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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Os melhores filmes de 2011... que o Brasil não viu

É impressionante a quantidade de ótimos filmes que não chegaram aos cinemas brasileiros em 2011.

Por causa disso, nem pude incluí-los no TOP 2011, para que aquela lista não ficasse tão chata para quem não assistiu aos filmes. Mesmo assim, resolvi fazer um outro ranking, exatamente com estes filmes inéditos no Brasil. Quem sabe algum não interessa vocês, para colocar na listinha de desejos para 2012?


1) A Separação: Casal enfrenta dilema na hora de escolher onde viver. A esposa quer se mudar para o exterior para que a filha tenha mais oportunidades e o marido deseja fica no país e cuidar do pai que tem Alzheimer. Uma das poucas oportunidades de se chamar um filme de obra-prima. Previsão de estreia: 20 de janeiro.

2) O Artista: Hollywood, 1927. George Valentin um astro de filmes mudos teme que a chegada do cinema falado faça com que ele seja esquecido. Uma pérola este filme. Diferente, sensível, com conteúdo e entretenimento em doses acertadíssimas. Previsão de estreia: 10 de fevereiro.

3) Life in a Day: documentário de Kevin Mcdonalds, feito somente com vídeos do Youtube. Brilhante! Este não tem data de estreia, mas está disponível no próprio Youtube.

4) Another Year: drama de roteiro primoroso, com um elenco de primeiríssima.

5) Pina: homenagem do mestre Win Wenders à coreógrafa alemã Pina Bausch. Com exibição em 3D, que só faz aumentar a emoção. Difícil conter as lágrimas. Previsão de estreia: 16 de março.

6) Beginners: o filme de temática gay do ano tem como principal arma a simpatia de Ewan McGregor e a competência em pessoa, Christopher Plummer, que pode levar o Oscar de ator coadjuvante pelo papel.

7) Catfish: falso-documentário que transpira criatividade.

8) Im Himmel, Unter der Erde: documentário sobre o cemitério de Weißensee, em Berlim. Tão bonito que chega a arrepiar.

9) Jess + Moss: filme mais que independente, feito com lindas imagens em super 8, sobre dois garotos que vivem numa casa abandonada no campo. Experimentalismo à flor da pele.

10) Drive: tanto impacto unido a um roteiro excelente não se via nos cinemas há muito tempo. Faz páreo com Laranja Mecânica e  Cães de Aluguel. Previsão de estreia: 24 de fevereiro.

11) Arriety: mais uma pérola do estúdio de Hayao Myiazaki. O maior sucesso do Japão em 2010.

12) Submarine: comédia indie inglesa de diálogos engraçadíssimos e uma trilha sonora deliciosa, assinada por Alex Turner, do Arctic Monkeys.

13) Tomboy: que coisa mais linda este drama francês sobre uma menina que gostaria de ser menino! Previsão de estreia: 20 de janeiro.

14) Win Win: mais uma comédia indie que virou sucesso nos EUA. É para dar boas gargalhadas.

15) Kynodontas: filme grego totalmente experimental que surpreendeu ao ser indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Mas a Academia não foi ousada o suficiente para dar-lhe o prêmio.

16) Enter the Void: mais uma maluquice de Gaspar Noé (Irreversível), só que desta vez das boas. Lisergia total, uma viagem sem comparações. E uma das sequências de créditos mais sensacionais que o cinema já viu.

17) José e Pilar: documentário que mostra de perto José Saramago e sua esposa, Pilar. Além de muito bem montado, é um prazer compreender mais um pouco o modo Saramago de ver a vida.

18) The Throll Hunter: filme de monstro sueco de efeitos ótimos, boa história e atmosfera muito bem construída.

19) Nesvatbov: comédia-meio-documentário mais que hilária, sobre um prefeito que tenta formar casais numa cidade ameaçada de extinção por não ter novos casais e crianças há anos. Bizarro.

20) Abismo Prateado: novo filme de Karim Ainouz, um drama difícil de digerir, enxuto e preciso.  Previsão de estreia: Abril.

21) Almanya - Willkommen in Deutschland: road movie sobre uma família de imigrantes turcos na Alemanha. Roteiro redondinho, filme gracioso.

22) Griff - The Invisible: filme australiano, sobre um jovem que pensa ser super-herói. Mostra como se faz uma comédia de superherói sem precisar de um grande orçamento. Protagonista engraçado e história bem dosada entre a comédia e o romance.

23) O Guarda: filme gêmeo de Na Mira do Chefe (In Bruges), novamente com o incrível Brendan Gleeson no elenco. Humor negro afiado e mais um roteiro bem escrito.

24) As Mulheres do Sexto Andar: divertida comédia francesa com um elenco cheio de espanholas, sobre empregadas domésticas que moram no último andar do prédio onde trabalham. É como um Almodovar francês, com direito também a Carmem Maura no elenco. Previsão de estreia: 27 de janeiro.

25) Ausente: thriller argentino de temática gay, intrigante na medida certa e de muito bom gosto.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Os melhores filmes de 2011

Depois da tempestade, a bonança. Agora que vocês já conheceram as decepções, chegou a hora  boa de eu mostrar-lhes as minhas obras preferidas de 2011. Primeiramente compilei somente os filmes que estrearam no Brasil, pra que vocês possam palpitar, concordar ou discordar com mais facilidade. Mas a maioria dos bons filmes que vi em 2011 ainda não estrearam em terras tupiniquins, o que é uma pena. Depois digo quais foram esses filmes, para que sirva de recomendação para vocês em 2012. Sem mais enrolações, segue a lista, juntamente com o meu desejo de feliz 2012 a todos!

1) Cisne Negro
(Black Swan, EUA, 108 minutos, 2010)
Dir.: Darren Aronofsky

2) A Pele Que Habito
(La Piel que Habito, Espanha, 117 minutos, 2011)
Dir.: Pedro Almodovar

3) Tropa de Elite 2
(idem, Brasil, 115 minutos, 2010)
Dir.: José Padilha

4) Namorados para Sempre
(Blue Valentine, EUA, 112 minutos, 2010)
Dir.: Derek Cianfrance

5) Amor à toda Prova
(Crazy Stupid Love, 118 minutos, 2011)
Dir.: Glen Ficarra, John Requa

6) Meianoite em Paris
(Midnight in Paris, Espanha/EUA, 94 minutos, 2011)
Dir.: Woody Allen

7) Quero Matar Meu Chefe
(Horrible Bosses, EUA, 98 minutos, 2011)
Dir.: Seth Gordon

8) Melancolia
(Melancholia, Dinamarca/Suécia/França/Alemanha, 136 minutos, 2011)
Dir.: Lars von Trier

9) Amores Imaginários
(Les Amours Imaginaires, Canadá, 95 minutos, 2010)
Dir.: Xavier Dolan

10) Senna
(idem, Inglaterra, 106 minutos, 2010)
Dir.: Asif Kapadia

11) Planeta dos Macacos: a Origem
(Rise of the Planet of the Apes, EUA, 105 minutos, 2011)
Dir.: Rupert Wyatt

12) O Ilusionista
(L'Illusioniste, Inglaterra/França, 80 minutos, 2010)
Dir.: Sylvain Chomet

13) Reencontrando a Felicidade
(Rabbit Hole, EUA, 91 minutos, 2010)
Dir.: John Cameron Mitchell

14) Tio Boonmee
(Loong Boonmee Raleuk Chat, Tailândia, 114 minutos, 2010)
Dir.: Apichatpong Weerasethakul

15) Incêndios
(Incendies, Canadá/França, 130 minutos, 2010)
Dir.: Dennis Villeneuve

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As decepções de 2011


O ano de 2011 não foi muito produtivo para o blog, já que decidi cessar, pelo menos por um tempo, com os constantes posts, por conta da demanda dos estudos aqui em Berlim. De qualquer forma, consegui assisti uma quantidade boa de filmes e, por isso, resolvi voltar para compartilhar com vocês as minhas listas do ano: os melhores filmes, as decepções e as recomendações para 2012. Primeiramente, compartilho as minhas decepções do ano, ou seja, aqueles filmes que nutriram alguma expectativa, mas nem de longe a supriram. Coisas do tipo “Atividade Paranormal 1523” não são citadas, simplesmente porque não me dou ao trabalho de assistí-las.

1- Un Mundo Misterioso (idem, Argentina): uma das principais perguntas entre os jornalistas do último Festival de Berlim era “como um filme tão horroroso conseguiu entrar para a Mostra Competitiva de um dos principais festivais do mundo?”. A resposta nunca veio...

2- Os Residentes (idem, Brasil): cobrir o Festival de Berlim foi uma emoção e tanto, mas quão grande não foi minha decepção ao perceber que um dos dois longas brasileiros selecionados era, na verdade, um dos piores filmes já vistos por ali. Que vergonha.

3- Yelling to the Sky (idem, EUA): mais uma decepção daquele festival. Que coisa brega, uma história piegas e batida sobre guetos. Uma pena ver que a talentosa Gabourey Sidibe não conseguiu nada melhor depois da ótima interpretação em Preciosa. Fora a decepção de conhecê-la e perceber que a simpatia que via na mídia era só fachada...

4- Desconhecido (Unknown, Inglaterra/Alemanha/França): filme de extremo mal gosto, cheio de falhas no roteiro, sem pé nem cabeça. A decadência de Liam Neeson.

5- Brasil Animado (idem, Brasil): como pode um filme como este surgir de repente e entrar para a história do cinema nacional como a nossa primeira animação em 3D. Isso devia ser proibido. Nós merecíamos uma estreia melhor no gênero.

6- Kung Fu Panda 2 (idem, EUA): depois de uma primeira parte tão descontraída, leve, sem se levar a sério (no melhor dos sentidos), a continuação foi tomada pela maldição do “quanto maior e mais sombrio, melhor”. Perdeu tudo que o primeiro tinha de bom.

7- Cópia Fiel (Copie Conforme, França/Itália/Bélgica): que o mestre Kiarostami me perdoe, mas dessa vez ele errou na dose de pedância. Fico entediado só de pensar.

8- Sing Your Song (idem, EUA): documentário sobre o cantor Harry Belafonte, feito para mostrar para os netinhos o quão benevolente ele é. Sic.

9- Trabalho Interno (Inside Job, EUA): o tipíco documentário feito somente para aqueles que já entendem do tema tratado. Para o resto, uma enxurrada de números e informações que não deixa tempo nem para respirar, quiçá pensar. Devia se chamar “Piada Interna”.

10- Contra o Tempo (Source Code, EUA): coisa mais do que sem graça. Jake Gyllenhall se metendo numa bobagem tão enfadonha... Preguiça de comentar.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Crítica: Brasil Animado


Olha, tem umas coisas que eu não consigo entender no cinema nacional – e que sim, me irritam. Este tal de Brasil Animado, por exemplo: numa época em que já está mais que comprovado que animações em 2D não chamam mais públicos e que filmes bobinhos demais só servem para passar na tevê, o que resolvem fazer? Uma propaganda institucional do Brasil, disfarçada de animação e o que é pior, ainda ousa em ser feito em um 3D sem o menor sentido. A maior dó é saber que este filme vai ficar na história do cinema nacional como a primeira animação 3D.

O roteiro é algo inacreditável de tão bobo. Por quase 80 minutos, acompanhamos a dupla Stress e Relax na busca pelo jequitibá rosa, uma espécie arbórica rara, a mais antiga do Brasil. O intuito é ficar rico vendendo ingressos para observá-la. Assim, os dois vão do Oiapoque ao Chuí, num esquema excessivamente didático que estabelece que, a cada parada, um novo passeio turístico dar-se-á pelos seus pontos clichês, guiados pela dupla.

No começo ainda dá para relevar a propaganda, mas chega um momento em que já não se aguenta mais tanta repetição – ainda mais sem possuir um fator gracioso sequer. A impressão é de que estamos pagando para assistir a uma propaganda da Embratur. Algo que não me saía do pensamento era a ideia de que tal roteiro, na verdade, seria o roteiro perfeito. Pensem bem: num país dependente de leis de fomento e editais governamentais para se produzir cinema, quer maior facilitador do que ser uma propaganda do governo? Melhor ainda: tendo em mãos uma proposta que, dentre outros pontos, também exija passar pelas cidades para filmar seus pontos turísticos e inserí-los no filme em live-action, pode-se também rodar o Brasil de graça! Quem não gostaria de uma produção assim?

Maurício Ricardo, que produz suas charges com técnica semelhante, a toque de caixa e numa velocidade impressionante – com a diferença que de vez em quando acerta na piada – estaria dando bobeira em perder uma mamata destas. A zombaria é tanto que, durante os créditos finais, aparecem dois elementos da equipe tomando banho de mar e a dublagem dizendo: “ei, não era para estes dois aí estarem trabalhando? O que eles estão fazendo no mar?”.

Acho ótimo que se tente expandir os gêneros e produzir animações também no Brasil - até porque temos profissionais super talentosos, só à espera de incentivo financeiro -, mas não me conformo que façam isso com tamanha displicência, sem sequer pensar em mercado, principalmente num projeto assim, que deveria ser voltado para... o mercado. Ou vai dizer que o intuito era artístico e que não importa que não seja visto por muita gente?

Para não dizer que tudo são espinhos, é preciso exaltar pelo menos a dublagem de Eduardo Jardim, que confere um pouquinho de credibilidade não só à dupla protagonista, como uma penca de outros pequenos personagens.

No fim das contas, pelo menos como uma ferramenta didática em substituição às insossas cartilhas de estudos sociais este longa poderia servir.

Eu duvido que, num esquema industrial, algo assim seria produzido, com um orçamento de 3 milhões de reais, que dificilmente seria pago nas bilheterias – a arrecadação total não chegou nem a 800 mil reais. Aí quando o público brasileiro prefere ver Toy Story, reclamam.

Trailer:

(idem, Brasil, 75 minutos, 2011)
Dir.: Mariana Caltabiano
Dublagem de Eduardo Jardim
Nota 3,0

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dicas: Religulous; A Matter of Size

Longo tempo sem postar, então seguem aí duas dicas pra vocês:


A Matter of Size (2009)

Filme israelense inusitado e muito divertido, sobre quatro amigos gordos que, saturados de tentarem fazer dieta numa espécie de Vigilantes do Peso ditatorial, resolvem assumir-se felizes como são e encontram na prática do sumô uma diversão e válvula de escape que nunca imaginaram poder ter.

O elenco é ótimo, as piadas e a trilha sonora são sutis e tem nas peculiaridades do sumô e da cultura israelense uma forma de escapar dos clichês que uma comédia assim poderia ter. É um filme extremamente simples, mas um ótimo programa.




Religulous (2008)

Larry Charles já era odiado por todo e qualquer religioso fervoroso, por conta de seus shows de stand-up comedy, nos quais ele fazia piada em cima dos costumes de várias religiões. Depois de Religulous, definitivamente virou persona non grata em muitos lugares tidos pelos seguidores como sagrados.

E não foi por menos. É incômodo quando alguém chega com questionamentos acerca do que acreditamos – não só no que tange às crenças religiosas – e nos deixa sem resposta ou coloca em xeque aquilo que se é pregado.

Visitando inúmeros chefes religiosos pelo mundo, Larry tenta levar um papo mais racional com todos eles, com civilidade, tentando entender o porquê de tanto fervor e tentando também convencer-nos de que a religião é o pior mal que a humanidade já teve. Para tal ele assume uma coragem impressionante e não tem medo de colocar o dedo nas feridas e de ser polêmico. O melhor é que ele faz isso com bastante estudo prévio e argumenta com coesão.

É claro que o documentário possui uma visão extremamente parcial e unilateral, mostrando apenas a influência negativa que as religiões exercem na sociedade. Por vezes, até faz piada quando não deve e usar de claros artifícios de montagem - antiéticos, que se diga - para ridicularizar alguns dos entrevistados.

Mas por mais que seja manipulado, Religulous é um documento extremamente válido para que as pessoas (re)pensem o quanto vale a pena ser religioso e o quanto isso é caro para a humanidade. Recomendado para ateus, agnósticos e principalmente, para os religiosos que conseguirem deixar um pouco o fervor de lado e entrar para o debate.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Crítica: Griff The Invisible


Quando se quer fazer um filme de super-herois e não se tem dinheiro para efeitos especiais, simplificam-se as cenas, usa-se a imaginação e investe-se no desenvolvimento dos personagens. Foi assim que o australiano Griff The Invisible conseguiu todo o seu êxito.

Sua história é prima de Kick Ass, só que, com orçamento e hype bem menores, a criatividade precisou entrar em cena e o resultado foi ainda mais bacana que o do primo rico.

Griff (Ryan Kwanten) trabalha num escritório durante o dia. Lá é sempre objeto de gozação dos colegas. É tido como um banana, ideal para ser saco de pancadas. Em casa, ele faz experimentos estranhos, que ele acredita que podem transformá-lo num superheroi. Todas as noites, sai pela cidade com a intenção de combater o crime. Seu único amigo é seu irmão mais velho, Tim (Patrick Brammal). Mas a única pessoa em quem Griff encontrará apoio para seus experimentos é Melody (Maeve Dermody), namorada de Tim. Só que Melody também acha que consegue ter poderes especiais, caso treine-os com dedicação – ela acha que pode atravessar paredes, um dom que provocará gargalhadas no público.

O mais interessante é que o diretor Leon Ford conseguiu desenvolver uma história de superheroi com o mínimo de efeitos visuais possíveis, sem por isso diminuir a fantasia na cabeça das pessoas. Ainda melhor, ele cria uma história de amor entre dois renegados pela sociedade, superherois mais comuns na vida real do que se possa imaginar. Por isso, a fantasia cria imediata identificação com o público e o envolvimento com os personagens graciosos é fácil. É, acima de tudo, uma história de pessoas que sentem-se isoladas por não serem compreendidas e que por isso, se conectam e se protegem. Para eles, não importa se ninguém acredita no que eles acreditam; o que importa é que aquela verdade os move e os faz felizes. É piegas, mas é sincero.

Ryan Kwanten é uma revelação. Sua mistura de patetice juvenil com a maturidade de quem já se sustenta sozinho é bem equilibrada. Fora isso, o ator dota de uma expressão corporal incrível – leia-se estabanado – e um timing afiado para comédia. Sua química com Maeve Dermody é imensa, assim como a interação com Patrick Brammal – os dois parecem irmãos na vida real, tamanha semelhança e introsamento. Este trio sustenta o filme, faz rir e apaixonar.

A trilha sonora engraçadíssima complementa o êxito desta comédia cute indie, que só peca um pouco pela técnica, especialmente a fotografia, muitas vezes embaçada (e não era defeito da projeção) e outras excessivamente pixelizada.

O cinema australiano já mostrou potencial para atravessar oceanos com a emocionante animação Mary & Max e agora confirma que tem potencial para mais, com esta comédia romântica de humanidade visível e fantasia invisível.

Trailer:

(idem, Austrália, 90 minutos, 2011)
Dir.: Leon Ford
Com Ryan Kwanten, Patrick Brammal, Maeve Dermody
Nota 8,5


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Crítica: Paul


A dupla Simon Pegg e Nick Frost já brindou o público com filmes divertidíssimos, como Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso, ambos infelizmente lançados diretamente em dvd no Brasil. Com a nova parceria, Paul, eles entram em cartaz nos cinemas.

Paul é o nome de um alienígena que volta à Terra cinquenta anos após sua primeira incursão, agora a fim de reencontrar a menina que o salvou. Quem ajudará o ET serão os nerds Clive e Graeme, que sairam da Inglaterra para realizar o sonho de participar da Comic-Con, maior feira de cultura pop do mundo, que acontece anualmente na Califórnia, EUA.

A química entre Pegg e Frost é evidente e o timing afiado de ambos gera momentos hilários, complementados ainda por diálogos sarcásticos de autocrítica e críticas sociais, especialmente no que tange as questões religiosas e científicas. A dupla foi também responsável pelo roteiro, escrito no melhor estilo Sessão da Tarde e só não será exibido à exaustão na tevê como tal, por causa da quantidade desenfreada de piadas sexuais e a sanguinolência inesperada – e por vezes chocante – da sua segunda metade.

Mais um filme da panelinha de novos comediantes estadunidenses, tem em sua equipe nomes como Seth Rogen (Ligeiramente Grávidos), Bill Hader (Superbad), Jason Bateman (Ressaca de Amor) e Joe Lo Truglio (Superbad), além do diretor Gregg Motolla (Superbad). Outros nomes conhecidos do grande público também povoam o filme, na intenção de fazer piadinha e conexão com outros filmes de alienígenas, mas nenhuma destas participações funciona e é justamente no momento em que elas surgem, que o filme perde a graça.

Como efeitos visuais já não são mais fatores revolucionários, a composição do alienígena fica quase banal, mas é preciso ressaltar a evolução no trabalho de movimentação de boca deste bicho, bem próxima do natural humano. Sua dublagem, por Seth Rogen, soa estranha no começo, pois o tom grave da voz do ator parece incompatível com um corpo tão mirrado como o de Paul. Depois de um tempo acostuma-se com o fato, principalmente porque Rogen também faz rir um bocado.

Longe ser intelectual e muito próximo da atual onda cômico-nerd que vira-e-mexe entrega títulos divertidos para o cinema, Paul é uma boa opção para um programa vespertino de fim de semana ou uma válvula de escape após um dia cansativo de trabalho. 

Trailer:

(idem, EUA/Inglaterra, 106 minutos, 2011)
Dir.: Gregg Motolla
Com Simon Pegg, Nick Frost, Seth Rogen
Nota 7,0




 
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