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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Crítica: O Fim da Escuridão


Sinceramente, não sei o que deu em mim para querer assistir O Fim da Escuridão, filminho novo com Mel Gibson, interpretando mais um personagem sou-fervoroso-pai-de-família-e-só-faço-coisas-politicamente-corretas, o rei da justiça, de corpo fechado.

Grande candidato a “chatice do ano”, o filme é dirigido por Martin Campbell (007 - Casino Royale) e tem como protagonista o detetive em fim de carreira Thomas Craven, que presenciou o assassinato da própria filha e resolveu investigar o acontecimento, contra tudo e contra todos, passando pelos maiores perigos e descobrindo perigosos segredos da indústria de armas nucleares norteamericana. Trata-se de uma refilmagem de uma série de tevê. Para mim, trata-se de uma refilmagem de qualquer filme ruim do gênero.

Recheado de situações forçadas e diálogos que mais parecem uma colagem de clichês e frases de efeitos, o filme apresenta um Mel Gibson cada vez mais sem vigor, não dando conta nem das cenas mais tranquilas de “lutas coreografadas”.

A trilha sonora força um sensacionalismo desnecessário, evocando os piores exemplares de ação da Tela Quente dos anos 80. O pensamento constante de quem assistí-lo será: “já vi isso antes”; “já ouvi isso antes”; e por aí vai.

Depois de muito tempo, um personagem proclama: “o povo sabe que merece coisa melhor”. Ele tem razão: o público não ficou muito afim de ir ao cinema ver esta sucessão de repetecos e pelo que apontam os primeiros números, não deve sequer se pagar.

Outros títulos seriam mais adequados à obra. Que tal: “A Escuridão Total” ou “Um Tiro no Escuro” ou “Sem Luz no Fim do Túnel” ou... ah, deixa para lá!

Trailer: 

(Edge of Darkness, Inglaterra/ EUA, 120 minutos, 2010)
Dir.: Martin Campbell
Com Mel Gibson

Oscar 2010: lista completa dos indicados


Foi dada a largada! Foram anunciados na manhã desta terça-feira os indicados ao Oscar 2010.

Quem saiu na frente foram os filmes Avatar e Guerra ao Terror, dirigidos por James Cameron e Kathryn Bigelow, ex-marido e mulher, cujos filmes tiveram nove indicações cada. 
 
Neste ano, a categoria de Melhor Filme voltou a ter dez indicados, como era feito até 1943. A intenção é dissipar os votos, possibilitando filmes que têm menos dinheiro para campanha para vencer tenham a mesma chance de ganhar que os “ricos candidatos”. Resta saber se a tática dará certo.

Vamos à lista completa dos indicados (façam suas apostas!):

Melhor filme
“Avatar”
“O Lado Cego”
“Distrito 9″
“Educação”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Preciosa”
“A Serious Man”
“Up – Altas Aventuras”
“Amor Sem Escalas”

Melhor diretor
James Cameron, “Avatar”
Kathryn Bigelow, “Guerra ao Terror”
Quentin Tarantino, “Bastardos Inglórios”
Lee Daniels, “Preciosa”
Jason Reitman, “Amor Sem Escalas”

Melhor ator
Jeff Bridges, “Crazy Heart”
George Clooney, “Amor Sem Escalas”
Colin Firth, “A Single Man”
Morgan Freeman, “Invictus”
Jeremy Rennet, “Guerra ao Terror”

Melhor atriz
Sandra Bullock, “O Lado Cego”
Helen Mirren, “The Last Station”
Carey Mulligan, “Educação”
Gabourey Sidibe, “Preciosa”
Meryl Streep, “Julie & Julia”

Melhor ator coadjuvante
Matt Damon, “Invictus”
Woody Harrelson, “The Messenger”
Christopher Plummer, “The Last Station”
Stanley Tucci, “Um Olhar do Paraíso”
Christoph Waltz, “Bastardos Inglórios”

Melhor atriz coadjuvante
Penelope Cruz, “Nine”
Vera Farmiga, “Amor Sem Escalas”
Maggi, “Crazy Heart”
Anna Kendrick, “Amor Sem Escalas”
Mo’Nique, “Preciosa”
Melhor animação
“O Fantástico Sr. Raposo”
“Coraline e o Mundo Secreto”
“Up – Altas Aventuras”
“A Princesa e o Sapo”
“The Secret of Kells”

Melhor roteiro original
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“The Messenger”
“A Serious Man”
“Up – Altas Aventuras”

Melhor roteiro adaptado
“Distrito 9″
“Educação”
“In the Loop”
“Preciosa”
“Amor Sem Escalas”

Melhor filme estrangeiro
“Teta Assustada”, Peru
“A Fita Branca”, Alemanha
“O Profeta”, França
“Ajami”, Israel
“O Segredo de Seus Olhos”, Argentina

Melhor direção de arte
“Avatar”
“O Imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“Sherlock Holmes”
“A Jovem Victoria”

Melhor fotografia
“Avatar”
“Harry Potter e o Enigma do Príncipe”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“A Fita Branca”
Melhor figurino
“Brilho de uma Paixão”
“Coco Antes de Chanel”
“O Imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“A Jovem Victoria”

Melhor edição
“Avatar”
“Distrito 9″
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Preciosa”

Melhor maquiagem
“Il Divo”
“Star Trek”
“A Jovem Victoria”

Melhor trilha sonora
“Avatar”
“O Fantástico Sr. Raposo”
“Guerra ao Terror”
“Sherlock Holmes”
“Up – Altas Aventuras”

Melhor canção original
“A Princesa e o Sapo”, com “Almost There”
“A Princesa e o Sapo”, com “Down in New Orleans”
“Paris 36″, com “Loin de Paname”
“Nine”, com “Take It All”
“Crazy Heart”, com “The Weary Kind”

Melhor documentário de longa-metragem
“Burma VJ”
“The Cove”
“Food, Inc”
“The Most Dangerous Man in America”
“Which Way Home”

Melhor documentário de curta-metragem
“China’s Unnatural Disaster: The Tears of Sichuan Province”
“The Last Campaign of Governor Booth Dardner”
“Music by Prudence”
“Rabbit à la Berlin”

Melhor curta-metragem de animação
“French Roast”
“Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty”
“The Lady and the Reaper”
“Logorama”
“A Matter of Loaf and Death”

Melhor curta-metragem
“The Door”
“Instead of Abracadabra”
“Kavi”
“Miracle Fish”
“The New Tenants”

Melhor edição de som
“Avatar”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Star Trek”
“Up – Altas Aventuras”

Melhor mixagem de som
“Avatar”
“Guerra ao Terror”
“Bastardos Inglórios”
“Star Trek”
“Transformers – A Vingança dos Derrotados”

Melhores efeitos visuais
“Avatar”
“Distrito 9″
“Star Trek”

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O Cinema e a arte de produzir recordes


Hollywood é feita de números. Para gerar matérias e divulgar seus filmes, todo tipo de recorde é criado.

Outro dia, um dado peculiar foi pauta para várias matérias sobre Sherlock Holmes: o filme tornou-se a segunda maior estreia para um filme que estreou em segundo lugar, com cerca de 62 milhões de dólares no primeiro fim de semana, atrás apenas de O Dia Depois de Amanhã, com 68 milhões.

Logo em seguida, veio outro: O Lado Cego (Blind Side), filme com Sandra Bullock, é o “filme de esportes” com a maior arrecadação da história, com 237 milhões de dólares embolsados, só nos EUA. Amor Sem Escalas, com George Clooney, já é a quinta maior bilheteria para um filme que nunca esteve entre os 5 primeiros do ranking dos “esteites”, apenas 14 milhões de tornar-se o maior da categoria.

Filmes como Titanic, Batman – o Cavaleiro das Trevas, a trilogia O Senhor dos Anéis, as franquias Harry Potter e Homem-Aranha tiveram seus nomes ainda mais evidenciados na mídia por causa dos seus desempenhos, o que contribuiu para que ficassem mais tempo em cartaz. 
 
Mas nada se compara à grandiosidade de Avatar, que bateu na última semana o recorde de Titanic como a maior bilheteria de todos os tempos, sendo também, desde domingo (31), o primeiro filme a ultrapassar a barreira dos US$ 2 bilhões arrecadados ao redor do planeta. Sua longevidade é tão grande que obrigou distribuidoras a adiarem algumas estreias, especialmente aquelas em formato 3D, como Premonição 4 e Alice no País das Maravilhas, por falta de espaço na mídia e principalmente nas salas de cinema, ainda com sessões lotadas mundo afora.

No Brasil, a fábrica de números funciona em câmera lenta. São raros os casos em que a mídia dá espaço a “filmes numéricos”. Se Eu Fosse Você 2 bateu o recorde de público da chamada Retomada (movimento de reestruturação do cinema, iniciado em 1995) e contou com ampla divulgação (fator essencial para o bom desempenho de um filme), o que contribuiu para sua longevidade. Foram mais de 6 milhões de espectadores e 50 milhões de reais em caixa. Por um momento, parecíamos fortes e capazes. Parecia evidente a necessidade de investir não só em produção, como em distribuição e divulgação, além de “produzir matérias”.

Agora, no início de 2010, os números da Ancine apontavam: o cinema brasileiro obteve a maior arrecadação dos últimos cinco anos. Nada (ou quase nada). Foram poucos os que se deram ao trabalho de divulgar o dado.

Os números ajudam a produzir matérias, que divulgam os filmes e os ajudam a arrecadar mais. Eu detesto assumir isso, mas lá fora os gringos já sabem a importância da divulgação e da ostentação dos milhões. 
  
Diria que é uma questão de “fomento à competitividade”, uma necessidade saudável de querer ser melhor que o outro.

No Brasil, o processo ainda está bem aquém da sua capacidade. O comodismo de apoiar-se em leis de fomento – sem a responsabilidade de gerar lucro – impera, a ficha da imprensa parece não cair e o nosso cinema, sem o orgulho de dizer “sim, eu posso”, apenas assiste a roda girar.


Fontes: Ancine, FilmeB e BoxOfficeMojo

domingo, 31 de janeiro de 2010

Crítica: Tokyo!


Tokyo! é uma compilação de três médias metragens situados em Tóquio e que exploram as peculiaridades dos japoneses e a situação problemática da habitação urbana que acomete aquela megalópole.

No primeiro, Interior Design, Michel Gondry (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças) tece um retrato da situação daqueles que acabam de chegar a Tóquio para tentar a vida. Hiroko e Akira são um jovem casal que se hospeda temporariamente na casa da amiga, Akemi. Akira, o rapaz, corre atrás do sonho de se tornar cineasta, mas a garota é menos segura de sí e, progressivamente, ela começa a se perder na imensidão da cidade.
 
Gondry tem uma imaginação incrível e usa de surrealismo para fazer metáfora com o claustrofóbico mundo daqueles que são mais frágeis diante de desafios. Seu terço de filme traz muito da influência das suas obras anteriores, inclusive dos clipes que dirigiu para Björk.

No segundo segmento, Merde, Leos Carax (Os Amantes de Pont-Neuf) faz um retrato do caos. Merde é uma “criatura dos esgotos” (encarnada pelo ator Denis Lavant, que dá um show), que sai do subterrâneo para atacar os cidadãos japoneses de forma descarada e terrível, criando um alvoroço da mídia em torno de si e despertando a fúria das autoridades. A histeria está armada e a população se manisfetará contra e a favor do ser bizarro. 
 
Neste média, cada um que teça sua interpretação. Pode viajar à vontade. Eu entendi que o merda lá foi gerado pela natureza para destruir quem a está destruindo. Representa tudo de ruim produzido pela humanidade. Ama a vida e detesta os humanos. Uma história de impacto e que faz pensar.

Na terceira parte, Shaking Tokyo, Bong Joon-Ho (O Hospedeiro) mostra a vida dos hikikomoris, um fenômeno que alastra-se pela cidade. São pessoas que isolam-se em casa e nunca mais saem de lá. Teruyuki está trancado há 10 anos e seu único contato com o mundo é o seu telefone. Até que um dia, numa das entregas de pizza, o chão começa a tremer e pela primeira vez em muito tempo, ele encara uma pessoa de frente. Tudo pode mudar dali para adiante.

Shaking Tokyo é um retrato do isolamento. Usa de um tema real para tratar de um assunto denso e cria um mundo futuro bem plausível, no qual um pequeno fator pode criar uma problemática enorme. A pressa e falta de interação física entre as pessoas está presente de maneira lúdica. O final é de uma poesia linda!

Três grandes diretores fazem deste filme a melhor e mais inteligente “compilação” que já vi. É surrealismo na veia. Um prato cheio para quem gosta de “viajar na maionese” (no bom sentido).

Trailer:

 

(idem, Japão/ França/ Alemanha/ Coréia do Sul, 112 minutos, 2008)

Dir.: Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-Ho

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Crítica filmada: Nine



Para ler a crítica, clique aqui.

Assista outras críticas filmadas aqui.

(idem, EUA/Itália, 118 minutos, 2009)
Dir.: Rob Marshall
Com Daniel Day-Lewis, Penélope Cruz, Marion Cottilard, Judi Dench, Nicole Kidman, Kate Hudson, Fergie e Sophia Loren

Crítica: Nine


A metalinguagem é o grande mote de Nine, novo filme de Rob Marshall (Chicago, Cabaret).

Guido Contini (Daniel Day-Lewis) é um cineasta de renome da década de 60, prestes a filmar sua nona obra, mas, sofrendo de pressão por parte do público e imprensa, tem um bloqueio criativo e não sabe o que fazer com o novo filme, chamado Itália. Guido buscará inspiração nas mulheres que o cercam: sua esposa (Marion Cottilard), sua mãe (Sophia Loren), sua amante (Penélope Cruz), a protagonista do seu filme (Nicole Kidman), a figurinista e conselheira (Judi Dench), uma repórter sedutora da revista Vogue (Kate Hudson) e uma prostituta (Fergie, vocalista do grupo Black Eyed Peas) que revelou-lhe “mundos novos” na sua infância. 
 
O filme é uma releitura da peça teatral homônima da Broadway, que por sua vez era inspirada na obraprima 8 ½, de Federico Fellini. O diretor escolheu para o elenco, segundo ele mesmo declarou, artistas que Fellini aprovaria. Sei. 
 
O elenco inteiro se preocupou em encarnar a alma italiana, com sotaques e aparências, inclusive Fergie, fazendo o que mais sabe: cantar e dançar, sem muitas falas. Daniel Day-Lewis é um ator impressionante. Encarna seus personagens com uma força tão grande que fica difícil não vangloriá-lo por qualquer papel que interprete. Seu Guido Contini é uma grande homenagem a Marcelo Mastroianni (que interpretou o personagem em 8 ½) e a Fellini, em sua fase de “bloqueio criativo”. Ah, se todo bloqueio criativo fosse assim! Em volta dele, as mulheres todas brilham, mas as estrelas de Marion Cottilard e Penélope Cruz têm mais intensidade. A segunda está cada dia melhor e protagoniza o melhor número musical do filme, usando todo seu poder de sedução.

Nine conta ainda com uma direção de arte que cuidou muito bem desde os grandiosos cenários, ruas e carros elegantes até a criação de um cartaz de filme no mesmo estilo em voga na década de 60 e uma direção de fotografia impecável, com variações de cenas entre o preto-e-branco e o colorido e excelentes escolhas de ângulos e movimentação de câmera. 
 
Até aqui, tudo muito bom. O problema é que Nine sofre do mal que acomete muitos filmes em Hollywood: retrata uma época e um país (neste caso, a Itália), mas é todo falado e cantado em inglês. Continuo achando isso inadmissível e isso estraga qualquer filme, para mim. Admiro Tarantino, que em seu Bastardos Inglórios não abriu mão das línguas e pôs alemão falando alemão, inglês falando inglês e francês falando francês. O único sopro de italiano em Nine são uns poucos versos da música cantada por Sophia Loren, que logo volta a falar o bom (?) e velho inglês.

Para lá da sua primeira metade, as mulheres que cercam o diretor bloqueado têm suas importâncias na vida dele reveladas e a história se esvai em cenas que parecem estar lá apenas para preencher espaço, o que faz o filme, de menos de duas horas, parecer ter três horas de duração.

Talvez um pouco mais de capricho no roteiro e uma montagem mais enxuta lapidariam a obra.
Nine é um filme divertido e cheio de brilho no começo, mas cansativo e (quase) apagado no final. Prometia ser um grande filme, mas infelizmente ficou só no “quase”.

De qualquer forma, não saiam do cinema antes dos créditos subirem. Há cenas dos bastidores e ensaios para os números musicais, bem interessantes e pertinentes.

Trailer:

(idem, EUA/Itália, 118 minutos, 2009)
Dir.: Rob Marshall
Com Daniel Day-Lewis, Penélope Cruz, Marion Cottilard, Judi Dench, Nicole Kidman, Kate Hudson, Fergie e Sophia Loren

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Crítica (filmada e escrita): INVICTUS



Pergunte à minha úlcera!”, responde um guardacostas de longa data do presidente sulafricano Nelson Mandela a um dos seus colegas novatos, que o questiona se o presidente tem o costume de dar trabalho, estando sempre perigosamente perto do povo. 
 
O fato é que Mandela tinha, desde que saiu da prisão – onde passou quase 28 anos de sua vida – a convicção de que descansar era perda de tempo (tornando-se um workaholic), que seu país precisava de um governante sempre presente e que o melhor caminho para o desenvolvimento era o perdão. Dessa forma, Madiba – como gostava de ser chamado pelos que o cercavam – deu ao mundo um tremendo “tapa de luva de pelica”, ao exigir que não fosse feito aos brancos o que foi feito com os negros na época do apartheid.

Mandela viu no campeonato mundial de rúgbi de 1995, uma oportunidade de acabar de vez com a divisão racial em que a África do Sul encontrava-se. “O esporte tem o poder (…) de unir as pessoas, de uma maneira que nada mais consegue”, proferiu ele. O time sulafricano, o Springboks, não eram considerados nem de longe para serem campeões, mas o presidente realizou um trabalho de apoio impressionante, com a ajuda do capitão da equipe, François Pienaar, levando o país às finais daquele campeonato.


O roteirista Anthony Peckham (Sherlock Holmes) baseou-se no livro Playing the Enemy, de John Carlin, para escrever a história, que parte do pressuposto de que todos já conhecemos a história de Nelson Mandela. Portanto, Invictus não é uma cinebiografia, mas um retrato de um acontecimento específico e marcante na história da África do Sul.

O diretor Clint Eastwood, depois de olhares sobre a história de outros países, como Japão (com Cartas de Iwo Jima) e EUA (Gran Torino), entrega mais uma obra impactante, filmada com o seu modo denso e cru de contar histórias. Como em seus outros filmes, ele conta com um elenco de atuações impecáveis, com grande destaque para Morgan Freeman, que captou brilhantemente o sotaque, as nuances, a serenidade e obstinação de uma das figuras mais marcantes da história mundial, Nelson Mandela.


Nos últimos vinte minutos do filme, somos convidados a assistir o jogo da final do campeonato, numa sequência de arrepiar até o último fio de cabelo. O cinema é transformado num imenso campo de rúgbi (preparem seus ouvidos) e apesar de ser um esporte de pouca identificação com os brasileiros, ficará difícil para os espectadores conterem a emoção. 
 
Sem precisar focar na biografia de Mandela, Invictus é o filme mais contundente sobre ele e sobre o que ele significa para seus país e para o mundo.

Crítica Filmada:
 



(idem, EUA, 133 minutos, 2009)
Dir.: Clint Eastwood
Com Morgan Freeman, Matt Damon
Nota 8,8

*estreia na sexta, dia 29/01 


domingo, 24 de janeiro de 2010

Crítica: Chéri



Antes, um parênteses: o que passou na cabeça de quem criou o cartaz deste filme? Ao vê-lo, pensei que tratava-se de uma história atual, uma comédia romântica que explorasse Michelle Pfeifer, no esplendor de seus 51 anos, tendo-a, inclusive, como o centro das atenções da obra, já que o nome de sua personagem está explicitado pelo título do filme. Acredito que muitos desavisados assistirão com esta expectativa. Mas não é nada disso. 
 
Chéri é um filme de época, sobre o perigo de um relacionamento entre um jovem e uma ex-prostituta. Chéri não é a bela Michelle e sim, o jovem ator Rupert Friend, que é “entregue” à prostituta Lea (Miss Pfeifer) pela sua mãe (Kathy Bates), para “criar experiência”, antes de ser designado para casar com Edmee, uma jovem nobre. A atenção do filme é dividida entre os caminhos de Lea e Chéri e suas interseções. Portanto, nada da jovialidade e do romantismo do cartaz. 
 

Em seu mais novo longa, o diretor Stephen Frears (A Rainha; Mrs Henderson Apresenta) está mais para Stephen Freezer. Tudo em Chéri parece ligado no automático, com a frieza de um aristocrata blasé. Fotografia, arte, figurino, montagem e direção não têm nenhum diferencial para qualquer outro filme inglês de época. 
 
Justamente pelo “modo automático”, alguns quesitos sofrem com a displicência - ou seria inovação onde não deveria? A trilha sonora parece fazer piada em cima da seriedade do roteiro, além de uma narração no estilo de historinhas infantis da Disney, uma incoerência só.


Apesar disso, o filme tem um roteiro (baseado no romance de Collette) que aborda muito bem as dificuldades, prós e contras de uma relação entre pessoas com muita diferença de idade e atuações ótimas de Kathy Bates e Michelle Pfeifer, cujas expressões escondem toda a amargura, ciúmes e sofrimento de uma mulher forte, mas com sentimentos de uma adolescente apaixonada. Parecia destruir-se por dentro. 
 
Chéri não é um filme ruim, mas comer frio um prato que era para ser servido quente não é de todo agradável. Exala perfume, mas no fim não fede nem cheira.


Trailer:


(idem, Inglaterra/França/Alemanha, 92 minutos, 2009)
Dir.: Stephen Frears
Com Michelle Pfeifer, Kathy Bates, Rupert Friend

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Crítica filmada: Amor Sem Escalas


URL do vídeo, para quem quiser incorporá-lo em outros blogs/sites: http://www.youtube.com/watch?v=-I-9rYk9T6U
(Up in the Air, EUA, 110 minutos, 2009)

Dir.: Jason Reitman

Com George Clooney, Anna Kendrick, Vera Farmiga, Jason Bateman


Crítica: Amor Sem Escalas



Ryan Bingham passou anos em escalas aéreas, visitando diversas cidades a serviço de empresas em crise. Seu trabalho: demitir pessoas. Sua filosofia de vida: viver sem amarras sentimentais. Para ele, tudo o que você precisa pode ser guardado numa mala de mão, teoria explicada pelo próprio em suas palestras. Seu grande objetivo: atingir 10 milhões de milhas voadas.

Mas exite uma grande ameaça para que ele não alcance a tal meta: seu chefe está para aprovar o projeto de uma funcionária novata, que propõe ações que poderão baratear e otimizar os serviços prestados pela empresa, o que significaria que Ryan não mais trabalharia “voando”.

Jason Reitman, diretor de Juno e Obrigado Por Fumar, oferece ao público, com este Amor Sem Escalas, mais uma história com ares de inovação, em que o tema maior a ser discutido são as relações entre as pessoas e como a tecnologia pode ajudá-las ou atrapalhá-las, tanto no âmbito pessoal quanto no âmbito profissional.
 
Seus dois personagens principais (Ryan e a novata, Natalie) são conflituosos entre si e por si só incoerentes, características indispensáveis para pessoas comuns. Enquanto um prega o distanciamento da família e a necessidade do corpo-a-corpo ao tratar de relações trabalhísticas, a outra é convicta de que é preciso construir uma base familiar para ser feliz, mas acredita que, no trabalho, quanto mais distantes emocionalmente os funcionários estiverem daqueles que os demitem, mais prático e mais fácil será o trabalho.

Com um roteiro original competente e com diálogos inteligentes, o filme suscita debates, sem falsos moralismos, sobre o embate da tecnologia com as relações humanas, numa excelente parábola moderna dos valores familiares, amorosos e profissionais.

O elenco sai-se muito bem, cada qual com seu personagem cheio de ambiguidades e válvulas de escape às quais recorrem para escapar da realidade. George Clooney é sutil e não precisa de ataques histéricos ou cacoetes para impressionar, assim como a jovem Anna Kendrick (Crepúsculo). Mas quem rouba a cena é Vera Farmiga (O Menino do Pijama Listrado), em mais uma atuação competente, como a mulher perfeita para Ryan, descolada e sem intenções sentimentais. 
 
Amor Sem Escalas é um filme nos moldes do Oscar, mas que exala novidade, sem apelar para emoções fáceis. Um ótimo programa para o fim de semana.

Trailer*:
*A crítica filmada encontra-se aqui




(Up in the Air, EUA, 110 minutos, 2009)
Dir.: Jason Reitman
Com George Clooney, Anna Kendrick, Vera Farmiga, Jason Bateman

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Conheçam Fred Burle, novo crítico de cinema do Jornal Alô Brasília (e outras novidades)


As notícias não param!

Recebi - e aceitei - um convite para publicar minhas críticas e artigos no Jornal Alô Brasília, veículo novo, mas muito bem difundido aqui na capital federal. As críticas e artigos serão publicados tanto na versão impressa quanto no Portal do jornal, bem como os vídeos também foram autorizados para serem veiculados no Alô Tv, que também faz parte do portal.

Neste link vocês podem ler a minha crônica de apresentação no jornal.

Fora isso, preciso dizer que estou produzindo meu primeiro longametragem, um documentário chamado Entorno da Beleza, dirigido por Dácia Ibiapina, minha querida ex-professora e premiada cineasta. Não posso dar mais detalhes, mas pelo material que já temos gravado e pelo andar da carruagem, temos um ótimo filme nas mãos e estou bem orgulhoso disso!

Outro filme meu, o curta "32 Mastigadas: 16 N e 16 S" foi escolhido como parte integrante das comemorações de Brasília 50 Anos!

Uma parceria que também acabei de fechar foi com os estúdios Disney, o que resultará em muitas promoções legais para vocês. Aguardem!


Por último, preciso agradecer o carinho dos meus colegas blogueiros, que dessa vez, foi explicitado pelo selo de "blog amigo" que me foi conferido pela querida Amanda Aouad, do CinePipocaCult, de Salvador, terra boa.

E claro, agradecer a todos os visitantes deste blog, que têm me dado retornos tão legais para tudo o que faço, tanto na parte escrita quanto na filmada.


Obrigado a todos!

Salve Geral está fora da disputa pelo Oscar



Que "Salve Geral" não seria escolhido para disputar a estatueta de melhor filme estrangeiro no Oscar 2010, todos já desconfiavam. O próprio diretor do filme, Sérgio Rezende, não nutria muita esperança de que isto acontecesse, como pode ser conferido na entrevista exclusiva que ele me deu, na época do lançamento no Brasil. 

A confiança era tão baixa que o filme nem teve, nos EUA, uma campanha digna de grandes concorrentes, nem para o Globo de Ouro e nem para o Oscar. A expectativa foi apenas confirmada, com a divulgação dos pré-selecionados na categoria de filmes estrangeiros, cujos nomes  e seus respectivos países produtores podem ser conferidos na lista abaixo:


Argentina : "El Secreto de Sus Ojos", de Juan Jose Campanella.
Austrália: "Samson & Delilah", de Warwick Thornton.
Bulgária: "The World Is Big and Salvation Lurks around the Corner", do diretor Stephan Komandarev.
França: "Un Prophète", de Jacques Audiard.
Alemanha: "The White Ribbon" (A Fita Branca), dirigido por Michael Haneke (leia a crítica).

Israel: "Ajami", de Scandar Copti and Yaron Shani
Cazaquistão: "Kelin", de Ermek Tursunov
Holanda: "Winter in Wartime", de Martin Koolhoven
Peru: "A Teta Assustada" (The Milk of Sorrow), de Claudia Llosar (leia a crítica aqui).




Dos nove pré-concorrentes, "A Fita Branca", de Michael Haneke, é considerado o grande favorito, tendo ganho, no último dia 17, o Globo de Ouro da categoria. O filme foi exibido em Brasília na abertura do FIC Brasília, tendo recebido muitos elogios da crítica local.

A lista com os cinco concorrentes definitivos em cada categoria da premiação será divulgada no dia 02 de fevereiro.

A crítica do filme Salve Geral pode ser conferida aqui.
 
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