – 1,86 milhão
    5. O Menino da Porteira – 666 mil
    6. Besouro – 481 mil
    7. O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes – 361 mil
    8. Salve Geral – 316 mil
    9. Jean Charles – 292 mil
    10. Xuxa e o Mistério de Feiurinha (ainda em cartaz) – 250 mil
   
Os 20 maiores públicos do ranking geral (em número de espectadores)

    1. A Era do Gelo 3 – 9,27 milhões
    2. Se Eu Fosse Você 2 – 6,11 milhões
    3. Lua Nova (ainda em cartaz) – 5,68 milhões
    4. 2012 (ainda em cartaz) – 5,05 milhões
    5. Harry Potter e o Enigma do Príncipe – 4,53 milhões
    6. X-Men Origens: Wolverine – 3,19 milhões
    7. Anjos e Demônios – 3,05 milhões
    8. Avatar (ainda em cartaz) – 2,93 milhões
    9. Uma Noite no Museu 2 – 2,6 milhões
    10. A Mulher Invisível – 2,35 milhões
    11. Velozes e Furiosos 4 – 2,3 milhões
    12. Os Normais 2 – 2,2 milhões
    13. Transformers 2 – 2,14 milhões
    14. O Curioso Caso de Benjamin Button – 2,08 milhões
    15. Up – Altas Aventuras – 2,04 milhões
    16. Divã – 1,86 milhão
    17. Se Beber, Não Case – 1,76 milhão
    18. A Verdade Nua e Crua – 1,47 milhão
    19. A Proposta – 1,46 milhão
    20. O Dia em que a Terra Parou – 1,45 milhão
 


Vamos torcer (e ir ao cinema) para que 2010 seja tão bom para o cinema nacional quanto foi 2009... ou quem sabe, melhor?!

Fonte: Ancine.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Vencedores do Globo de Ouro


Aconteceu neste domingo (17/01), a cerimônia de premiação do Globo de Ouro, considerada por muitos como uma "prévia" do Oscar. Além das categorias para cinema, houve também a premiação para os melhores da tevê em 2009.

Numa premiação bastante dissipada, o filme que consagrou-se como o melhor foi Avatar, que também levou o prêmio de direção, para James Cameron. Apenas três filmes conseguiram ganhar mais do que um prêmio. Foram eles Avatar, Up - Altas Aventuras e Crazy Heart, com dois Globos de Ouro cada um.

Confira a lista completa dos vencedores:
CINEMA

  • Melhor Filme (Drama) - "Avatar"
  • Melhor Filme (Comédia ou Musical) - "Se Beber, Não Case" (The Hangover)
  • Melhor Diretor - James Cameron, por "Avatar"
  • Melhor Ator (Drama) - Jeff Bridges, por "Crazy Heart"
  • Melhor Atriz (Drama) - Sandra Bullock, por "O Lado Cego" (The Blind Side)
  • Melhor Ator (Comédia ou Musical) - Robert Downey Jr, por "Sherlock Holmes"
  • Melhor Atriz (Comédia ou Musical) - Meryl Streep, por "Julie & Julia"
  • Melhor Ator Coadjuvante - Christoph Waltz, por "Bastardos Inglórios"
  • Melhor Atriz Coadjuvante - Mo-Nique, por "Preciosa"
  • Melhor Roteiro - Jason Reitman & Sheldon Turner, por "Amor Sem Escalas" (Up in the Air)
  • Melhor Canção - "The Weary Kind", de T-Bone Burnett & Ryan Bingham, do filme "Crazy Heart"
  • Melhor Trilha Sonora - Michael Giacchino, por "Up - Altas Aventuras"
  • Melhor Animação - "Up - Altas Aventuras"
  • Melhor Filme Estrangeiro - "A Fita Branca"
 TELEVISÃO
  • Melhor Seriado (Drama) - "Mad Men"
  • Melhor Seriado (Comédia ou Musical) - "Glee"
  • Melhor Minissérie ou Filme para Tevê - "Grey Gardens"
  • Melhor Ator em Minissérie ou Filme para Tevê - Kevin Bacon, por "Taking Chance"
  • Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para Tevê - Drew Barrimore, por "Grey Gardens"
  • Melhor Ator em Seriados (Comédia ou Musical) - Alec Baldwin, por "30 Rock"
  • Melhor Atriz em Seriados (Comédia ou Musical) - Toni Collette, por "United States of Tara"
  • Melhor Ator em Seriados (Drama) - Michael C Hall, por "Dexter"
  • Melhor Atriz em Seriados (Drama) - Julianna Margulies, por "The Good Wife"
  • Melhor Ator Coadjuvante - John Lithgow, por "Dexter"
  • Melhor Atriz Coadjuvante - Chlöe Sevigny, por "Big Love"


sábado, 16 de janeiro de 2010

Crítica filmada: Onde Vivem os Monstros



Where The Wild Things Are foi escrito por Maurice Sendak e publicado em 1963. Tornou-se um dos livros infantis mais cultuados e vendidos da história, mas era desconhecido no Brasil. Fazem anos que Hollywood tenta adaptar o livro para as telonas, mas a história era considerada por muitos uma história difícil de contar, imageticamente. Até Steven Spielberg tentou fazê-lo, mas desistiu. 
 
O projeto, felizmente, caiu nas mãos de Spike Jonze (Quero Ser John Malkovich; Adaptação), que chamou o amigo Dave Eggers (até então novato em cinema) para coescrever o roteiro do filme. 
 

A história gira em torno de Max, um garotinho de 8 anos, rebelde e sensível. Achando que em casa ninguém o compreende, ele foge num pequeno barco, enfrenta uma tempestade e vai parar numa ilha onde vivem os monstros. 
 
Com toques surreais típicos dos filmes de Michel Gondry (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças; The Science of Sleep), Jonze faz um filme sobre a infância, só que para adultos. Sua intenção é retratar os medos e inseguranças das crianças e a fase que todas passam, de descobrir o espaço do outro, de entender que relacionar-se é muito mais difícil do que parece e de que nem sempre fazer o que se quer é o melhor para a comunidade em que se vive.


Com uma direção de arte impecável (assinada por K K Burret, de Maria Antonieta), ótimas dublagens (Paul Dano, James Gandolfini, Forest Whitaker, Chris Cooper) e uma trilha original tocante (criada por Carter Burwell e Karen Orwell, vocalista do Yeah Yeah Yeahs), o filme bate no coração de quem se identifica com a história, de maneira lírica e cheia de simbolismos que pedem que o espectador viaje na história para entendê-los. Quem não conseguir fazer isso, talvez não vá gostar do filme.


A relação conturbada do garoto com os monstros contém o turbilhão de sentimentos que habita o nosso redor e a dificuldade que temos de lidar com isso. Uns não entendem os outros e a qualquer momento os pensamentos podem mudar, indo da extrema afetividade (em cenas lindas, em que monstros e menino dormem “amontoados”) a acessos de fúria.

Talvez a perfeição esteja no equilíbrio. Isso implica ter mal-humor, raiva e egoísmo às vezes. Significa preferir uma cor à outra, porque gostar das mesmas coisas torna todo mundo mais sem graça. No mundo dos monstros é normal desafinar ou não saber contar piadas e se for para fazer guerra, que seja de bola de neve ou de lama.

Cabe a cada um criar o seu mundo perfeito. Geralmente ele é encontrado dentro de nós, onde vivem as tais “coisas selvagens” do título original. 
 
Dentro de mim, Onde Vivem o Monstros terá sempre um lugar garantido.

Crítica filmada:
(Where The Wild Things Are, EUA, 101 minutos, 2009)
Dir.: Spike Jonze
Com Max Records, Catherine Keener, Mark Ruffalo

Crítica: A Mente Que Mente



Assistir um filme que tenha em seu elenco John Malkovich (Quero Ser John Malkovich; Adaptação) é quase garantia de cenas bizarras. Em A Mente que Mente ('tradução' cretina para The Great Buck Howard), a dose de bizarrice é menor, mas a excentricidade está lá, em cada gesto do ator. Para fazer-lhe contraponto (e servir-lhe de escada), lá está Colin Hanks (Orange County; Mais do Que Você Imagina). 
 
Colin faz o papel de Troy, um jovem infeliz com a faculdade de direito, que resolve abandonar tudo e seguir em busca do seu sonho: escrever. Ele só não sabe que caminhos tomar para chegar lá. Arruma um emprego de gerente de produção do mentalista – não o chame de mágico, ele pode não gostar – Buck Howard, conhecido nos anos 70 por ter feito várias aparições no programa de Johnny Carlson, The Late Show. Buck é o típico artista cheio de manias, em decadência, mas que não admite isso e fará de tudo para voltar a fazer sucesso.

Trata-se de uma comédia dramática de fórmula simples. John Malkovich é o grande destaque e sua insanidade faz o filme respirar. Pena que isso não contagiou o restante do elenco e produção, que parece-me apática e sem muita vontade de fazer um filme bom.

Há algumas participações que poderiam render situações bem engraçadas, mas são, em sua maioria, um desperdício. Tom Hanks (pai de Colin Hanks) aparece como o pai de Troy, numa cena nada crível e levada mais a sério do que deveria. Depois vem Emily Blunt, com as mesmas caracteríticas da sua personagem em O Diabo Veste Prada e Steve Zahn, errr... como sempre também.


O relacionamento entre os dois protagonistas é pouco desenvolvido. Era para ser uma daquelas histórias em que duas pessoas têm um difícil relacionamento, mas aprendem lições um com o outro, mas o que vemos são dois personagens distantes, que não brilham juntos. Cada um tem sua história desenrolada separadamente. Isto é, no mínimo, estranho.

Mas nem tudo dá errado. John Malkovich protagoniza uma cena em que seu personagem dá entrevista em um talk-show, simplesmente impagável. Dá até para desconcentrar, em meio a tantas risadas. 
 
No mais, algumas cenas engraçadinhas (bem “inhas”) dão o tom e só. O tempo passa sem muitos danos, a sessão termina e daqui alguns dias o filme será esquecido.

Trailer:



(The Great Buck Howard, EUA, 90 minutos, 2008)
Dir.: Sean McGinly
Com John Malkovich, Colin Hanks, Emily Blunt
Nota 6,0


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Crítica filmada: O Homem que Engarrafava Nuvens


Lírio Ferreira convidou Denise Dummont, filha de Humberto Teixeira, para acompanhá-lo na feitura de um documentário sobre seu pai. Em busca de conhecer e entender melhor o próprio pai, Denise aceitou a proposta e partiu com Lírio, em viagens nas quais ela entrevistaria pessoas importantes, que lhe contariam histórias sobre a vida pessoal e profissional dele.

Humberto Teixeira foi compositor de mais de 400 músicas e teve como grande – e quase que permanente – parceiro Luiz Gonzaga.

Gonzaga era como o seu elo de ligação com o povo. “O canhão e a pólvora”, como bem disse um dos entrevistados. Humberto fazia rima e métrica de maneira erudita e popular, ao mesmo tempo. Gonzaga, o cantor das massas. As letras de um encaixavam com a voz e o estilo do outro. Como ele mesmo disse: “O errado não é escrever errado. O certo é que é escrever como o povo fala”. Já no primeiro encontro musical dos dois, eis o sucesso: “eu vou mostrar pra vocês, como se dança o baião...”.

O diretor vai apresentando, na primeira parte do filme, a história da vida profissional do literato, poeta, escritor e músico, narrada por ele mesmo, através de um precioso depoimento que ele gravou em super 8. Ele estourou com marchinhas e sambas, mas seu grande nicho e sua grande obra veio do baião.

Um dos grandes méritos do documentário é que ele não se prende nem ao passado e nem ao presente. Há músicas mostradas em suas versões originais e outras tantas cantadas por gente ainda atuante. Sente só: Caetano, Gil, Gal, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Elba, Fagner, Belchior, Wagner Tiso, Chico, Mutantes, Zeca, Lenine, Otto, Sivuca, Patativa do Assaré, Carmem Miranda (em Technicolor!), Dalva de Oliveira, Carmélia Alves e muitos e muitos outros.

Se o remédio para a saudade for cantar, curemo-nos da nostalgia de tempos que se foram, assistindo o filme e relembrando músicas que com certeza fizeram parte da vida de todo mundo, mas que não sabemos quem as compôs.

Além de ser uma construção da memória de um grande artista nacional, O Homem que Engarrafava Nuvens (nome de uma poesia escrita por Humberto) é uma grande homenagem ao cinema nacional, por si só e pela quantidade de imagens que traz, de filmes que vão de Carmem Miranda a Oscarito e Grande Otelo. A emoção brotou quando, de repente, surge na tela Anselmo Duarte, em um de seus últimos depoimentos. Quanta preciosidade!

E quando chega Asa Branca, com sua letra triste e enternecida, duvido que alguém não se arrepie. Ainda mais cantada por ninguém menos que Maria Bethânia. Alguns podem sorrir, outros chorar. Eu chorei, de alegria e de saudades das minhas raízes.

Num segundo momento, uma crucial conversa entre Margarida Jatobá, ex-mulher de Humberto, e Denise Dummont (a filha), algumas revelações são feitas, mostrando que enfim a filha começa a conhecer o pai, que mesmo tendo-a criado, o fez com amargura por ver nela a imagem da mulher que ele tanto amara e que o deixara por outro. E no fim, em outro depoimento emocionante, Denise fala sobre o último dia ao lado do pai, quando finalmente eles pareceram pai e filha, em sua plenitude.

Quando parecia que o lado pessoal e o lado profissional já haviam sido tratados e que nada mais havia, vem então os reflexos da música dele em todo o mundo.

O Homem que Engarrafava Nuvens dá conta do pessoal e do profissional, além de fazer uma homenagem ao nosso país, com impressionante destreza.

Lírio Ferreira já havia feito um grande filme ao levar para as telonas a vida e Cartola. Agora entrega outra grandiosa obra. Sensacional!

Denise Dummont conheceu melhor o pai e nós, o grande artista.


Crítica filmada:






Câmera e montagem: Fáuston da Silva
Maquiagem: Maria Celina Gordilho

(idem, Brasil, 106 minutos, 2009)
Dir.: Lírio Ferreira
Nota 9,2


P.S.: fiquem até o fim dos créditos. Tem surpresinha pós-filme.

*estreia nesta sexta-feira (15/01)



segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Ainda Somos os Mesmos



"As memórias de um jovem em crise familiar se confundem com as memórias de sua cidade, numa evasiva viagem por Brasília."

Esta é a sinopse do curta metragem Ainda Somos os Mesmos, realizado pelos alunos do 5º semestre de Audiovisual da Universidade de Brasília, na primeira metade de 2008. 

Nele eu assino, com muito orgulho, a assistência de produção e a pesquisa de imagens de arquivo. Uma contribuição pequena, mas feita com muito carinho.


A direção ficou a cargo do querido (e talentoso) Filipe Vianna. A produção é de Luciana Newton; montagem de Rafael Lobo; fotografia de Ivan Gajic; direção de arte de Marcelo Nenevê; som direto, de Pedro Branco; trilha original do maravilhoso Eduardo Canavezes; mixagem de Ricardo Ponte. E mais um monte de gente boa, que formaram uma equipe linda e incrivelmente harmoniosa. Pessoas com as quais eu tenho muita saudade de trabalhar, o que com certeza faremos novamente um dia.

O curta iniciou a carreira no 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro; depois seguiu para o Festival de Curtas Universitários, no Texas (EUA); foi para o 2º Brazil on Screen, em Boston (EUA); participou da edição de 2009 do MIAU (Mostra Independente do Audiovisual Universitário), em Goiânia; concorreu na 9ª Mostra Taguatinga (DF); e finalmente, no Festival IESB de Filmes Universitários, também no DF.

O upload não ficou nas condições que eu gostaria, ou seja, com a mesma qualidade do dvd, mas dá para assistir ao filme sem muitos prejuízos.

Então, com vocês, Ainda Somos os Mesmos:



Ainda Somos os Mesmos
(idem, Brasil, 13 minutos, 2008)
Dir.: Filipe Vianna
Com Eduardo Dutra e Alice Stefânia

Revendo: Letra & Música



Letra & Música é uma comédia às vezes romântica às vezes satírica. Piadas não são jogadas ao acaso nem "gags" de artistas que não sabem fazer graça de si mesmos.

O filme já começa de forma hilária. Hugh Grant é Alex Fletcher, um cantor que fazia parte da extinta banda de sucesso nos anos 80, PoP. Já no clipe inicial do filme, o espírito da trama já é denunciado, com Grant dançando e cantando à la anos 80, ridículo, mas não tem como não ceder à graça da encenação.

Fletcher tem feito na atualidade somente shows falidos, em parques de diversões ou bares obscuros do subúrbio, até o dia que seu empresário descobre que Cora, garota de maior sucesso das paradas, estilo Britney Spears e cia, é sua grande fã e quer gravar uma música sua. O problema é que Fletcher só compõe melodias e precisa de um letrista para a missão, que tem o prazo de 4 dias para se completar, caso contrário, Cora gravará a música de outro artista.

Desesperado para conseguir reaparecer na mídia, Fletcher vê sua grande chance depender da ajuda inesperada da garota que cuida das plantas de seu apartamento (!), cujo dom é descoberto por ele por acaso.

Começa aí a construção da música, do relacionamento dos dois "compositores" e da homenagem (ou não), sátira (ou não), do processo de composição de uma música, principalmente quando a indústria exige rapidez e sons que vendam muito, sem preocupação com conteúdo.



Hugh Grant encarna com excelência o espírito patético e decadente do cantor pop, protagonizando cenas impagáveis. As músicas são divertidas (mesmo quando não são boas), Drew Barrymore está apenas do mesmo jeito que está em qualquer filme que faça, mas quem rouba a cena mesmo é a jovem Haley Bennet (mas que depois disso não fez mais nada de destaque), na pele da cantora fútil, discípula de Britney Spears, sem nenhum critério de repertório, muito menos expressão facial. A interpretação é crítica e mesmo com clima de brincadeira, é levada a sério pela garota, que faz a mesma cara de nada e pose de zen que as cantorinhas de hoje (salvo suas exceções, antes que me apedrejem).

Letra & Música foi feito sem muita pretensão e talvez por esta leveza tenha feito sucesso e arrecadado quase US$ 150 milhões, mundo afora.

Recomendado para quem quer se divertir sem muita reflexão, num programa de qualidade. Assista e corra o risco de terminar o filme dançando, ao som tosco oitentista de "PoP! Goes My Hearth". 


Revendo e rindo novamente: "PoP! Goes My Heart"



Letra & Música
(Music & Lyrics, EUA, 96 minutos, 2007)
Dir.: Marc Lawrence
Com: Hugh Grant, Drew Barrymore, Haley Bennet, Kristen Johnston...
Nota 7,5

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Crítica: Sherlock Holmes (escrita e falada!)



Depois de quase vinte e cinco anos, o maior personagem do escritor e médico inglês Arthur Conan Doyle está de volta às telas dos cinemas, em grande – e revirado – estilo, através das mãos do insano (no bom sentido) diretor Guy Ritchie
 
Na nova aventura, Sherlock Holmes (Robert Downey Jr) terá que encontrar o vilão Blackwood (Mark Strong), detentor de um plano capaz de destruir todo o país. Para isso, Holmes contará com a ajuda do velho parceiro e médico Dr John Watson (Jude Law), enquanto que Blackwood terá como aliada a sedutora Irene Adler (Rachel McAdams), que usará de suas “armas” para atrapalhar o caminho de Holmes.

Quando li sobre a adaptação – e quando vi o primeiro teaser, achei que o filme seria uma grande bomba, deturpando toda a atmosfera e caráter do detetive mais famoso do mundo e suas investigações. Ledo engano meu.

Apesar de ter elementos novos e/ou adaptados – como a substituição da prática de boxe pelo vale-tudo e o acréscimo de artifícios de inspetor Buginganga – a personalidade de Sherlock e seu parceiro fiel estão intactas. Um continua sagaz, observador e frio na maior parte do tempo e o outro continua tentando colocar rédeas no parceiro, mas acaba entrando nas ciladas com ele e ajudando-o a solucionar os problemas.


Robert Downey Jr reafirma-se como um dos atores mais descolados da atualidade e faz do seu Holmes um insano Jack Sparrow das tavernas inglesas do século XIX. Jude Law faz bem o contraponto, mas acaba ofuscado pela leveza e divertida atuação de Downey Jr. Quem consegue fazer-lhe páreo é Mark Strong, na pele do vilão Blackwood, medonho ao natural, sem deformações de rosto ou anomalias corporais ou poderes especiais.

Por falar em anomalias, Guy Ritchie parece influenciado por Peixe Grande (de Tim Burton) e insere no filme personagens de freak-show, como o gigante, o anão (ou pigmeu, como insiste Holmes) e a cigana (caricata e teatral).

O roteiro (do estreante Michael Robert Johnson e de Robert Peckham, de Invictus, novo de Clint Eastwood) arma-se de toneladas de informações, confundindo o público. É como um documentário de Michael Moore, que joga informação em cima de informação, não deixando nem tempo para pensarmos se o que ele diz é certo ou errado. Como nos filmes de Moore, aqui ficam só as principais questões. Mas isso não chega a incomodar, já que a intenção é mesmo o entretenimento. Isso o diretor cumpre com louvor.

A fotografia incomodou-me por ser parecida demais com a dos filmes mais sombrios de Harry Potter, mas é correta. A direção de arte é muito boa e o figurino é caprichado (bom candidato a Oscar), mas o melhor de tudo é a trilha sonora, luxuosa e engraçada na mesma proporção. É ela que dita o bom humor do filme. Excelente e adequada, assinada por Hans Zimmer, autor de inúmeras outras grandes trilhas de Hollywood.

Apesar de um pouco cansativo no último terço, o filme diverte bastante. Só faltou o famoso bordão: “- Elementar, meu caro Watson!”. Fica para a (inevitável) sequência.
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Novidade
Agora vem a novidade que prometi ontem: a convite do querido (e maluco) Fáuston da Silva, resolvi filmar as minhas críticas. A partir de agora, você poderão não só lê-las, como também assistí-las! É claro que a crítica escrita é mais aprofundada, mais analítica. Enquanto que as críticas filmadas serão mais descritivas e cheias de imagens do filme em questão. No fim das contas, as duas se complementam.


É a primeira vez que lido com a câmera (frente a frente), já que, até então, só fazia parte dos bastidores. Perdoem a inexperiência e  o nervosismo de principiante, mas prometo melhorar com o tempo. Divirtam-se... e palpitem!



Fred Burle no Cinema: Sherlock Holmes


URL do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=5qlauVjYuko


(idem, EUA, 128 minutos, 2009)
Dir.: Guy Ritchie
Com Robert Downey Jr, Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Kelly Reilly
Nota 7,6
*a partir de sexta-feira (08/01)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Preparando a novidade...



Estreia amanhã (07/11), aqui no blog.


Aguardem!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Cartazes, recortes e livros


Hoje é dia de divulgar o trabalho alheio. Eis alguns sites interessantes, para quem possa interessar:


Cartaz Ilustrado

O criador deste blog, Rogério Soud, é ilustrador e já trabalhou na Editora Abril, desenhando histórias em quadrinhos dos Trapalhões (no final da década de 80) e também de personagens Disney, como o Zé Carioca e o Pato Donald.
Atualmente, Rogério faz ilustrações para revistas, jornais e materiais publicitários.
Muito simpático, ele mandou-me, há algum tempo, um e-mail para que eu conhecesse o seu hobby, que é fazer versões ilustradas de cartazes para alguns filmes e séries nacionais.
O blog Cartaz Ilustrado tem ainda poucos destes cartazes, mas espero que a ideia dê certo e que ele publique mais, porque é bem interessante.
Ao lado, a versão do Rogério para O Coronel e o Lobisomem. Mais no site.



The Tarnished Angels
Este blog português é um barato! Só de recortes antigos sobre cinema. Tem como contribuidores Laura Hunt, Ismar Tirelli Neto, Fausta von Kant e Venceslau Gama. Olha que demais a legenda da foto da comédia O Esporte Favorito do Homem e em seguida a crítica de um filme brasileiro, que em terras portugas ganhou o título de Superbeldades (cliquem nas imagens para ampliá-las). Ah, quanta inocência e conservadorismo havia naquele tempo! Eis o link.



Coleção Aplauso

Por último, uma novidade divulgada pelo FilmeB: a Coleção Aplauso ganhou nesta semana, um site, onde estão disponíveis todos os mais de 170 títulos lançados até então, que podem ser baixados na íntegra, em .txt ou .pdf. A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo começou a publicar há seis anos, sob coordenação de Rubens Ewald Filho, roteiros de filmes nacionais (O Céu de Suely; O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias; Estômago; Narradores de Javé) e biografias de personalidades do nosso cinema, que vão desde o grande Amácio Mazzaroppi até Fernando Meirelles, passando por alguns menos conhecidos, mas não menos importantes, como o diretor de chanchadas José Carlos Burle. Há também roteiros de peças teatrais, biografias de dramaturgos e histórias de algumas emissoras de tevê. Eu tenho alguns títulos da coleção e recomendo. Além de baratos (e agora grátis), os livros são muito bons.
Segue o site.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Sobre "Lula, o Filho do Brasil"



Desde o Festival de Brasília, em novembro passado, que eu já havia tomado uma certa antipatia pela cinebiografia do presidente Lula. Não que eu seja totalmente contra o governo dele, pelo contrário. O que afastou as possibilidades de eu assistir este filme (dentre outras razões) foi o teatro armado pelo produtor Luís Carlos Barreto, durante o festival, querendo, inclusive, expulsar os jornalistas da sessão do filme e algumas pessoas que haviam ocupado, sem saber, os lugares que seriam da equipe do filme, chegando a ser grosseiro com o público.

Agora, às vésperas da estreia (e sem o filme nas bancas piratas), resolveram também não realizar as chamadas "cabines de imprensa" (sessão para jornalistas), que é o meio que praticamente todos os filmes usam para conseguir divulgação. Qual o pretexto? "Para evitar a pirataria".  Mas só cancelaram a cabine de Brasília. Porque? Os jornalistas de outros estados não incluem-se na lista de "prováveis pirateadores" do filme dele? Aí é o seguinte: pagar para divulgar este filme eu não vou. Faria isso se fosse uma obra que valesse a pena.

Inicialmente, Lula - o Filho do Brasil teria estreia em mais de 600 salas no país, mas resolveram diminuir este número para pouco mais de 350 salas. O motivo? Talvez a empolgação menor do que o esperado, por parte do público? Talvez o medo de enfrentar o crescente número de espectadores de Avatar? Ou será porque alguns cinemas se recusaram a exibí-lo? Não sei. Eu sei que a produção de R$ 16 milhões (a mais cara da história do cinema nacional), tinha pinta de sucesso garantido, mas agora não sei mais...


Guardei um texto desde o final de novembro, do jornalista Leonardo Attuch, da Revista Istoé, que expõe uma série de motivos para não assistir o filme. O texto chama-se "Não Vi e Não Gostei". Transcrevo-o abaixo:


(23-11-2009) "Na semana passada, a alta corte se reuniu em Brasília. Mais de 1,4 mil pessoas lotaram o Teatro Nacional para assistir à pré-estreia do filme, Lula, o Filho do Brasil. Nos círculos do poder, em que o “puxassaquismo” faz parte da etiqueta social e é instrumento de ascensão profissional, compreende-se que algumas pessoas tenham sentado nas escadarias e se dependurado nos lustres do teatro. Mas, quando a produção chegar às salas de cinema, dificilmente terá a mesma recepção. E talvez entre para a história como o filme de expectativas mais infladas já rodado no País – e o que menos correspondeu a elas.

Por mais que Lula seja “o cara” e mereça a popularidade que tem, existem razões filosóficas, estéticas e morais para não se assistir ao filme. A principal: é simplesmente indecoroso que o produtor Luiz Carlos Barreto tenha rodado sua sacolinha no auge do poder petista. Com mais de R$ 12 milhões arrecadados, ele conseguiu produzir a película mais cara da história do cinema nacional. Eike Batista, aquele que queria um empurrão do Planalto para ficar com a Vale, deu R$ 1 milhão. A Camargo Corrêa, que depois de uma operação da Polícia Federal foi socorrida pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, por sugestão direta do presidente, também entrou no consórcio, assim como duas outras empreiteiras. E a Oi, que ganhou uma lei sob medida na telefonia e há poucos dias recebeu R$ 4,4 bilhões do BNDES, também está no time dos patrocinadores. Por isso, é risível o comentário do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que, na pré-estreia, indagou: “Por que a oposição não arruma alguém para fazer um filme também?” Ora, porque não tem a chave do cofre nem a da cadeia – e talvez porque tenha compostura.

Se isso não bastasse, o principal ingrediente do filme parece ser o sentimentalismo barato daquelas produções “feitas para chorar”. A história de um herói improvável que supera dificuldades e chega ao cume da glória, carregado pelo povo. Na linha do indiano Quem Quer Ser um Milionário?, o nosso poderia se chamar “Quem Quer Ser um Presidente?”. Só que a arte de Lula sempre foi a de transformar adversidades, como a origem humilde e a falta de diploma, em vantagens comparativas no jogo da competição politica. Numa sociedade tão desigual e culpada como a brasileira, nada disso foi obstáculo ao seu sucesso – e talvez tenha até ajudado. Por tudo isso, e pelo simples fato de que teria sido mais decente esperar o fim da era Lula para rodar o filme, a produção da família Barreto não vale o ingresso nem a pipoca."


(Leonardo Attuch, Revista Istoé, 23/11/2009).


Agora cabe a cada um assistir ou não a este grande candidato a "mico do ano". Eu não vi e não gostei. E você?



Lula - o Filho do Brasil
(idem, Brasil, 2010)
Dir.: Fábio Barreto
Com Glória Pires, Juliana Barone, Rui Ricardo Diaz, Milhem Cortaz

Procurando Elly


Ahmad viveu muitos anos na Alemanha, onde teve um casamento mal sucedido. Resolveu voltar ao Irã, com a intenção de arrumar uma noiva que fosse de lá. Sua amiga Sepideh resolve reunir os amigos numa casa de praia, à beira do Mar Cáspio, durante três dias. Ela convida uma estranha ao grupo, a professora Elly, querendo aproximar a moça do recém chegado Ahmad. Num misterioso acontecimento, Elly some, deixando a dúvida em todos: ela morreu ou fugiu?

Começa aí a busca por Elly. Muitas revelações serão feitas, sobre a desaparecida e sobre alguns outros personagens.

About Elly (Procurando Elly, no Brasil) é  um thriller iraniano, com contornos dramáticos e uma pitada de comicidade por conta da atrapalhada busca pela misteriosa personagem.

O filme foi o escolhido do país para concorrer ao Oscar estrangeiro em 2010 e ganhou o Urso de Prata de Melhor Diretor para Asghar Farhadi, em Berlim 2009.

O prêmio em Berlim caiu como uma luva, já que o grande mérito do filme vem da direção. Farhadi imprime uma narrativa admirável ao filme, com ritmo adequado e a escolha exata para revelar cada fato. 

Quem assiste fica na tensão constante de que a qualquer momento alguma nova informação sobre Elly pode surgir e quando chega o final, perguntamo-nos: “é isso mesmo?”. Demora alguns segundos para cair a ficha.

About Elly é um filme sobre a busca pela libertação interior. 

A fotografia é outro grande ponto, em tom azulado do anoitecer, com a câmera passeando entre os personagens o tempo todo, não filmando tudo com visão de fora da história, mas como se fosse um deles. Há uma cena de afogamento e resgate no início do filme (isso não é spoiler) que é desesperadora, filmada com câmera na mão, correndo de um lado para o outro, no desespero de quem quer salvar o afogado, mas não pode fazer nada. Muito bom.

No fim, o thriller dá vazão a um drama intenso, ficando só a reflexão e os comentários: “Que belo filme!” 

Que bom que o cinema iraniano ainda tem os seus lampejos de frescor. Ótima escolha para quem começar bem o ano.


Trailer:


(Darbareye Elly, 120 minutos, Irã, 2009)
Dir.: Ashgar Farhadi
Nota 8,7
 
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