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domingo, 23 de janeiro de 2011

Crítica: Um Doce Olhar (BAL)


Filme bonitinho, este “Um Doce Olhar”. Venceu o Festival de Berlim 2010 na maior simplicidade e acabou sendo o escolhido da Turquia para representá-los no Oscar.

Parte de uma trilogia sobre o amadurecimento, iniciada com “Ovo” (2007) e depois “Leite” (2008), Bal (título original turco, que significa “mel”) é, na verdade, o início de tudo, quando Yusuf (o protagonista) ainda é uma criança.

Acostumado a acompanhar o pai na colheita de mel, Yusuf possui sonhos que só conta para o pai. Este desaparece na floresta em busca de outros lugares para coletar mel, depois que o mesmo fica escasso em sua região. Yusuf tem, então, que lidar com sumiço do pai e os problemas escolares sozinho, já que sempre ignorou os conselhos da mãe.

O filme de Semih Kaplanoglu não seria metade do que é se não tivesse o menino Bora Altas como protagonista. Assim como Rodrigo Noya foi a alma de “Valentin” (2002), Bora incorpora Yusuf com uma naturalidade incrível, mesmo que não soubesse ainda exatamente o que estava fazendo naquele set de filmagem. Ele tem o olhar distante, quase autista, que só se desfaz na presença do pai do qual tanto se orgulha. Na escola, as cenas de dificuldade de leitura que o menino protagoniza são algo de muito impressionante, quase neorrealista.

A doce inocência fica completa quando unida a uma bela fotografia marrom e verde – ambas as cores muito vivas, mas ao mesmo tempo muito tristes.

Sem trilha sonora e poucas ações reais, o longa chega a se arrastar, mas isso acontece em poucos momentos. Na maior parte do tempo, é fascinante ver como o menino é obrigado a amadurecer na ausência da figura que mais se apoiava e empatia por ele prende a atenção até o fim.

“Um Doce Olhar” pode até ser mais um filme-com-criança, mas nem por isso deixa de ter o seu encanto.

Trailer:

(Bal, Turquia/Alemanha, 103 minutos, 2010)
Dir.: Semih Kaplanoglu
Nota 7,0

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Crítica: Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas

Sob júri presidido por Tim Burton, “Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas” levou a Palma de Ouro em Cannes 2010, diante de uma crítica dividida entre ovação e apedrejamento.

O roteiro foi inspirado num trabalho realizado por Apichatpong Weerasethaku – cineasta de 40 anos, cultuado também por outros três filmes, sempre passados na floresta: “Blissfully Yours” (2002); “Tropical Malady” (2004) e “Syndrome and a Century” (2006) – com jovens do nordeste da Tailândia, que acreditam na transmigração de almas entre humanos e animais.

Tio Boonmee sofre de insuficiência renal e sabe que está prestes a morrer. Ele resolve reunir os membros de sua família e segue para o interior de uma gruta, onde acredita ser o “útero” onde ele, em uma vida passada, nascera.

O diretor tailandês já anunciava, numa nota de intenção, que os fantasmas apareceriam, quando não estivesse nem completamente claro, nem completamente escuro. Assim, a fotografia seguirá sempre nesta luminosidade crepuscular incômoda, sob a qual não se consegue enxergar com clareza os personagens, mas que proporciona belos quadros e ajuda a esconder os “mistérios” da floresta, seus fantasmas, macacos e princesas. Elementos fantásticos que dão margem a qualquer tipo de divagação.

Apichatpong não se importa em contar uma história coesa, com príncipio, meio e fim. Segundo ele, existem seis rolos de filme que compõem “Tio Boonmee...” e que poderiam formar seis outros diferentes filmes. Talvez por isso as imagens sejam desprendidas entre si e existam sequências sem nenhuma relação aparente com o núcleo principal do velho à beira da morte. Assim, histórias absurdas, como a de uma princesa feia que doa seus pertences e se entrega sexualmente para um peixe, surgem e se vão sem maiores explicações. Esta pode ser mais uma das vidas passadas que Boonmee relembra, mas isso não óbvio.

O ritmo lento, os planos longos e a quase completa ausência de trilha sonora – exceto na sequência final – compõe uma narrativa serena, contemplativa e por vezes (sim) sonolenta. Seus personagens não agem num tempo normal. Possuem ritmo próprio, exercem suas atividades vagarosamente e por acreditarem nos espíritos, agem naturalmente quando a esposa de Boonmee ressurge após 19 anos de morta ou pelo retorno do filho desaparecido, agora em forma de macaco fantasma.

A cena da mesa de jantar, em que tio, sobrinho, cunhada, filho e esposa se reunem, explicita tamanha naturalidade que chega a ser cômico quando, por exemplo, a tia pergunta ao sobrinho-macaco-fantasma sobre o porquê de ele ter deixado os cabelos tão longos.

O diretor trabalha a fantasia usando de recursos tradicionais do cinema, sem precisar de computação gráfica. O espectro de um fantasma ou a duplicação de personagens é toda feita com a “técnica do espelho” (aquela mesma, usada nas apresentações da mulher que vira gorila).

Misturando surrealismo e simplicidade, “Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas” é uma obra sincera, completamente aberta à exploração.

O desprezo passa longe dessa nova obra de Apichatpong. Ninguém sai imune à sua sessão. Pode-se odiá-la ou amá-la, não importa. O fato é que ela, de alguma forma, vai mexer com o público.

Trailer:

(Lung Boonmee Raluek Chat,Espanha/França/Alemanha/Reino Unido/Tailândia,113 minutos, 2010)
Dir.: Apichatpong Weerasethaku
Nota 8,5

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Brasil está fora da disputa pelo Oscar 2011

Como era de se esperar, o Brasil está fora da disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, mais uma vez. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou nesta quarta-feira (19) uma lista com os nove semifinalistas da categoria, selecionados dentre os 66 inscritos inicialmente.

Com isso, o Brasil completa oito anos de jejum do Oscar. A última vez que esteve indicado foi em 2003, com as quatro indicações (fotografia, direção, edição e roteiro adaptado) obtidas por “Cidade de Deus”, de Fernando Meireles.

Como ninguém alimentava esperanças sobre a indicação de “Lula – o Filho do Brasil”, a surpresa veio por parte da França, que ficou de fora com “Sobre Homens e Deuses”, considerado até então um dos favoritos.

Enquanto isso, outras obras confirmaram seu favoritismo, como “Biutiful”, do mexicano Alejandro Gonzalez Iñarritu; e o dinamarquês “Em Um Mundo Melhor”, de Susanne Bier, que acabou de ganhar o Globo de Ouro da categoria.

Dos nove concorrentes restantes, cinco receberão a indicação, cujo anúncio acontecerá no próximo dia 25 de janeiro. A entrega dos prêmios está marcada para o dia 27 de fevereiro, no Kodak Theatre. Confira abaixo, a lista com os nove semifinalistas:

“Fora-da-Lei” (Argélia), de Rachid Bouchareb
“
Incendies” (Canadá), de Denis Villeneuve
“
Em um Mundo Melhor” (Dinamarca), de Susanne Bier
“
Dente Canino” (Grécia), de Yorgos Lanthimos
“
Confessions” (Japão), de Tetsuya Nakashima
“
Biutiful” (México), de Alejandro Gonzalez Iñárritu
“
Life, Above All” (África do Sul), de Oliver Schmitz
“
Tambien la Lluvia” (Espanha), de Iciar Bollain
“
Simple Simon” (Suécia), de Andreas Ohman
 

domingo, 16 de janeiro de 2011

Curta: Olhos de Ressaca


No começo do mês de dezembro, aconteceu em Berlim a Première Brazil 2010. Em sua segunda edição, a Mostra trouxe para o público alemão uma seleção incrível de filmes brasileiros, sob curadoria de Ilda Santiago, que conseguiu trazer para cá boa parte dos diretores dos filmes em questão.

Eram filmes como “As Melhores Coisas do Mundo”, “Os Famosos e os Duendes da Morte”, “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, “Dzi Croquetes” e “Bróder” - ainda inédito no Brasil. Deu orgulho ver o público berlinense aplaudindo tantos bons filmes brasileiros.

Antes de cada filme, era exibido algum curta-metragem. Casando perfeitamente com o longa que precedia (“Viajo Porque Preciso...”), “Olhos de Ressaca” trás toda a melancolia e romantismo de um amor que perdurou por toda uma vida.

Foi vencedor do prêmio de melhor curta no Festival do Rio 2009 e Prêmio do Júri em Gramado 2009, entre outros.

É um documentário de 20 minutos sobre um casal de idosos, ainda apaixonados, possuidores de um amor sereno e extremamente romântico, à moda antiga, recheado de belas palavras, proferidas como poesias.

Aproxima-se muito da declaração de amor em forma de filme que Àgnes Varda fez a Jacques Demy em “Jacquot de Nantes” (1991), só que neste caso, a declaração – pelo fato de ambas as partes estarem vivas – é mutuamente proferida.

É tanto carinho pululando na tela, que talvez dê a sensação de que a diretora Petra Costa exagerou no açúcar. Mas quem não gosta de um doce?


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Crítica: Dzi Croquetes

“Um país sem memória é um país sem cultura”. “Quem não conhece os seus, não conhece a si próprio”. Essas máximas podem soar como sermões, mas são verdades que devem ser ditas e pensadas. Os tempos de globalização e acesso a culturas de todos os cantos do mundo possibilitam a cada escolher que tipo de informação quer ter. Documentários como Dzi Croquettes trazem à tona histórias importantes para o Brasil – e quiçá para o mundo – que até então haviam caído no ostracismo ou mesmo em sua época nunca tiveram o devido reconhecimento.

Dzi Croquettes era um grupo teatral, criado em tempos de perseguição da arte na ditadura militar, cujas performances conseguiam sobreviver à censura, por possuir um tipo de crítica tão sutil e inteligente que os censores não detectavam a sua “ameaça” ao regime.

Constituído por treze homens que se travestiam de mulheres, o grupo revolucionou a forma de se fazer comédia no Brasil, assim como apresentavam números de dança e movimentos corporais incríveis. Inicialmente denominado de Família Dzi Croquettes, o grupo possuía membros desprovidos de qualquer preconceito e empregavam a liberdade total não só nos espetáculos, como também em seu estilo de vida. Cada um possuía um papel específico na “família”. Desta forma, existia ali “o pai”, “a mãe”, “as filhas”, “a tia” e por aí vai.

Os diretores Raphael Alvarez e Tatiana Issa (filha do último artista e entrar para a trupe) contam a trajetória do grupo através de uma apresentação inicial geral e depois em forma de capítulos, determinados pela história individual de um a um dos integrantes, concentrando o seu final nas conquistas deles. Um documentário muito bem executado, com começo, meio e fim bem definidos, mas que não chega a ser quadrado em momento algum. Raphael e Tatiana entregam o pacote completo: fazem barba, cabelo e bigode.

A história deste grupo é tão fascinante que 100 minutos são poucos para sacear a curiosidade sobre eles. Para quem já os conhecia, uma boa sensação de nostalgia. Para quem não os conhece, é uma sessão mágica, em que os horizontes se abrem e descobre-se mais um trecho da rica história da cultura brasileira, oculta nos meios de cultura massificados e bombardeio de culturas exteriores dominantes.

Uma sensacional pesquisa de imagens de arquivo resgata números inteiros da apresentações dos Dzi, assim como cenas que ilustram o contexto de opressão em que viveram. Além disso, as dezenas de depoimentos coletados para o longa não deixam a peteca cair, cujos entrevistados possuem lembranças ricas em detalhes sobre os retratados, reafirmando o quanto eles influenciaram a arte culta e popular no Brasil, desde a bossa nova até o teatro cômico atual.

Dzi Croquettes ganhou os prêmios de melhor filme no Festival Brasileiro de Miami e melhor documentário nos festivais do Rio e de São Paulo. Chega para preencher uma lacuna na cinegrafia brasileira. Uma história que ficção nenhuma conseguiria dimensionar.

Bobo daquele que diz que documentário não serve para nada.

Trailer:

(idem, Brasil, 100 minutos, 2009)
Dir.: Raphael Alvarez e Tatiana Issa
Nota 9,0

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Curta: Café com Leite


Daniel Ribeiro, diretor de “Café com Leite”, declarou, após receber o Crystal Bear de melhor curtametragem no Festival de Berlim, em 2008, que achou que foi beneficiado pelo fato de Tropa de Elite ter vencido o festival naquele mesmo ano.

Modéstia dele. O curta é merecedor daqueles e dos outros tantos prêmios (Festivais de Miami, Torino, Cuba, Molodist e Grande Prêmio do Cinema Brasileiro) que venceu, pela sua delicadeza e naturalidade.

Trata de um casal homossexual que precisa cuidar do irmão de um deles, depois que a família toda morreu. Uma história de família nada convencional e muito especial.


(idem, Brasil, 18 minutos, 2007)
Dir.: Daniel Ribeiro
Nota 9,0

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Crítica: Lula - o Filho do Brasil


Quando “Lula – o Filho do Brasil” foi lançado nos cinemas, em janeiro de 2010, eu optei por não assistí-lo naquela época e contexto e publiquei um texto explicando o porquê. Fui criticado por uns, elogiado por outros, como era de se esperar. Quase um ano depois, resolvi finalmente conferir o longa de Fábio Barreto e Marcelo Santiago e constatei que eu estava certo com o que pensava.

Sob tantos boatos escandalosos sobre a arrecadação de seu orçamento e a acusação de ser um filme eleitoreiro, além do fato do presidente já estar, naquela época, antecipadamente e irregularmente fazendo campanha para sua sucessora Dilma Roussef, a intenção óbvia de usar o filme como cabo eleitoral naufragou. A crítica o detonou e o público não compareceu aos cinemas como o esperado, tornando o maior orçamento da história do cinema nacional em um dos grandes fracassos do ano.

Se lançado hoje, após as eleições e com Lula já fora do poder, num contexto em que ele sai da presidência com 80% de aprovação da população, a imprensa fazendo rios de matérias exaltando-o e toda a tentativa de estabelecer-se um novo herói nacional, o filme teria, sem sombra de dúvidas, despertado o interesse de mais gente e sua arrecadação poderia ser maior.

Estratégias de lançamento e contextos à parte, vamos então ao filme em si.

Nascido em 1945, no município de Caetés, no sertão nordestino, Luís Inácio da Silva, seus irmãos e sua mãe Lindu foram maltratados por seu pai por muito tempo, até que a matriarca decidiu levar os filhos para tentar a vida em São Paulo. Formou-se num curso para torneiro mecânico, casou-se e ficou viúvo, além de perder um filho. Teve irmão sequestrado pela ditadura militar, tornou-se líder sindical, casou-se novamente, candidatou-se três vezes, sem sucesso, à presidência do Brasil e o resto é história.

Com uma trajetória de vida tão cheia de dificuldades e tragédias, Lula é o retrato de muitos brasileiros e o espelho da vontade de todos de vencer e ser alguém na vida, mesmo que suas condições financeiras e pessoais não ajudem. Por isso é uma história de identificação com o brasileiro, em especial.

No livro homônimo de Denise Paraná, no qual o roteiro foi baseado, provavelmente os fatos e o desenvolvimento dos personagens foram melhor explorados e explicados. Ao adaptar a história para o cinema, com a vontade de enfiar o maior número de tragédias possíveis em pouco mais de duas horas de película, os roteiristas Fernando Bonassi, Daniel Tendler e a própria Denise Paraná se perderam e não desenvolveram bem nenhum dos momentos da vida do retratado. O resultado foi um filme raso, corrido, de narrativa novelesca e atropelado como um episódio de “Por Toda a Minha Vida”.

Devido à falta de espaço para se mostrarem, os personagens viraram estereótipos, como o pai demônio, a mãe santa e o protagonista anjo, sem um único defeito sequer. Lula é sempre o inocente de todos os fatos, retratado como um deus enviado à terra para salvar o Brasil, um filho perfeito, líder limpo, estudioso sem fim (?), inteligente, marido romântico e por aí vai. Suas boas qualidades podem ser muitas, mas não há cristão que não tenha defeitos. Ingênuo é aquele que acredita em tanta bondade e inocência.

Mas nem só de atropelos vive esta cinebiografia. A grande quantidade de locações foi bem explorada, assim como o uso inteligente de imagens de arquivos, mescladas às sequências do movimento sindical, além da atuação excelente de Glória Pires, como a mãe do presidente, uma mulher que merecia um filme só para si.

Engolido pela própria ambição e pelos equivocados propósitos, “Lula, o Filho do Brasil” tornou-se um dos grandes micos de 2010, apesar de ser uma obra interessante para quem nada conhece sobre a vida de um dos presidentes mais populares do Brasil. Um filme refém do seu contexto, prisioneiro da própria armadilha. Portanto, merecedor daquilo que provocou: o fracasso.

Trailer:

(idem, Brasil, 130 minutos, 2009)
Dir.: Fábio Barreto e Marcelo Santiago
Com Glória Pires, Rui Ricardo Diaz, Juliana Baroni
Nota 4,0

sábado, 8 de janeiro de 2011

Crítica: Tron - o Legado

A pressão em cima de “Tron – o Legado” era grande pelo fato de o primeiro ter sido um marco para o cinema, um dos primeiros a usar recursos tecnológicos como parte da narrativa. Muitos esperavam que a sequência tivesse o mesmo impacto, mas como exigir de um filme tamanha revolução, diante das centenas de obras que usam tão bem os efeitos visuais?

É bem verdade que, se o novo Tron entregasse uma história inteligente ele já se destacaria em meio às baboseiras que costumam usar toneladas de efeitos para atrair o público. Mas escrever uma boa história que desse sequência a algo que já não era bom – o primeiro é cultuado, mas definitivamente tem um péssimo roteiro – era tarefa árdua.

Os roteiristas Edward Kitsis e Adam Horowitz (ambos da série Lost) tentaram, mas não conseguiram ir muito mais além do que a superficialidade entregue pelo original de 1982. O argumento é bem construído, mas os diálogos são de doer na alma.

Tudo se inicia com uma conversa entre Kevin Flynn (o protagonista da primeira parte, novamente interpretado com competência por Jeff Bridges) e seu filho, Sam (Garrett Hedlund, fraquíssimo), em meados dos anos 80. Kevin desaparecera do mundo real e anos depois, Sam descobre que o pai ainda está vivo, dentro de um programa de computador. Sugado para dentro do mesmo universo, Sam reencontra o pai e juntos tentaram escapar de lá.

O fiapo de história consegue entregar alguns poucos momentos de reflexão filosófica, mas o que mais interessou ao estúdio foi a possibilidade de usar aquele pretexto para deitar e rolar com o uso dos efeitos. E foi isso que fizeram: sob a direção do estreante Joseph Kosinski, que antes trabalhava no departamento de CGI da Disney, “Tron – o Legado” é um show de pirotecnia e psicodelia, que abusa do neon para hipnotizar o espectador, que diante de tanto pisca-pisca pode nem perceber onde se encontra o maior trunfo visual do filme: a reconstituição facial de Jeff Bridges como há quase vinte anos. Sua versão jovem computadorizada é rica em texturas, rugas e expressão facial e são poucos os momentos em que fica claro que aquilo não passa de uma animação.

É difícil prever como tais efeitos surtirão numa tela normal de cinema mas, se vistos numa boa tela 3D e/ou IMAX, proporcionarão uma grande viagem ao espectador. Uma grande rave ao som alucinógeno da dupla francesa Daft Punk, que assina a trilha sonora e ainda faz uma pequena aparição no filme. Tão bom quanto o seu som, somente a atuação neurótica de Michael Sheen – a própria reencarnação do espírito “sexo, drogas e rock 'n' roll” oitentista. 

Trailer:

(Tron Legacy, EUA, 125 minutos, 2009)
Dir.: Joseph Kosinski
Com Jeff Bridges, Michael Sheen, Garrett Hedlund, Olivia Wilde
Nota 8,0

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Crítica: Enrolados (Tangled)

As raízes de “Enrolados” são expostas logo nos seus primeiros minutos, recheados de musiquinhas enjoadas, feitas para impregnar nos ouvidos das criancinhas e dos seus pobres pais: trata-se de mais um filme de princesa da Disney.

A bola da vez é Rapunzel, que apesar de ser protagonista de um dos mais famosos contos de fadas dos Irmãos Grimm e de já ter sido retratada inúmeras vezes no cinema (“Shrek”; “Barbie Rapunzel”), nunca antes ganhara um filme-solo com tamanho investimento.

Após a abertura insossa, a animação entra nos eixos e a história, assim como as piadas, começam a funcionar. A desmoralização dos príncipes está presente, como em boa parte das novas versões de contos de fadas para o cinema. É um recurso batido, mas a verdade é que o príncipe Flynn é a grande graça de “Enrolados”, que possui lá seus outros personagens feito para divertir – como o camaleão da Rapunzel, mas que não chegam a decolar.

O filme é ambientado num mundo permeado por vikings e celtas, algo que lhe confere ainda mais charme. As sequências musicais de Rapunzel num pub viking e no vilarejo celta são encantadoras, enquanto que outra sequência, de lançamento de balões iluminados ao céu, é de uma beleza e romantismo ímpar, especialmente se vistos numa sala de cinema que possua tecnologia 3D.

O fato é que, depois de John Lasseter assumir as rédeas criativas na Disney, os filmes daquele estúdio voltaram a ter a qualidade de antigamente, ainda que seguindo uma linha um pouco diferente.

“Enrolados” marca a estreia de Nathan Greno na direção de longametragens. Ele divide o cargo com Byron Howard, que antes dirigiu “Bolt”, uma das primeiras animações a serem lançadas em 3D, em 2008.

Esta Rapunzel da Disney dá sequência à tardia adequação das animações do estúdio ao formato CGI, mesmo que eles ainda utilizem partes do desenvolvimento das imagens em 2D. É também a continuação de uma boa sequência de filmes de princesa, iniciada com “Encantada” (2008) e “A Princesa e o Sapo” (2009).

O que vemos aqui é um longa divertidíssimo, de efeitos tridimensionais bem cuidados e visual deslumbrante. Nada como ter um John Lasseter como produtor mandachuva para salvar qualquer estúdio da decadência.

Trailer:

(Tangled, EUA, 100 minutos, 2010)
Dir.: Nathan Greno e Byron Howard
Nota 8,0

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Promoção "Enrolados"

Mais um provável sucesso da Disney está prestes a estrear no Brasil. O nome do filme é "Enrolados" e o blog Fred Burle no Cinema sorteará 15 pares de ingressos para o filme e podem participar os leitores de todo o território brasileiro. Caso hajam sorteados de Brasília, os mesmos ganharão também camisetas e adesivos do filme.

Os ingressos são válidos de segunda a quinta-feira, exceto feriados, a partir do dia 24 de janeiro. Não é válido para salas 3D, IMAX, salas de cinema do Grupo Araújo, do Grupo Estação, Cinemark Iguatemi São Paulo e Salas Vips do Cinemark Cidade Jardim, Kinoplex Park Shopping Platinum e Kinoplex Vila Olimpia Platinum.

Para participar, basta responder à pergunta: "Qual é o nome da personagem principal de 'Enrolados'?"

Não esquecendo de que é imprescindível deixar a resposta num comentário deste post, juntamente com seu nome e sobrenome, e-mail e endereço completo (com CEP), para que os ingressos sejam enviados assim que o sorteio for realizado. Nenhum comentário contendo dados pessoais dos participantes será publicado.

A promoção é válida até às 21 horas do dia 09/01 (domingo) e o resultado será divulgado no dia seguinte.

Boa sorte a todos!

Promoção encerrada

Sorteados:
1- Cristiane de Lima Santos - Rio de Janeiro/RJ
2- Flávia Braga - Candangolândia/DF (ganhou também camiseta e adesivos)
3- Francisco Craesmeyer - Brasília/DF (ganhou também camiseta e adesivos)
4- Stella Vieira - Belo Horizonte/MG
5- Alessandra Brizio - Rio de Janeiro/RJ
6- Victoria Matias - Aracaju/SE
7- Gilberto Passos - Brasília/DF
8- Guilherme Festozo - Bebedouro/SP
9- Caíque Pereira - Taguatinga/DF (ganhou também camiseta e adesivos)
10- Simone de Oliveira - São Paulo/SP
11- Gisele Marcondes Luz - Campinas/SP
12- Giana Mari dos Santos - Rio de Janeiro/RJ
13- Jeremias C H Costa - Maceió/AL
14- Sofia Bretas - Belo Horizonte/MG
15- Márcio dos Santos Branco - Rio de Janeiro/RJ
 

Vídeo com os melhores de 2010

A Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos (SBBC), da qual faço parte, promove todos os meses uma votação entre seus 60 membros para tirar uma média de avaliação dos filmes lançados no Brasil, seja em cinema ou direto em dvd.

Com o fechamento da votação de dezembro, o pessoal daquele blog editou um vídeo com cenas dos filmes melhor avaliados no ano que passou. O vídeo foi muito bem montado e foi por isso que resolvi mostrá-lo também aqui no blog.


domingo, 2 de janeiro de 2011

Os melhores filmes de 2010 que o Brasil ainda não viu

Como me mudei para Berlim em agosto, tive o prazer de poder assistir alguns filmes excelentes que não estrearam no Brasil em 2010. Não que isso seja 100% vantagem, já que os filmes nacionais de que tanto amo não costumam chegar em terras gringas, o que me privou, até o momento, de assistir, por exemplo, a “Tropa de Elite 2”.

Lamúrias à parte, o fato é que eu resolvi enumerar alguns filmes que já assisti e que posso recomendar com antecedência para vocês, meus prezados leitores. É uma espécie de preview que não é preview. Entendeu?! Tanto faz.

Cruzem os dedos e torçam para que estas obras estreiem o quanto antes no Brasil. São estes os melhores filmes de 2010 que vocês (provavelmente) ainda não viram:

1- Cisne Negro
(Black Swan, EUA)
Dir.: Darren Aronofsky 

2- Um Lugar Qualquer
(Somewhere, EUA)
Dir.: Sofia Coppola

(idem, Índia)
Dir.: Anusha Rizvi e Mahmood Farooqui

(idem, EUA/Inglaterra)
Dir.: Banksy

(Die Fremde, Alemanha)
Dir.: Feo Aladag

6- O Segredo de Kells
(The Secret of Kells, França/Bélgica/Irlanda)
Dir.: Tomm Moore e Nora Twoney

7- Sobre Homens e Deuses
(Des Hommes et des Dieux, França)
Dir.: Xavier Beauvois

(La Prima Cosa Bella, Itália)
Dir.: Paolo Virzi

(idem, México)
Pedro González-Rubio

10- Enrolados
(Tangled, EUA)
Dir.: Nathan Greno e Byron Howard

11- Inverno da Alma
(Winter's Bone)
Dir.: Debra Granik
 
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