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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Casa de Areia e Névoa

Tem uns filmes que eu sempre postergo assistir, não sei o porquê. Acabo assistindo-os, por um “acidente de percurso”. Foi o que aconteceu com Casa de Areia e Névoa. Talvez não fosse mesmo o caso de ter urgência em assisti-lo, mas pelo menos foi interessante e me envolveu.

Trata de um desses casos que causam revolta em quem assiste, pelo estrago que uma atitude arrogante do Governo pode fazer na vida das pessoas.

Kathy (Jennifer Connely) sofre profunda depressão por ter sido abandonada pelo marido. Por causa disso, passou a viver escondida em casa. Acaba expulsa pelo governo, sob o pretexto de que não pagava seus impostos. Antes mesmo que ela recorresse para conseguir retomar seu bem, a casa é vendida a “preço de banana” para os Behrani, uma família de imigrantes iranianos, cujo chefe (Ben Kingsley) o fez com a intenção de vendê-la posteriormente pelo quádruplo do preço, a fim de restabelecer sua vida financeira. Como não consegue a ajuda que esperava da advogada, Kathy resolve fazer suas próprias tentativas de retomar sua propriedade, mas obviamente encontrará a resistência e a hostilidade do Sr Behrani.

O que mais perturba é que ambas as partes interessadas não sabem como resolver o caso, mas como as autoridades desprezam seus pedidos, eles começam um confronto pessoal às escuras e acabam tomando atitudes estúpidas e burras, que, no caso de Kathy, ainda conta com a ajuda de seres externos, como o policial que conhecera no dia da expulsão e que acaba tendo um romance com ele, que é casado.

Além da questão da posse da casa, está também em pauta o tratamento dispensado aos imigrantes nos EUA.

O roteiro é baseado no best-seller de André Dubus III, que depois de uma pesquisa, descobri que ele recusou mais de 100 (!) ofertas de diversos estúdios para adaptarem sua história. Fiquei imaginando: com tantas ofertas, esperava-se que o roteiro escolhido fosse uma obra-prima, mas esse não chega nem perto disso, é apenas regular. Coitado do autor! Deve ter lido tanta podreira... Mas pelo visto gostou desse, já que até uma ponta ele faz no filme (vi o nome dele nos créditos de elenco, mas não reparei em que momento aparece). Só não consigo entender, mais uma vez, por que diabos esse povo cisma em colocar os personagens estrangeiros para falar em inglês entre si. Não faz sentido e isso, para mim, é motivo de perder muitos pontos.

O filme tem sustentação maior nas interpretações, principalmente de Ben Kingsley, um ator competente e que nos faz crer que ele realmente é um iraniano. A cenografia também é de muito bom gosto e adequada ao clima sóbrio do filme, que é ainda ajudado pela boa fotografia de Roger Deakins (dono de um currículo invejável), com ênfase na névoa citada no título, que envolve a casa, dando um tom sombrio, como se tudo estivesse caminhando para a mais completa decadência. Além da trilha sonora, indicada ao Oscar.

Quase deixei de gostar do filme a partir de determinado momento, quando a história beirou o grotesco e parecia que tudo ia desandar, não fossem os fatos justificáveis pelo rolo compressor de ignorância mútua que toma conta dos personagens, que, em meio ao desespero, fazem uma escolha errada atrás da outra, culminando num final inimaginável no início do filme, mas que fica previsível no decorrer do filme.

Casa de Areia e Névoa é um bom filme, mas é mais indicado para aqueles que gostam dos “baseados em fatos reais” absurdos que pipocam por aí.

Achei interessante colocar os links de duas críticas completamente opostas sobre o filme. A positiva é do Omelete e a negativa do Contracampo. Fiquem à vontade para escolher a de vocês. Eu fico com o meu meio termo!


Trailer (sem legendas):



Casa de Areia e Névoa
(House of Sand and Fog, 126 minutos, EUA, 2003)
Direção: Vadim Perelman
Roteiro: Vadim Perelman e Shawn Lawrence Otto, baseado em livro de Andre Dubus III
Produção: Michael London e Vadim Perelman
Música: James Horner
Fotografia: Roger Deakins

Com Ben Kingsley, Jennifer Connelly, Ron Eldard, Shohreh Aghdasloo

Nota 7,5

sábado, 18 de julho de 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Com a Pottermania dominando o mundo desde 0:01 de quarta-feira, fiquei esperando o momento certo para ver o filme. Aquelas filas infindáveis para comprar os ingressos (fora ter que chegar uma hora antes, para não ficar sem o bilhete), depois outra para a pipoca, mais outra para entrar no cinema, a guerra para conseguir um bom lugar e ainda ter que aguentar os bandos de adolescentes histéricos, maníacos e mal educados em matéria de respeito ao próximo no cinema, todos vestidos de aluninhos de Hogwarts, alguns com chapéus pontudos, senhoras sem noção com varinhas mágicas (acreditem, minha amiga viu uma!) e mais crianças e mais crianças e mais adolescentes e mais adolescentes... Afff! Que fobia! Não quis isso para minha vida, só para dizer que vi o filme antes e postar enlouquecidamente em busca de visitas e comentários fervorosos.

E como foi bom ter esperado! Como é bom ir ao cinema em sessões quase matutinas nos fins de semana! Além de serem mais baratas, não tem fila para nada e o cinema ainda estava bem tranquilo, com menos de um terço de sua lotação esgotada e com um público composto de gente civilizada, já que as pestes que assolariam as salas nos horários mais tarde deviam estar, em sua maioria, nos almoços de família naquele momento.

Enfim, escolha acertada, assisti ao novo Harry Potter. Posto mais para registrar que assisti ao filme, porque algumas pessoas já quiseram saber minha opinião sobre o dito “evento”. Não quero fazer parte desta loucura toda em cima da série do garotinho bruxo. Gostei dos outros filmes, foram boas diversões, li os três primeiros livros e pronto. Potter para mim não é uma religião.

No sexto ano de Hogwarts, Harry será incumbido pelo professor Dumbledore de fazer amizade com o novo professor, o sr. Slughorn (Jim Broadbent), a fim de arrancar dele um segredo que lhes interessaria. Ao mesmo tempo, seu inimigo Draco Malfoy junta-se ao vilões definitivamente, para “dominar” Hogwarts. Em meio a isso, romances desenvolvem-se na história, na forma de dois triângulos: Harry/Gina Weasley/Dino Thomas e Hermione/Rony/Lilá Brown. De história, é basicamente isso. Pelo menos foi isso que escolheram contar do livro, já que é impossível transpor para 150 minutos as centenas de páginas do livro (sem esta de comparar livro com filme, que essa discussão não tem sentido).

O fato é que gostei muito do filme e pode ser que pela primeira vez, eu coloque um Harry Potter na minha lista de melhores do ano. Até então, o que eu mais gostava era o terceiro, por ser o mais divertido, com mais ação e até então o mais sombrio. De Harry Potter e o Enigma do Príncipe eu gostei por motivos diferentes: é o filme mais denso de todos, o que mais deixa espaço para o desenvolvimento dos personagens e o que tem mais calma em construir uma atmosfera sombria, sem pressa de envolver o público já nas primeiras sequências de maneira escapista. Para isso, nem foi preciso deixar de lado os efeitos visuais arrebatadores que criaram os outros filmes.

David Yates conseguiu amadurecer a série (finalmente) e acrescentar às aventuras outras questões antes superficiais, como o fortalecimento das amizades e as lições de aprendizagem obtidas principalmente pelo protagonista. A questão dos romances não é ressaltada só para tê-los na história, mas para demonstrar essa transição na vida dos personagens, acompanhando o crescimentos dos fãs da série também. É a primeira vez que toda uma geração de jovens pôde acompanhar uma saga e crescer junto com seus personagens e isso é uma das coisas mais geniais da série de filmes de Harry Potter.

O que me incomodou já era esperado: Daniel Radcliffe é fraquinho (Emma Watson e Rupert Grint brilham muito mais que ele quando estão em cena) e não me acostumo com a escolha de Helena Boham-Carter para o papel da bruxa Bellatrix. Como ela sempre faz papéis desse tipo (não que faça mal) fica difícil não trazer referência dela de outros filmes e isso não é bem vindo. Parece que enfiaram na saga dos bruxinhos qualquer um dos personagens de Tim Burton. Ainda bem que isso não estraga o filme.

...Enigma do Príncipe funciona como uma transição, muito bem realizada, de uma etapa mais ingênua e aventureira para a etapa mais sombria e resolutiva que está por vir. Um êxito tão grande que se aproxima do status de produção espetacular alcançado por uma certa saga do anel.

Numa temporada fraca de arrasaquarteirões, é um alívio e uma satisfação assistir a algo tão bom quanto esse filme. Agora é aguardar com boas expectativas, mas sem histeria, as partes finais da história.


Harry Potter e o Enigma do Príncipe

(H P & The Half-Blood Prince, 155 minutos, EUA/Inglaterra, 2009)

Dir.: David Yates

Com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Helena Boham-Carter, Michael Gambon, Jim Broadbent, Maggie Smith, Alan Rickman


Nota 8,4

quinta-feira, 16 de julho de 2009

La Môme Piaf

Seria óbvio dizer que Piaf – Um Hino ao Amor é um filme melodramático. Afinal, a história de vida da Edith Giovanna Gassion (a La Môme Piaf, como batizada no início da carreira, pela comparação de sua voz com um pássaro) foi percalçada por tantos acontecimentos trágicos, que fatalmente encaixaria-se nessa classificação. Sobre sua carreira, todos sabem que foi brilhante e que ela era dona de uma das vozes mais bonitas que já se ouviu. O filme inova ao trazer à tona sua história pessoal com detalhes, mesmo sem deixar de lado sua carreira, para conhecimento e admiração de todos, principalmente da geração mais nova, que pouco conhece da cantora e da sua obra.

Na infância, Piaf foi abandonada pela mãe (que fugiu com um homem, por paixão), seu pai era um bêbado e ela acabou sendo criada num prostíbulo. Quando jovem, caiu na vida boêmia e desregrada, passando a cantar nas ruas de Paris em troca de moedas. Foi descoberta por um olheiro, gravou seu primeiro disco e daí pra diante sua carreira deslanchou. Foi parar nos EUA, país que não lhe agradou, mas foi onde conheceu seu grande amor. Faleceu aos 42 anos, totalmente fragilizada pelo acúmulo de doenças (icterícia, cirrose e dependência em morfina) que teve no decorrer da vida.

Alguns críticos depreciaram esta cinebiografia, alegando que era um filme que denegria a imagem da cantora e fazia melodrama em cima de sua história, mostrando-a como uma pessoa seca e antipática. Para mim, isso é crítica de quem a idolatra cegamente e não aceita que digam que Piaf era uma mulher cheia de defeitos e excentricidades, como qualquer outro ser humano pode sê-lo. Mostrar esse lado é mostrar que ela foi uma mulher que sofreu muito, mas que nunca se deixou ser tomada pela amargura. Amou intensamente, tanto sua música quanto aqueles que desfrutaram da sua companhia.

Tudo no filme é pensado para beneficiar Piaf e a atriz que a interpreta, Marion Cottilard. A tonelada de maquiagem e a encarnação de Piaf por Cottilard são extraordinárias, uma (a maquiagem) ajudando a outra (a atriz) a realizar um dos trabalhos de interpretação mais impressionantes dos últimos anos. Mas não é só pelo trabalho técnico de caracterização: Cottilard encarna todos os trejeitos da cantora, seu olhar distante, como quem esconde amarguras, sua postura curvada, com um definhamento gradativo, mas que se ergue ao subir no palco, tendo ali seus momentos de glória. Oscar mais que merecido para a atriz e para a equipe de maquiagem.

A fotografia também trabalha a serviço da protagonista, com planos gerais nos momentos de apresentação da cantora, intercalados com close-ups, ambos com uma luz que recorta seu rosto e seu corpo, como se estivesse entronando-a, como a endeusada cantora que era. Há cenários meticulosamente construídos, para possibilitar a execução de planos sequência bem elaborados, principalmente na casa de Piaf, onde a câmera passeia por todos os cômodos com total liberdade e onde também acontece uma transição muito boa, numa cena em que Piaf está em desespero por uma notícia que acabara de receber e precisa cantar para fugir dos fantasmas que a atormentam, correndo pelo quarto e quando ultrapassa a cortina, lá está o palco montado e o público à sua espera.

A escolha por uma edição não-linear, muito comum em biografias, começando o filme com a última apresentação de Piaf, em seu estado maior de definhamento e intercalando sua infância, juventude e seus últimos dias, aqui se justifica nos momentos finais do filme, quando, em seu leito de morte, Edith confessa um segredo que até então nunca havia sido de conhecimento do público, algo que talvez tenha aterrorizado-a muito mais do que qualquer outra tragédia que tenha sofrido e que toma-nos de assalto, pelo tamanho de sua tristeza e pelo fardo que aquela mulher foi destinada a carregar. Ali, é chegada a sua hora. Ela morre, mas antes que subam os créditos, finalmente é concluída a sua última apresentação (aquela que iniciou o filme), na qual ela interpreta a sua canção mais contundente, No, Je ne Regrete Rien, que ela mesma classificou como o resumo de sua vida. Nessa altura, a emoção já está à flor da pele e as lágrimas contidas durante 140 minutos agora escorrem, e com elas, despedimo-nos de Piaf e ficamos com sua obra.

Piaf teve, pelo menos na versão de Olivier Dahan, o seu Gran Finale!



Piaf – Um Hino ao Amor
(La Môme, França/ Inglaterra/ República Tcheca, 140 minutos, 2007)
Dir.: Olivier Dahan
Com Marion Cottilard, Jean Pierre Martins, Gerard Depardieu, Emmanuelle Seigner, Marlene Dietrich

Nota 8,9

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A Proposta

A quarentona Sandra Bullock está de volta ao gênero que a consagrou, com esta comédia romântica mais clichê do que qualquer outro filme que ela tenha feito.

A Proposta teve estreia na sexta-feira passada e, ao que tudo indica, fará o mesmo sucesso que nos EUA, onde já arrecadou mais de U$ 120 milhões, além de ter sido a melhor estreia da carreira de Miss Bullock.

A responsável pelo retorno é a diretora Anne Fletcher, do recente Vestida Para Casar (27 Dresses). Para fazer par com a ex-queridinha da América, a diretora escalou o “bola da vez” Ryan Reynolds.

A história? A mesma de sempre. Duas pessoas que se odeiam têm, por um motivo qualquer, que conviver mais intimamente. Daí o ódio aos poucos vira amor, vem um obstáculo e separa os dois, que agora farão de tudo para ficar juntos e as situações absurdas para que isso aconteça rolarão soltas. O final? Não preciso dizer, né?! (isso não é um spoiler, oras).
Só pra situar: ela é a chefe ameaçada de extradição dos EUA e ele, o empregado que será obrigado a casar com ela para evitar a tal extradição.

O que faz a repetida fórmula dar certo é o roteiro bem amarrado, com boas piadas e poucas cenas esdrúxulas. As situações convencem e a transição ódio-amor surge de maneira natural. Outra boa sacada do roteiro foi a de não colocar o empregado como o pobre coitado que precisa do emprego e será submisso aos caprichos da chefe. O fato de ele ser rico o coloca no mesmo patamar que ela, podendo “negociar” de igual para igual, além de não terem que forçar a barra com a ilusão de que uma metida como a chefe apaixonaria-se tão rápido pelo plebeu. Sandra Bullock está muito boa (em todos os sentidos; piada infame), sem exagerar nos tiques e com histeria na medida certa. Sua química com Ryan Reynolds funciona, apesar de eu ainda não entender o porquê desse cara estar tão na moda. Vai entender o público: até Shia LaBeouf já foi queridinho...

O filme acerta até a cena do casamento, quando a coisa desanda e cai na onda das “confusões-cômicas-e-absurdas-que-culminarão-na-resolução-romântica-e-fofinha”. Aí a convivência com os clichês já não é mais saudável. Havia espaço para um pouco de criatividade, mas a oportunidade foi desperdiçada.

A crise de qualidade este ano tem sido tanta que têm ganho aqueles que conseguem desenvolver melhor os seus clichês. Talvez por esse contexto A Proposta seja um programa tão divertido.

Trailer:


A Proposta
(The Proposal, EUA, 109 minutos, 2009)
Dir.: Anne Fletcher
Com Sandra Bullock, Ryan Reynolds

Nota 6,8

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A Vida Marinha com Steve Zissou

Imagino que Wes Anderson deva ser um sujeito tão excêntrico quanto seus filmes. Só assim para explicar como essa característica predomina todas as suas obras. Desde 1998, com Três É Demais (Rushmore), ele apresenta obras sempre com cenários coloridos, personagens cheios de costumes diferentes da maioria, diálogos bizarros e enquadramentos igualmente incomuns. Quem conhece seu estilo saberá imediatamente, ao assistir uma obra sua, que trata-se de um exemplar desse diretor. Com A Vida Marinha com Steve Zissou não é diferente.
Zissou (Bill Murray) é um oceanógrafo documentarista que teve a estreia do seu segundo filme hostilizada pelos críticos no Festival de Locarno, que o julgaram como algo surreal e ensaiado demais, não convencidos pela história que ele conta, de que seu amigo foi devorado por um tubarão-jaguar, espécie de peixe, aliás, que ninguém nunca ouviu falar. Ele decide filmar uma terceira parte da série, com proporções épicas, para alavancar sua carreira como cineasta. Contará com a ajuda da sua equipe, formada por figuras igualmente caricatas e forçadas (dentre eles, Owen Wilson, Willen Dafoe, Jeff Goldblum e Seu Jorge), além de uma jornalista (Cate Blanchett) que acompanhará a nova expedição.

As filmagens do documentário refletem a encenação que muitas vezes se faz em cima da realidade retratada, com cenas sendo repetidas, situações forjadas ou falas decoradas (no caso, encenadas), com o documentarista se autopromovendo, inclusive recitando Shakespeare à beira do leme. Sobra espaço até para referenciar o clássico documental Nanook – o Esquimó, numa cena muda em que eles encenam uma pesca no gelo.

Todo o elenco está muito bem, com atuações divertidamente uniformes, como o figurino que usam. Suas roupas (assim como no filme anterior de Anderson, Os Excêntricos Tenembauns) são iguais, como gêmeos vestidos pelos pais “sem-noção”, compostas de sunga listrada da Speedo, tênis Adidas e gorro vermelho!
Seu Jorge assina a trilha sonora, com traduções para o português (!) de várias músicas de David Bowie e aparece no filme cantando-as nos momentos mais bizarros. Quando não canta, seu personagem Pelé dos Santos (!) torna-se um mudo hilário!

O filme conta com toques nonsense, que fazem o diferencial (para o bem) na carreira de Anderson. Uma moviola é manejada em alto-mar (para quem não sabe, aquele é o ambiente mais prejudicial a esse instrumento e aos filmes)! Ainda tem como toque especial as animações em stop-motion das estranhas espécies criadas por ele, como o caranguejo de açucar, o cavalo marinho crayon ou uma enorme floresta de corais toda feita de barbantes coloridos.

A Vida Marinha é uma aula de linguagem cinematográfica. Anderson abusa do zoom in e zoom out (característicos de documentários), adora centralizar o personagem em foco, conferindo uma profundidade de campo incrível e seus planos são simétricos até quando ele usa o planossequência na cena em que a câmera vai passando por todos os cômodos do submarino, cenário construído todo vazado, como dessas casas de boneca que se tem a vista completa pelo lado de fora.

Por mais que seja feito tudo de forma extremamente caricata, fica difícil não se encantar com o visual do filme e se entregar ao humor de nerd deprimido, vindo do roteiro escrito pelo próprio Wes Anderson, em parceria com Noah Baumbach (A Lula e a Baleia).

Como escreveu Marcelo Hessel em sua crítica para o site Omelete: “...é a caçada de Moby Dick, a bordo do Yellow Submarine, guiado por Afonso Brazza.” Assino embaixo!



Trailer:




A Vida Marinha com Steve Zissou
(The Life Aquatic With Steve Zissou, EUA, 118 minutos, 2004)
Dir.: Wes Anderson
Com Bill Murray, Cate Blanchett, Owen Wilson, Willen Dafoe, Jeff Goldblum, Angélica Huston, Michael Gambon, Noah Taylor e Seu Jorge


Nota 7,7

sábado, 11 de julho de 2009

De Repente, Califórnia (Shelter)

Hoje o post será menor que o de costume, pois já faz tempo que assisti o filme e não anotei maiores detalhes para escrever. Como finalmente estreou em Brasília, não posso deixar passar a oportunidade de indicá-lo.

De Repente Califórnia (ninguém merece essa tradução) é um romance muito bacana (gíria ultrapassada, eu sei, mas gosto), que se não fosse pelo fato de ter dois gays como protagonistas, facilmente seria sucesso e estrearia num número muito maior de salas mundo afora.

Zach (Trevor Wright) é um artista plástico que não investe em seu talento por achar que precisa cuidar da família, composta pela irmã e pelo sobrinho. Tudo começa a mudar quando conhece o escritor Shaun (Brad Rowe), que incentiva-o a seguir adiante com a tentativa de entrar para uma famosa escola de artes dos EUA. Os dois se conhecem porque Shaun é irmão do melhor amigo de Zach e também porque ambos nutrem a paixão pelo surfe. Daí para diante, a história desenvolve-se em cima do drama de Zach em tomar decisões que implicam em enfrentar as cobranças da irmã e assumir para si e para os outros a sua homossexualidade. A relação dele com a família, aliás, é outro acerto: a dedicação que ele dispensa ao sobrinho é muito mais amorosa e eficiente para a criação daquela criança do que a própria mãe poderia oferecer, já que essa é uma mulher infeliz com a própria vida e é dessas que abandonaria até o filho pelo primeiro homem que lhe oferecesse uma perspectiva de mudança.

De Repente, Califórnia não tem muitos méritos como cinema. A estética do filme é de série televisiva e o desenvolvimento do roteiro é bem clichê, exceto pelo acerto de sair dos ambientes comuns e levar a história para um meio que pouco ouve-se falar em homossexualidade, que é o do surfe.

O bom é que não levanta bandeiras de maneira agressiva e nem conta com cenas apelativas e desnecessárias, como muitas vezes acontece com filmes de temáticas LGBT. A sensibilidade e naturalidade com que a história é conduzida é que cativam e tornam o filme acessível a qualquer pessoa.

Além disso, tem uma trilha sonora bem boa, que equilibra os momentos mais conturbados com os momentos mais relax do filme.

Não é nenhum triunfo, não causa polêmicas e nem fará parte das listas de melhores do ano, mas é um programa muito agradável, sensível e que pode até emocionar os mais românticos ou os de "coração de manteiga", como no meu caso.

Eleito o melhor filme pelo público no Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual de 2007 e de diversos outros prêmios em festivais temáticos mundo afora.


Trailer



De Repente, Califórnia
(Shelter, EUA, 97 minutos, 2007)
Dir.: Jonah Markowitz
Com Trevor Wright, Brad Rowe, Tina Holmes, Jackson Wurth, Katie Walder

Nota 7,3

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Rumba

“A dog!” - ensina a esguia professora de voz imponente (só a voz) aos seus alunos. Pela janela da sala, vê-se outra turma tendo aula de educação física no pátio do colégio, com o desengonçado Dom. O sinal toca e a manada de alunos sai em disparada para casa. Há um momento de silêncio. Alguns segundos de silêncio, câmera estática no mesmo plano pelo qual passaram as crianças e de repente, outra manada: a dos professores do colégio, histéricos de felicidade com o fim do expediente. Ficam na escola somente os dois professores apresentados anteriormente. Tiram as roupas de trabalho e por baixo delas, uma roupa colante, de dança. Começa então o ensaio do casal para um concurso de rumba.

O número musical é de chorar de rir. Os passos executados são precisos, mas o físico muito magro de ambos torna seus movimentos desengonçados, conferindo toda graça à cena. Depois dessa, ainda virão alguns outros números, todos compondo os melhores momentos do filme (destaque para a dança das sombras, que saem dos corpos dos dois e projetam seus passos num muro, muito bonita).

Os dois ganham o concurso, mas toda a alegria é interrompida quando eles sofrem um acidente de carro, ao tentar desviar de um suicida. O acidente deixa sequelas: ele, desmemoriado e ela, com uma perna amputada. Segue uma sucessão de eventos tragicômicos, imbuído de uma teatralidade típica dos filmes de Jacques Tati (quem não o conhece, clique no link, pois sua obra merece ser conhecida) e por vezes do humor mudo e escrachado de Mr Bean (para mim, a má influência do filme, apesar de não achá-lo ruim).

O filme inteiro é constituído de planos estáticos (exceto a primeira cena musical, que capta o casal circularmente), geralmente com enquadramentos teatrais, inclusive com a contribuição de cenários semicubistas, ainda invocando a arte de Jacques Tati. O trio de diretores usa de elipses para ligar uma cena a outra, como o apagar e acender de luzes, muito interessante, que faz a hora passar, sem precisar de cortes na edição.

Rumba é um filme de comédia corporal, quase sem fala, cheio de charme e tipos estranhos, mas que peca por explorar demais o humor escrachado. Os ótimos tipo apresentados tornam-se seres burros e patetas, com momentos de idiotice que não combina com eles, já que em momentos anteriores eles demonstram ser apenas inertes ao que acontece ao seu redor, mas são inteligentes, afinal, são professores! Depois de certo momento, a paciência com cenas exageradas esgota-se e o filme torna-se boboca.

Mas ainda assim, vale a pena pela criatividade na linguagem utilizada, pelos ótimos atores protagonistas (que também assinam a direção, produção e roteiro) e pelas cenas hilárias que contém.

Digamos que é um filme que chamo de “growing on me”, ou seja, durante a sessão repara-se em vários defeitos, mas depois as qualidades os sobrepõem e a impressão de que é um filme bom vai crescendo.
Trailer





Rumba

(idem, França/Bélgica, 77 minutos, 2008)

Direção, roteiro e produção: Dominique Abel, Fiona Gordon e Bruno Romy

Com Dominique Abel, Fiona Gordon e Phillipe Martz


Nota 6,5

terça-feira, 7 de julho de 2009

Tarantino's Mind

O curta de hoje é quase um presente. Vale demais conferí-lo.

Tarantino's Mind é nacional, de 2007 e teve sua estreia em festivais no FIC Brasília daquele ano.

A premissa é simples: dois amigos encontram-se num bar para discutirem suas teses sobre os filmes de Quentin Tarantino. Os amigos em questão são Selton Mello e Seu Jorge.

Gostaria de saber se Tarantino assistiu ao curta e o que ele achou disso!

O que torna o curta genial são seus diálogos, inteligentes e muito engraçados.

O filme é da produtora carioca Republika Filmes e como foi dirigido por um conjunto de pessoas, eles creditam a direção como "300 ML", sabe-se lá porquê.

Além do festival já citado, ele passou também no Festival Internacional de Curtas de SP, no Festival do Rio e em diversos outros festivais naquele ano.

Divirtam-se... muito!

domingo, 5 de julho de 2009

Stella

Stella é uma criança que criou-se pelo mundo. Seus pais são donos de uma bar em Paris, na década de 70, onde promovem (e participam) diariamente encontros boêmios, regados a muita música, bebida, brigas e vez por outra, jogos de futebol. Com essa vida desregrada os pais não dão a atenção devida à menina, que passa pelo momento crucial na formação de um cidadão, que é a entrada na adolescência.

A menina acaba de entrar num colégio novo e o ambiente no qual vive em casa não ajuda em nada nos estudos. Como ela mesma diz (o filme é narrado em off por ela), sabe cantar, dançar, correr, sabe tudo sobre futebol, mas não sabe quem são Cocteau ou Balzac. Suas notas, consequentemente, são baixas e ninguém na nova escola dá-lhe confiança. Até que uma amizade inusitada se forma, com a aluna mais aplicada da turma, Gladys. E por influência da nova amiga, descobre os livros e o encanto de sentir-se, aos poucos, inserida entre as crianças da sua idade, na escola.

Há muitas semelhanças entre este filme e os recentes O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias e Valentín (além de tantos outros filmes que abordam o amadurecimento precoce de crianças). Todos passam-se na mesma época, os pais são ausentes (cada qual da sua maneira), as crianças protagonistas estão no mesmo processo de amadurecimento e descobertas, criam o próprio mundo e arranjam algum amigo para lhes ajudar, além de alguma outra pessoa para se espelhar. São todas crianças muito carentes, que diante de qualquer manifestação de carinho, por menor que seja, já sentem que são as crianças mais felizes do mundo.
Talvez isso aconteça por serem filmes de autores/diretores que viveram nessa época de opressão (Stella é semi autobiográfico), na qual era muito comum os jovens pais serem tão perdidos no mundo a ponto de não perceberem a importância de dar atenção aos filhos.

O longa não chega a ser excelente como os exemplares que usei nas comparações: a protagonista não tem o carisma à altura de sua personagem (tendo a cena roubada pela menina Melissa Rodrigues, que vive a amiga Gladys), a contextualização não é bem explorada e o ritmo sai prejudicado, talvez pelo apego da diretora a algumas cenas e personagens que seriam desnecessárias, como a exagerada cena da professora de inglês ou a personagem da professora de História, que é apresentada num momento em que parecia que faria alguma diferença na vida da menina Stella, mas não passa dali, perdendo o sentido de existir.

Mesmo sendo uma história clichê, Stella consegue ser um bom filme, fruto da sensibilidade da diretora Sylvie Verheide e do diretor de fotografia Nicolas Gaurin, cuja câmera capta tudo pela altura da protagonista, que é muito curiosa e flagra diversos momentos que afetarão sua formação, como a traição da mãe ou a aula de tiro dada pelo pai. Além disso, o filme conta com uma ótima trilha sonora, assinada pela banda NousDeux the Band.

Apesar de eu esperar um pouco mais, valeu o ingresso.


Trailer



Stella
(idem, França, 103 minutos, 2008)
Direção e roteiro: Sylvie Verheide
Com Leora Barbara, Melissa Rodrigues, Laëtitia Guerard, Benjamin Biolay, Guillaume Depardieu...

Nota 7,0

Blog de Ouro


Vez por outra, boas notícias surgem para dar um estímulo a mais para escrever no blog.

Elogios dos leitores e recomendações por outros blogueiros são o alimento para um blog melhor.

Essa semana recebi o meu primeiro selo (ia pôr no diminutivo, mas não ia pegar bem! ehehe), dado pelo amigo Charles M. Helmich, do Plano-sequência. Muito obrigado!

Quem recebe o selo, deve seguir algumas instruções:


1 – Exibir a imagem do selo “Blog de Ouro”.
2 – Postar o link do blog que te indicou.
3 – Indicar 4 blogs de sua preferência.
4 – Avisar seus indicados.
5 – Publicar as regras.
6 – Conferir se os blogs indicados repassaram o selo e as regras


Escolhi blogs cujos escritores têm um gosto parecido com o meu, assim, quem gosta deste blog aqui, irá gostar do deles também. Então, aí vão meus escolhidos:



Blog do Renato Silveira - http://www.cinematorio.com.br/

Blog do Pedro Tavares - http://www.cinemaorama.com/

Blog do Rafael Carvalho - http://movioladigital.blogspot.com/


Vale a pena conferí-los!


Por último, fui também indicado pelo amigo Altieres, do Tomada 7, que está sempre comentando por aqui e me conferiu o selo "Prêmio Mouse de Ouro". Valeu, Altieres!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Notas Sobre um Escândalo


A sinopse do filme é bem simples: professora novata e promissora vê sua carreira e casamento ruírem a partir do momento em que é acusada de ter relações sexuais com um de seus alunos.

A professora em questão é Sheba Hart (Cate Blanchett), que acaba de iniciar seus trabalhos no ginásio e já se torna a queridinha da direção e encantadora dos alunos. Sua primeira amizade na escola é com outra professora, a veterana Barbara Covett (Judi Dench), que é justamente o seu oposto: aparentemente ranzinza, é odiada pelos alunos, mas tem o reconhecimento do corpo discente. Está prestes a se aposentar.

Depois de um tempo de formada a amizade, Covett tem um dilema: ela vê a amiga consumando as tais relações sexuais com um aluno e tem que decidir se denuncia ou não, abrindo mão da amizade pela qual ela se apaixonou.

A partir daí, a trama entra num ritmo doentio, cheio de ameaças e cada um vai tropeçando em seus próprios erros, num ritmo que vai de bola de neve a avalanche, até o ponto em que os personagens se revelam como são no fundo. E nesse fundo nem sempre tem coisas boas, geralmente é o excesso, a borra do café, que se ingerida, acaba com o gosto de todo o resto.
Mas vai saber! Tem gente que gosta de borra de café!

Cada personagem aqui é cheio de “pecadinhos” ocultos e os cometem por uma confusão de sentimentos que se colocados em primeiro lugar em ações e momentos incorretos da vida, são responsáveis por atitudes neuróticas, beirando a insanidade. Tudo quando o controle sobre seus sentimentos é deixado de lado pelo medo de perder o amor do outro.

O roteiro é escrito por Patrick Marber, o mesmo de Closer, mas aqui seu trabalho, baseado no livro de Zoe Heller, não é o ponto forte do filme. Ao contrário do filme de Mike Nichols, Notas não tem o tom de maturidade e ainda por cima é cheio dos clichês típicos dos filmes que querem parecer baseados em fatos reais, mas são fatores perdoáveis dentro do “pacote”.

O clima intimista, o desenvolvimento sempre crescente e tenso da trama e a capacidade de envolvimento do público provavelmente não seriam possíveis caso a escolha das atrizes fosse diferente. Poderia chamar de “guerra de atuação”! E no final acho que tudo termina num empate glorioso, com a sensação de ter visto atrizes cumprindo seu papel com louvor e dedicação.
Cate Blanchett e Judi Dench mereceram e sempre merecerão indicações a prêmios se continuarem com a postura profissional com a qual lidaram até hoje.

Li uma crítica do filme comparando-o a O Pentelho, com Jim Carrey, e realmente tem suas semelhanças (!), pelo lado psicótico que alguns personagens revelam ter, mas este aqui é feito com muito mais competência que aquele, sem precisar de muita pompa.

Vale a pena pra quem gosta de filmes intimistas, em tom de “história real”. Quem costuma assistir (e gostar) de besteirol, nem se dê ao trabalho.



(Notes on a Scandal, Inglaterra, 90 minutos, 2006)

Dir.: Richard Eyre

Com Cate Blanchett, Judi Dench, Bill Nighy


Nota 8,0

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A Era do Gelo 3

O brasileiro Carlos Saldanha está de volta aos holofotes com a terceira parte da franquia que o consagrou em Hollywood. Numa entrevista, ele disse que se preocupou em não subestimar a inteligência do público, principalmente das crianças. E teve êxito na proposta.

Dessa vez, a turma de animais estranhos de uma época inóspita passará por uma aventura em meio aos dinossauros.

O preguiça Sid descobre um mundo subterrâneo, onde encontra ovos e resolve adotá-los. Só que a mãe dos filhotes, uma dinossaura, vai atrás deles e acaba levando consigo o preguiça. Seus amigos, os mamutes Manny e Ellie, o tigre Diego e os gambás Crash e Eddie entrarão nesse mundo subterrâneo para resgatá-lo. Lá, eles terão como guia o novo personagem da série, o doninha Buck, uma espécie de Gato de Botas do Shrek, com as mesmas características e piadas.

Além dessa turma, o esquilo Scrat também está de volta, permeiando a história principal com suas aventuras atrás da tão sonhada noz. Só que dessa vez ele terá uma acompanhante/rival/paquera, cujo nome foi traduzido como Scratita, uma personagem muita bem-vinda, já que sua presença abriu um novo leque de piadas pro esquilo e ainda possibilitou o desenvolvimento de uma historinha de verdade: afinal, qual será a escolha definitiva de Scrat: a paquera ou a noz? O número musical que os três (os esquilos e a noz) protagonizam é impagável! Só não vou dizer o ritmo que os embala, porque para mim foi mais impactante na surpresa.

O roteiro não é nenhuma maravilha e os diálogos perderam muito da acidez dos primeiros dois filmes, mas ainda assim consegue oferecer ótimas sacadas no decorrer dos 94 minutos. As esquetes do Scrat (isso é trava-língua!) têm muito do Papa-Léguas, que também influencia algumas cenas do Sid. Talvez tenha sido uma boa influência, já que são estes os personagens que carregam o filme nas costas. O restante não tem muita graça, principalmente na versão dublada. As homenagens também estão sempre presentes: há cenas que fazem referência ao Rei Leão, aos Flintstones, ao Tico e Teco e até ao Náufrago e sua bola Wilson.

Fui assistir ao filme na versão 3D, mas para tanto, tive que sacrificar a dublagem original pela versão brasileira. Acontece que, ao contrário de outros lançamentos no novo formato, este aqui não tem razão para sê-lo. Pouquíssimas cenas têm o efeito impactante do 3D e a noção de profundidade dos cenários e personagens é bem menor do que foi em Monstros Vs Alienígenas, por exemplo. Fora que a dublagem é fraca (à exceção do excelente Tadeu Mello, como Sid) e tira a acidez de muitas piadas, que perceptivelmente teriam mais graça em inglês. Resumindo: se você já matou a curiosidade de assistir algo em 3D alguma vez, prefira a versão legendada 2D. Se você ainda não viu... bem, prefira a 2D também, porque senão vai achar (injustamente) que o 3D não é tudo isso que divulgam. A Era do Gelo 3 é D por puro oportunismo.

Pelo menos a nova obra de Carlos Saldanha consegue escapar da maldição de má qualidade que assombra as recentes trilogias (vida Homem-Aranha 3, Piratas do Caribe 3, Shrek 3 e por aí vai), arrancando várias gargalhadas do público (a cena da travessia na “tirolesa óssea” me faz rir só de lembrar dela), num ótimo programa-família-passatempo. Tem até espaço para a emoção, na cena do nascimento do bebê mamute, que é muito bonitinha, snif!

Dessa vez, não postarei nem trailer e nem trecho do filme. Ter assistido tantos trailers e esquetes antes de ir à sessão, fez com que o primeiro terço de filme perdesse quase que totalmente a graça. Não recomendo que assistam esses vídeos antes de ir ao cinema.


A Era do Gelo 3

(Ice Age: Dawn of the Dinossaurs, EUA, 94 minutos, 2009)
Direção: Carlos Saldanha
Roteiro: Michael Berg, Peter Ackerman, Mike Reiss e Yoni Brenner, baseado em história de Jason Carter Eaton
Produção: John C. Donkin e Lori Forte
Música: John Powell
Direção de Arte: Mike Knapp
Edição: Harry Hitner

Vozes originais: John Leguizamo, Queen Latifah, Simon Pegg, Sean William Scott...

Vozes brasileiras: Tadeu Mello, Márcio Garcia, Diogo Vilela, Cláudia Jimenez...


Nota 7,0

 
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