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domingo, 14 de junho de 2009

Intrigas de Estado

Esse ano tem sido bem carente de boas estréias nos cinemas. Então, quando assistimos algo um pouco acima da média, podemos ter a impressão de que o filme é melhor do que realmente é.

Intrigas de Estado pode passar como ótimo filme para os mais desatentos, mas não é tão bom assim.

O jornalista Cal MacAffrey (Russel Crowe) investiga a morte de Sonia Baker, integrante do staff de Stephen Collins (Ben Affleck), promissor congressista estadunidense, cujo envolvimento amoroso com a assassinada pode acabar com sua carreira. Cal é um jornalista experiente e cheio de contatos. É amigo de Stephen Collins e convenientemente (para o roteiro preguiçoso), ele está sempre no lugar certo e na hora certa. Ele, no jornal em que trabalha, não é o responsável por cobrir o caso, mas quando os fatos começam a torna-se complexos demais, ele resolve ajudar a jornalista Della Frye (Rachel McAdams), uma jovem blogueira (!), inexperiente, mas doida para avançar na carreira.

O filme apenas segue a cartilha do gênero: passa por momentos de tensão, dilemas éticos, tem as reuniões de conspiração, pequenas reviravoltas e por aí vai. Até os enquadramentos dos planos utilizados nas reuniões do “QG jornalístico”, por exemplo, são batidos.

Rachel McAdams rouba a cena e está ótima, com trejeitos, desajeitos, simpatia e ímpeto que uma jovem ambiciosa pode ter. Helen Mirren é mal-aproveitada, limitando-se a um papel que se aproxima da função da “M” de Judi Dench em um 007, como a editora-chefe do jornal. Russel Crowe faz o tipo antipático e canastrão de sempre e Ben Affleck... bom... pula esse!

O ponto forte do filme está na discussão levantada sobre a ética jornalística. Quando publicar uma notícia? Divulgá-la muito cedo pode atrapalhar nas investigações, mas pode vender mais jornal. O caso amoroso, às vezes, é mais explorado do que o escândalo político em si. Qual o limite entre o jornalismo e a investigação policial? O fato é que os jornalistas não têm vida própria. Dormem quando a notícia deixar e se preciso, “acampam” na redação enquanto a matéria não sair.

Quanto à ação, ela está lá, num clima de tensão crescente e a coisa pega fogo de vez quando Cal MacAffrey fica de frente com o assassino da Sonia Baker.

Mas o grande problema do filme está no roteiro, que peca pelo excesso de informações, confundindo o espectador (talvez intencionalmente) para dar a sensação de história intrincada, mas que não é nada confiável. É como um filme de Michael Moore: tão cheio de dados que no fim podemos até acreditar no que foi dito, mas se formos analisar melhor, não passa de um bombardeio de opiniões tendenciosas, que confundem o espectador.

O filme é inspirado numa série de tevê britânica e transposto para o cenário dos EUA. Dirigido por Kevin MacDonald, que segurou melhor as rédeas em seu filme anterior, O Último Rei da Escócia.

Se quiser tensão desse tipo, prefira alugar o desconhecido Quebra de Confiança. Terá um programa muito melhor e mais confiável.


Trailer


Intrigas de Estado

(State of Play, EUA, 127 minutos, 2009)

Dir.: Kevin MacDonald

Com Russel Crowe, Ben Affleck, Rachel McAdams, Helen Mirren, Robin Wright Penn


Nota 5,5

sexta-feira, 12 de junho de 2009

[REC]

A jornalista Ângela Vidal trabalha num programa de tevê, chamado “Enquanto Você Dorme”, no qual ela mostra a rotina de trabalho de diversos profissionais, acompanhada de seu operador de câmera, Pablo. No dia que eles acompanham a noite dos bombeiros da cidade, ocorre um chamado, para que eles socorram os moradores de um prédio, apavorados com uma vizinha que não pára de gritar e está tendo reações estranhas. Ao chegar ao prédio, descobrem tratar de uma senhora aparentemente “possuída”. Para piorar a situação, moradores, bombeiros, a jornalista e seu parceiro são presos no prédio, por uma medida de segurança das autoridades sanitárias da região. Fatos cada vez mais estranhos começarão a acontecer.

Grande parte do sucesso de [REC] pode ser dada pela forma criativa pela qual foi filmado. As escolhas da direção são muito bem adequadas à proposta. Câmera na mão a todo o momento, amplificando a sensação de angústia no espectador, cenários reais e pouco iluminados, um roteiro bem amarrado e bons atores. Não é preciso nem trilha sonora para despertar sensações mais de medo no espectador, nem sustos gratuitos. O investimento criativo feito no filme foi o de trabalhar o psicológico, do lado de lá e do lado de cá da câmera.

Numa cena, um corpo cai das escadas. Nas filmagens, nenhum dos atores sabia o que estava acontecendo, o que possibilitou a captação das reações espontâneas dos atores naquele instante.

A construção dos personagens é outro ponto forte. A jornalista é histérica e sensacionalista (irritante), como manda o script desse tipo de programa. Nada importa ao câmera (interpretado pelo próprio diretor de fotografia, Pablo Rosso), a não ser filmar e filmar. Os defeitos de filmagem são ótimos: às vezes a câmera é esquecida ligada, outras vezes há cortes bruscos, desfoque, imagens muito tremidas e momentos de “fingir que não está gravando”. Senti que força a barra apenas em alguns momentos, nos quais os bombeiros e policiais se preocupam de mais com a presença da imprensa e de menos com o próprio trabalho. Vez ou outra seria compreensível, mas chega uma hora que isso fica chato.

[REC] é um filmaço espanhol, em ritmo de crescente tensão, tendo seu ponto máximo na cena final, de cravar as unhas no sofá (ou no braço de quem estiver mais próximo). Cultuado por muitos (inclusive por mim), ganhou uma refilmagem (equivocada e caça-níquel) norteamericana, chamada Quarantine, além de uma continuação (essa sim parece boa) a estrear no fim desse ano.

Dentre outros prêmios, recebeu uma indicação ao European Film Awards de melhor filme e ganhou dois Goya, de melhor edição e atriz revelação para Manuela Velasco.

Junte a galera , deixe tudo escuro, faça muita pipoca e terá um excelente programa!

Uma pena o dvd brasileiro não vir com nenhum extra.

Dessa vez colocarei, além do trailer do filme, o trailer da continuação, ao som de tango e cheio de zumbizões, divulgado há alguns dias.


Trailer [REC]



Trailer [REC]²


[REC]

(idem, Espanha, 85 minutos, 2007)

Direção: Jaume Balagueró e Paco Plaza
Roteiro: Luis Berdejo, Paco Plaza e Jaume Balagueró
Produção: Julio Fernández
Fotografia: Pablo Rosso
Direção de Arte: Gemma Fauria
Figurino: Glòria Viguer
Edição: David Gallart

Com Manuela Velasco, Ferran Terraza, Pablo Rosso...


Nota 8,6


Technorati Profile

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Miss Potter

Em tom pastel. Seria essa a melhor definição para a forma com a qual o filme foi feito.

Em tom pastel porque nos remete à arte das pinturas de Beatrix Potter, artista da qual esta cinebiografia trata. Sua arte é delicada, assim como cada cena do filme. Sensível, compatível com a direção. Criativa, como a fotografia, também no tal tom pastel. Infelizmente, na versão em dvd, foi retirado um efeito que havia na versão de cinema: uma camada por cima de todos os planos, uma espécie de guache, dando a impressão de tinta sendo derramada sobre as imagens todo o tempo e em alguns casos, parece que estamos diante de pinturas ao estilo da autora, mas que na realidade, não passam das imagens captadas revestidas por esse efeito. Uma pena.

Beatrix Potter foi autora de livros infantis de grande sucesso mundialmente, em meados do século XX. A história é contada desde a infância dela, quando o talento para desenhar bichinhos fofinhos já aflorava, apesar de Potter ter sido sempre subestimada pelos pais, mesmo após o sucesso do primeiro livro, The Tale Of Peter Rabbit, de 1902.

O enfoque maior é dado à pessoa de Beatrix, não à carreira da autora. O que é mostrado é que ela era uma mulher muito ingênua, o seu mundo era paralelo: o mundo dos desenhos infantis que fazia e que por muitas vezes nele se fechava.

O trabalho de Reneé Zelwegger é bem adequado ao dar ênfase nessa personalidade da escritora, com ar singelo, inocente e juvenil em todos os momentos, mesmo quando enfrenta dificuldades.

Beatrix era dada como caso perdido numa sociedade que prezava muito o casamento, até que conhece o seu grande amor e quem iria alavancar sua carreira, o editor (também subestimado pelos pais) Norman Warne, vivido por Ewan McGregor. Piegas o enredo, mas tudo tão tranquilo e condizente com aquilo que pode ter sido realmente o “mundo de Potter”, que toda essa sensação de paz de espírito é muito viva e isso é contagiante.

O filme ganha por sua singela homenagem não só à simpática autora, mas ao mundo infantil, sem pecados e com vontade de ser feliz. Piegas, mas muito bom mesmo assim.

Para quem gosta da Zellwegger, essa opção é muito melhor que seu filme mais recente, Recém-Chegada. E na versão em dvd, o descuido da Imagem Filmes de retirar o efeito que havia na versão original é “compensado” com entrevistas e um making off.

Trailer:



Miss Potter
(Miss Potter, Inglaterra, 92 min, 2006)
Dir.: Chris Noonan
Com Renée Zelwegger, Ewan McGregor, Emily Watson

Nota 7,2

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Capitão Sky e o Mundo de Amanhã

“Que raiva o filme da máquina dela só ter duas poses!”, pensei eu a certa altura da aventura Capitão Sky e o Mundo de Amanhã. Com tantos cenários bonitos no filme, qualquer um viraria turista. E nem adianta procurar agência de viagens depois, porque o mundo do filme não existe. Nem em maquete! O filme foi feito totalmente em um programa de CGI, no qual os técnicos inseriam tudo em cima do fundo azul que compunha todos os reais cenários da produção. De palpável, nas filmagens, só havia os objetos de cena e os atores.

Sobre o que trata? Da velha história dos heróis que precisam impedir o vilão de destruir o mundo. A intrépida repórter Polly Perkins contará com a ajuda do piloto, aventureiro e seu antigo namorado Joseph Sullivan, o Capitão Sky, para resgatar os cientistas mais famosos do mundo, seqüestrados pelo doutor Totenkopf, que o fez com o objetivo já dito acima. Para isso, contarão com a ajuda de alguns amigos, encontrados pelo caminho.

O roteiro não é que mais importa aqui. Ele é clichê, mas é redondinho, feito para entreter e se assume como tal.

Há muitos outros pontos que tornam o filme uma tremenda diversão.

O diretor recém formado Kerry Conran idealizou, inicialmente, um curta-metragem de 6 minutos. Fê-lo e mostrou-o à sua amiga produtora Marsha Oglesby, que por sua vez, apresentou o curta ao diretor e produtor Jon Avnet (que até então não havia feito nada de muito bom na carreira). Avnet gostou tanto que resolveu transformar a idéia do curta num projeto de longa. Chamou atores de peso (Gwyneth Paltrow, Jude Law, Angelina Jolie, Giovanni Ribisi) para integrar o elenco. Todos toparam filmar de graça, já que o orçamento do projeto era baixíssimo. Tão baixo que o único estúdio de preço acessível que eles encontraram ficava na... “Capital do Pornô” (!).

O resultado de tudo isso foi um filme despretensioso, mas muito, muito divertido. Kerry Conran disse, em uma entrevista, que “se as pessoas procurarem fotorrealismo e acharem que falhamos, sinto muito. Esse filme não é para vocês”. É verdade. A intenção era apenas a de divertir-se. Tanto a equipe, quanto o público. Capitão Sky e o Mundo de Amanhã é uma grande homenagem aos antigos filmes de aventura (uma das referências claras é Flash Gordon e outra é O Mágico de Oz).

A trilha sonora remete aos filmes de Indiana Jones, a fotografia parece inspirada em álbuns de figurinhas e os efeitos 3D lembram jogos de videogame. A dedicação da equipe é louvável. O elenco tem ótimas atuações, com destaque para Gwyneth Paltrow, com muito mais tempero do que o seu normal e para a participação mais que especial de Sir Laurence Olivier (falecido em 1989), na pele do vilão Totenkopf, através de imagens de arquivo resgatadas pelo Kerry Conran.

Uma pena o filme ter passado despercebido nos cinemas. Quem assistir o dvd, terá acesso a um bando de extras interessantes. Há cenas de bastidores, entrevistas e o curta de 6 minutos, que deu origem ao filme e um easter egg engraçadíssimo, com alguém da equipe entrevistando os caras dos efeitos e um robô invadindo o escritório de criação e destruindo tudo.

Descubram-no!

E ao invés do trailer, resolvi disponibilizar o curta que originou o filme. Para os que já assistiram o longa, é um bônus. Para os que ainda não viram, serve como aperitivo. O curta não tem legendas, mas são poucas falas, então dá para todo mundo entendê-lo.





Capitão Sky e o Mundo de Amanhã

(Sky Captain and the World of Tomorrow, EUA/Inglaterra/Itália, 100 minutos, 2004)

Dir.: Kerry Conran

Com Gwyneth Paltrow, Jude Law, Angelina Jolie, Giovanni Ribisi, Michael Gambon, Ling Bai


Nota 8,2


A Partida (Okuribito)

Alguém, por favor, grite ao público brasileiro que esse filme existe? Não entendo o que Paris Filmes (a distribuidora) fez com A Partida. Essa obra japonesa ganhou, merecidamente, mais de 30 prêmios, inclusive o Oscar de melhor filme estrangeiro desse ano, fez sucesso mundo afora, mas por aqui ganhou uma estréia tímida (apenas 17 salas no país) e quase sem divulgação.

O filme estreou no dia 05 desse mês, não teve uma bilheteria muito boa e já corre o risco de sair de cartaz. Portanto, antes de começar a crítica, faço um apelo: corra para vê-lo, pois trata-se do melhor filme de 2009, até então.

Conta a história de um violoncelista, que mal entrara para a orquestra dos seus sonhos, quando recebe a notícia de que ela será dissolvida. Retorna à sua cidade natal, onde arruma um emprego nada convencional: o de Noukan. Noukans são aqueles que fazem o ritual de acondicionamento dos defuntos, no Japão, preparando-os para o enterro (ou cremação). No início, ele estranha e quase rejeita a função, mas é só conviver um pouco mais com o seu “mestre”, que logo ele muda sua opinião a respeito da profissão. Em cada ritual que faz, ele presencia as mais diversas reações das pessoas diante da morte.

O acondicionamento é um dos rituais mais contemplativos que já vi. Os Noukan (pelo menos os do filme) trabalham com muito respeito aos mortos e sua dedicação só torna o rito ainda mais bonito.

O longa começa de forma descontraída e não-linear, com uma cena inicial que seria trágica, não fosse um “pequeno detalhe” que a torna cômica. Mas, à medida que a relação do novo funcionário com o emprego e com o patrão se torna mais intensa, a trama toma contornos mais dramáticos, desenvolvendo-se muitas cenas emocionantes e embutidas da notada sabedoria japonesa. Numa determinada conversa, o patrão diz: “- Os casais, eventualmente, são separados pela morte. Mas é muito duro ser aquele que fica”. Na verdade, esta fala pode ser aplicada a qualquer tipo de relação afetiva e isso é demonstrando a cada acondicionamento que eles fazem. A imagem de serenidade e frieza que muitos de nós temos dos japoneses, dissolve-se completamente na forma com que alguns parente lidam com a morte.

A trilha sonora é belíssima. A cena na qual o rapaz toca “Ave Maria” no violoncelo é de arrepiar.

Mas há pequeninos pontos fracos, como um certo exagero na expressão corporal do protagonista, que me fez pensar que os japoneses não conseguem conter a interpretação. Parecem presos até hoje às influências do teatro Kabuki. Em certos momentos, o personagem até lembra um mangá. Mas como é algo tão característico deles, acabei por relevar.

Apenas a cena final poderia ter sido melhor preparada. Há uma cena anterior que introduz um detalhe metafórico. Tal introdução ao detalhe deveria ter sido feita muito antes no filme. Um erro de montagem, pois não há nada que explique a colocação da cena naquele momento, tornando a ligação do detalhe com o final um pouco forçada. Mas, como disse, é só um detalhe. O final, na verdade, não tem diálogos e nem precisa. A simbologia fala muito mais do que os personagens seriam capazes e o desfecho dessa cena é lindo.

A Partida trata do tema da morte com um respeito e sensibilidade que pouquíssimas outras vezes pudemos ver.

Se o filme é bom? O patrão diria que sim. Melancolicamente excelente!


Trailer (legendas em inglês):


A Partida

(Okuribito/Departures, Japão, 130 min, 2008)

Dir.: Yôjirô Takita

Com Masahiro Motoki, Tsutomu Yamazaki


Nota 9,0

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A Mulher Invisível

A Mulher Invisível já estreou como mais um sucesso do cinema nacional em 2009 (cerca de 230 mil espectadores nos três primeiros dias em cartaz). Que bom para nosso cinema, que tem mantido um índice de arrecadação neste ano, como não se via há décadas. Mas infelizmente, dessa vez, a bilheteria não foi sinônimo de bom filme.

Pedro (Selton Mello) é um sujeito de vida regrada, mas que “surta” após sua esposa deixá-lo, repentinamente, por um alemão. Após dias de desespero, eis que surge na vida dele Amanda, uma nova vizinha, que bate à sua porta de madrugada para pedir-lhe açúcar. O problema: Amanda (Luana Piovani) só existe na cabeça de Pedro e as alucinações dele irão, obviamente, causar muita confusão. Incrementando a história, há ainda a vizinha real, Vitória (Maria Manoela), apaixonada pelo Pedro, que vive escutando a vida dele através da parede da cozinha e é incentivada pela irmã (Fernanda Torres) a finalmente dar em cima do cara.

O argumento é muito bom para se fazer uma comédia escapista de primeira, mas Cláudio Torres se perde no roteiro e talvez por apego a algumas situações criadas, resolveu deixá-las no filme, tornando-o instável e mais longo do que devia. Há piadas mais que ultrapassadas (quer piada de referência mais batida do que “Eu vejo gente morta”?) e diálogos desnecessários, ritmados como em O Auto da Compadecida, quase como declamações teatrais.

As referências a outras grandes épocas da comédia são tantas que estas acabam por tirar a personalidade do filme. Há cenas à la Billy Wilder (em suas comédias), outras em que Selton Mello encarna Oscarito, um discreto momento “et-telefona-minha casa” e cenas de pastelão inspiradas nas cenas neuróticas de Woody Allen, inclusive com a trilha parecida às que ele usava em seus momentos de trapalhada. Trilha sonora, aliás, que parece ter saído de qualquer filme infanto-juvenil dos EUA.

Selton Mello parece ter esgotado o leque de tipos cômicos e tenta encontrar a graça na base do grito (literalmente). Às vezes encontra, mas no geral, exagera na dose.

Mas eu seria injusto se dissesse que só de pontos ruins vive o filme. Apesar de possuir piadas que não funcionam, ainda assim, há situações hilárias e é possível dar umas boas gargalhadas, principalmente por conta do elenco feminino, afinadíssimo. Maria Manoela acerta no tipo tímida, de baixa estima, mas quando resolve se mostrar, vira um furacão. Fernanda Torres é competente e encaixa as piadas no timing exato. Agora... Luana Piovani. Ah, Luana! Que espetáculo! Além de ser engraçada, sabe ser fatal e seu poder de sedução beira a hipnose.

A Mulher Invisível é uma produção muito bem acabada, com alta qualidade de imagem e som e muitos elementos que contribuirão para o sucesso do filme.

Cláudio Torres é um bom diretor, mas ainda não conseguiu escrever um roteiro que se mantenha coerente num único gênero do começo ao fim. Assim como em Redentor, acertou na trave e o gol não parece estar longe de acontecer.

Altos e baixos, altos e baixos, altos e baixos... quanta instabilidade!

Vale o ingresso, mas poderia ter sido mais marcante. Recomendado para os espectadores menos críticos.


Trailer:



A Mulher Invisível
(Brasil, 105 minutos, 2009)
Dir.: Cláudio Torres
Com Selton Mello, Luana Piovani, Fernanda Torres, Maria Manoela, Vladimir Brichta

Nota 6,5

domingo, 7 de junho de 2009

Caramelo

Assisti Caramelo no fim de 2007, no FIC Brasília, onde ele se tornou sensação do público dentre tantos filmes da “maratona”. De lá para cá, vim torcendo para que o filme conseguisse estrear no Brasil. Eis que um ano e meio depois, finalmente chega aos cinemas nacionais essa obra dirigida pela libanesa Nadine Labaki, em sua estréia na direção. Fiz questão de reassistí-lo para poder comentar aqui.

O caramelo do título é usado pelas mulheres do Líbano como instrumento de depilação. A história se passa basicamente num salão de beleza, onde se encontram cinco mulheres, cada qual vivendo seu dilema. Layale mantém um relacionamento com um homem casado, na esperança de que um dia ele se separe da mulher; Nisrine irá casar-se, mas sofre por não poder contar ao noivo que não é mais virgem; Rima se apaixona por uma das novas clientes do salão; Jamale não aceita o fato de envelhecer; e Rose, que passou a vida cuidando da mãe (uma senhorinha hilária, que vive catando as multas dos carros, dizendo que aquelas são cartas de amor que o seu noivo lhe mandou), vê num gentil senhor a chance de finalmente viver um grande amor.

Existe algo de especial nesse drama romântico, que o difere dos demais. O cenário de contínuos conflitos e guerra da região de Beirute dão um quê de decadência à vida daquelas mulheres, mas paira sobre elas a esperança de dias melhores e elas não se passam por submissas. São mulheres que vão à luta, mas que se cuidam, como se a qualquer momento o grande dia fosse chegar.

O ritmo de crescente emoção é ditado pela direção de Nadine Labaki, que além de ser uma mulher belíssima (ela é a Layale do filme), demonstra, em sua estréia, ser uma mulher incrivelmente sensível e apaixonada pelo seu país.

A trilha sonora é muito boa, com pitadas de tango, violino e piano, que alternam-se adequadamente aos momentos cômicos, românticos ou dramáticos contidos no filme.

Caramelo está sempre num crescente e conta com a simpatia contagiante de suas personagens.

Demonstra que, às vezes, é preciso mudar os rumos da vida para encontrar a felicidade. Noutras vezes, descobre-se que seguir nos mesmos trilhos é a melhor escolha, mas consciente de que aquele é o melhor caminho.

Exala estrogênio em cada pedaço de película, mas não é feito para agradar somente ao público feminino. Os homens dificilmente não se sensibilizarão com as mulheres do filme. Um programa agradável, para sair feliz do cinema.

Ganhou o Prêmio do Público, o Prêmio do Júri Jovem e o Prêmio Sebastian, no Festival de San Sebastián e foi o representante libanês para concorrer ao Oscar de filme estrangeiro em 2008.


Trailer:


Caramelo
(Sukkar banat, França/Líbano, 95 minutos, 2007)
Dir.: Nadine Labaki
Com Nadine Labaki, Yasmine Elmasri, Joanna Moukarzel, Gisèle Aouad, Sihame Haddad, Aziza Semman


Nota 7,8

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O Casamento de Rachel

Ontem assisti ao episódio de A Grande Família, no qual Tuco resolve fazer um documentário sobre sua família.

Pois bem. Deixando a comédia de lado, as cenas gravadas pela Gina (namorada do Tuco) remeteram-me imediatamente ao O Casamento de Rachel.

O filme é contado todo com cara de vídeo caseiro e mostra a vinda de Kym para o casamento da irmã, a tal Rachel do título. Kym estava internada numa clínica de reabilitação. Toda família tem sua ovelha negra e nessa aqui, a rebelde da vez é Kym. Seu retorno à família desencadeia situações delicadas (todos temem que a qualquer momento ela possa fazer alguma besteira) e como ela é uma figura estigmatizada pela rebeldia, sua recuperação é posta em xeque várias vezes e ela será tida como a problemática. Os defeitos dos outros são escondidos pela latência dos problemas de Kym. Acontecimentos sombrios do passado podem vir à tona e situação é sempre de “tensão no ar”. É como uma torre de cartas, que qualquer sopro pode fazer tudo desmoronar.

Filmado em digital e com câmera sempre na mão, como se houvesse sempre um personagem da família captando aquelas imagens. Essa foi a escolha mais acertada do diretor Johnattan Demme (O Silêncio dos Inocentes), que ao incorporar preceitos do Dogma 95 (movimento cinematográfico dinamarquês) nos introduz de maneira definitiva no âmago daquela família. Isso traz um aspecto precioso e uma sensação de que estamos assistindo a vídeos de conhecidos nossos. Só que dificilmente uma família exporia seu lado sombrio de forma tão escancarada.

Além da direção, o filme tem outro ponto forte: a atuação de Anne Hathaway. Captada de forma tão invasiva pelas câmeras, ela não se intimida e dá um show de naturalidade. Há aqui, um caso muito bem-vindo, no qual a personagem é muito maior do que a estrela que a interpreta. Ao mesmo tempo que ela é rebelde, seu olhar denuncia a carência que ela sofre pela rejeição da família e seu andar curvado e cabisbaixo demonstra o peso que o passado lhe impõe. Merecidamente indicada ao Oscar.

O Casamento de Rachel é um dos filmes mais interessantes de 2009, mas há algo bizarro nele que não posso deixar de comentar: a tal da festa em questão. Que diacho de casamento de mau gosto! Ô mistureba de culturas. Parece a miscigenação do Brasil: há um coreano sabe-se lá de onde surgiu, um sujeito irritante tocando violino ininterruptamente (que vontade de jogar uma pedra na cabeça dele), a piscina é cercada de decoração japonesa, a cabana da cerimônia é indiana, a música de entrada é tocada por uma banda de rock, o jantar é embalado por reggae, logo após entra uma escola de samba (!) e a noite segue com hip hop, dance, muchachas...

Mas só mesmo essa festa pra trazer algo animado pro história. Os seus desdobramentos são deprimentes. A cada camada que adentramos no seio da família, percebemos um núcleo ainda mais podre. Os personagens se revelam asquerosos e em vários momentos questionamos: Kym é realmente a culpada de tudo?

A resposta para essa pergunta, só a subjetividade de cada um pode dizer.


Trailer:




O Casamento de Rachel
(Rachel Getting Married, EUA, 113 minutos, 2008)
Dir.: Johnattan Demme
Roteiro: Jenny Lumet
Com Anne Hathaway, Rosemarie DeWitt, Bill Irwin, Sebastian Stan, Anisa George...

Nota 7,9

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sunshine

Assistir Sunshine não é somente assistir um filme que proporcione entretenimento. É literalmente como olhar para o Sol. Uma experiência de sentidos. É audição, tato e visão à flor da pele, uma interpretação poética e de extrema sensibilidade sobre os limites do ser humano em busca da salvação de sua própria existência e uma demonstração coesa sobre até onde vão a coragem, a amizade, a compaixão e a vontade de salvar a humanidade, mesmo que para isso grandes sacrifícios tenham que ser feitos. É a convivência harmônica, mesmo no espaço, dos diversos elementos da natureza. É fogo, água, ar e terra no máximo de sua essência e beleza.

Do que se trata? A energia do Sol está prestes a acabar e uma equipe de oito pessoas viaja numa espaçonave transportando um equipamento capaz de dar nova vida ao astro-rei. Em determinado momento da viagem, a tripulação perde contato com a Terra e a partir daí, cabem apenas a eles as decisões que poderão salvar a vida deles e/ou da humanidade.

É aí que entra em pauta a discussão sobre até que ponto o ser humano aguenta a pressão psicológica de uma missão dessas, sobre até que ponto os tripulantes estão dispostos a sacrifícios para completar a missão e sobre as diversas formas de comportamento da mente quando defrontada com tal responsabilidade, alguns sendo tomados pelo sentimento de heroísmo e outros pelo sentimento de covardia e insanidade.

Afinal, é assim que funciona o ser humano, fundido por sensação antagônicas, por paradoxos sentimentais e pelo instinto de sobrevivência, típico de animais que somos.

Danny Boyle exerce todos os quesitos que lhe são pertinentes, cada vez melhor. Sua maneira de abordar os assuntos de seus filmes - geralmente discutindo essas possibilidades de fim da humanidade, de isolamento humano e as práticas de autodestruição do homem – é muito peculiar. Ele sabe perfeitamente equilibrar profundidade com a diversão que o expectador espera ao assistir um filme. É assim que funcionaram seus filmes anteriores Extermínio e Trainspotting e foi assim que funcionou também o mais recente, Quem Quer Ser Um Milionário.

A sonoplastia de Sunshine pode parecer a alguns uma agressão ao tímpanos, mas que tem um porquê: como a intenção é colocar nossos sentidos à prova, como se estivéssemos realmente sendo confrontados com o Sol, o elemento sonoro é explorado ao máximo, assim como o volume agudíssimo de algumas cenas, que nos dá a sensação de sufoco, desespero.

Outro sentido aguçado no filme é a visão, brindada com uma fotografia maravilhosa, de um esplendor único, poesia em cima de poesia, mesmo quando está com textura estourada para dar a idéia do clarão do Sol. As cenas de morte são de uma beleza emocionante, uma delas (a primeira) é uma das cenas mais lindas e sensíveis que já vi no cinema até hoje. E não venham me apedrejar por eu denunciar que pessoas morrem por que em qualquer filme do gênero isso acontece! Fiquem vocês com o suspense de saber se a missão dá certo ou não!

A reconstituição do espaço, da nave, do Sol e dos elementos físicos é muito bem feita, pelo menos para quem não entende de física parece tudo feito com muito cuidado, escolhas estudadas e analisadas com critério antes de serem tomadas. A equipe contou com o apoio inclusive de pessoas da Nasa para reconstituir imagens e cenários.

Desenvolvido com maestria, o filme só tropeça no final, quando a trama se perde um pouco, dando mais espaço ao thriller do que deveria. Mesmo assim, é um programão.

P.S.: Assisti no cinema e depois em dvd. Obviamente em casa os sentidos ficam menos aguçados, mas ainda assim, dá para ter idéia do deslumbre que as imagens nos causam. Recomendo que assistam com volume um pouco mais alto e de preferência, com ambiente escuro.

Trailer (sem legendas)



Sunshine - Alerta Solar
(Sunshine, Inglaterra, 100 minutos, 2007)
Dir.: Danny Boyle
Com Cillian Murphy, Michelle Yeoh, Chris Evans...

Nota: 8,5

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Balanço e indicação


Apenas 39 dias de blog e eis que hoje recebo um e-mail, dizendo que meu blog foi indicado ao prêmio Top Blog 2009! Concorro na categoria cultura. Serão premiados os blogs com mais votos pelo júri popular e também haverão os prêmios conferidos pelo júri acadêmico. Entro na corrida com um mês de desvantagem para os demais concorrentes, mas já fico feliz de participar. Quem quiser contribuir, o link para votação encontra-se na barra lateral do blog.

Aproveito a brecha para agradecer a todos que lêem o blog, que em pouco mais de um mês já teve mais de 1500 visitas únicas (quem entra mais de uma vez ao dia não conta)! Nada mal para um começo! Muito obrigado a todos e continuem lendo... e comentando!

Grande abraço!

Garapa

José Padilha resolveu filmar a fome.

Depois de Ônibus 174 e Tropa de Elite, ele volta com mais um projeto politizado, no qual ele pôde acompanhar, por algumas semanas, o sofrimento de 3 famílias que lutam contra a miséria (ou não) no Ceará. Uma delas vivendo na própria capital, Fortaleza.

O porquê de escolher aquele estado, Padilha não sabe dizer ao certo. Veio a oportunidade e ele abraçou, mas deixou claro que poderia encontrar esse retrato da pobreza em qualquer outro lugar do país. Talvez pelo cenário do Nordeste ser muito seco e a poeira que invade as casas refletir bem a aridez do assunto, o tema torna-se ainda mais chocante e nos induz à reflexão sobre o desequilibrio social que há, particularmente, no Brasil. A fotografia ajuda a aumentar essa aridez, imprimindo a estética da fome, toda em preto-e-branco e estourada pelo sol, como em Vidas Secas. Outro aspecto, a ausência de trilha sonora, amplifica o enorme vazio que dita a rotina daquelas pessoas.

Se assistir ao documentário não foi uma experiência agradável, filmá-lo com certeza foi ainda mais difícil. Presenciar as crianças comendo uma comida horrível em meio a muitas (muitas mesmo) moscas, desnutridas, a mulher raquítica que ainda aguenta o marido bêbado, a agonia de não ter absolutamente nada à mesa, isso deve ter sido muito marcante. Exigia sangue frio, pois a equipe não podia ajudar as famílias, pelo menos enquanto acontecessem as filmagens, para ter um perfil realista do que se passa. Eles passavam o dia inteiro com as famílias e só comiam à noite, no hotel, para evitar comer em frente os miseráveis.

Cada um reage diferente à situação de fome: uns bebem, outros ficam violentos ou depressivos ou acomodados. Fica claro que os programas do governo, Fome Zero, Bolsa Escola, Bolsa Família e outros, não resolve o problema e em muitos casos, incentivam o comodismo nas pessoas. Em determinado momento, um pai de família, depois de muita cachaça, dorme o dia todo e declara: “hoje não vou trabalhar, porque ontem ganhei uma merrequinha, então hoje posso dormir o dia todo. Amanhã me preocupo com o que as crianças vão comer. Hoje não!”

Noutro momento, a filha de uma senhora que ajuda uma das famílias, diz, apontando para uma das crianças: “essa está encolhendo!”. E ela está certa. Boa parte das crianças é desnutrida e as respostas que a mãe dá à nutricionista são espantosas.

Não dá para ficar indiferente a um filme desses. Assistí-lo é fazer um exercício de reflexão e colocar os pés no chão. E Padilha retrata o tema de maneira coesa, sem panfletos ou sensacionalismo. Apenas mostra as situações e cada um que pense com seus próprios botões.

É um exercício de conscientização que todos deveriam fazer.

Só para constar: garapa é uma mistura de água com açúcar, que mantém de pé muitas pessoas no mundo inteiro.

Dessa vez não vou dar nota pro filme, porque me sentiria dando nota para a miséria alheia.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

"Cinema nacional de 2009 já bate todo 2008!" + "Apostas"

A boa fase do cinema nacional acaba de alcançar mais uma importante marca. Segundo o site FilmeB, em apenas 5 meses, o público dos filmes brasileiros já ultrapassou a marca dos 9 milhões de espectadores, que foi a quantidade alcançada em todo o ano de 2008. A marca foi batida com a ajuda das bem-sucedidas pré-estréias de A Mulher Invisível, que promete ser outro sucesso de 2009.

Só os dois maiores sucessos do ano, Divã e Se Eu Fosse Você 2, já somam mais de 7,7 milhões de espectadores.

No ano de 2008, o público do cinema nacional foi responsável por cerca de 9% das bilheterias no Brasil. Nesse ano, até agora, essa fatia tem se mantido no patamar dos 20%.

A expectativa é que essa média se mantenha, já que outros prováveis sucessos ainda estrearão, como as comédias “A Mulher Invisível”, “Os Normais 2” e “Salve Geral”; os dramas “Jean Charles” (com Selton Mello), “À Deriva” (que concorreu em Cannes) e “Tempos de Paz” (de Daniel Filho); além do novo infantil de Xuxa e da versão nacional de “High School Musical”. Nem todas promessas de boa qualidade, mas enfim...

Aproveito para lançar algumas apostas minhas de bons nacionais ainda esse ano (para saber mais sobre os filmes, cliquem nos links):

* 11/06 - Cantoras do Rádio (de Gil Barone e Marcos Avellar): documentário que resgata importantes passagens da Era de Ouro do Rádio, durante as décadas de 30 a 50, período marcante tanto para a história da música popular brasileira, quanto para a cultura nacional;


* 11/06 - A Festa da Menina Morta (de Matheus Nachtergaele): narra a história de Santinho, um jovem rapaz que ganhou status de santo na remota comunidade em que vive no estado do Amazonas ao realizar um "milagre" depois do suicídio da mãe. O filme faz um retrato intimista diante da capacidade humana de "fabricar" a fé e busca algum sentido na terrível experiência da morte;


* 26/06 – Jean Charles (de Henrique Goldman): conta a trágica história de Jean Charles de Menezes, o brasileiro assassinado pela polícia britânica em 2005, num metrô de Londres;


* 24/07 – Coração Vagabundo (de Fernando Grostein Andrade): penetra na intimidade de Caetano Veloso, acompanhando-o em duas turnês, nos EUA e no Japão;


* 31/07 – À Deriva (de Heitor Dhalia): nos anos 1980, a adolescente Filipa começa a se descobrir sexualmente. Ao mesmo tempo, fica sabendo das infidelidades de seu pai;


* 07/08 – O Contador de Histórias (de Luiz Villaça): história real de Roberto Carlos Ramos, pedagogo mineiro e um dos maiores contadores de história da atualidade. De infância problemática, criado na Febem, ele conhece aos 13 anos a pedagoga francesa Margherit Duvas, que mudou sua vida;


* 07/08 - Moscou (de Eduardo Coutinho): o mestre Coutinho foca o palco e as coxias do Galpão Cine Horto, QG do Grupo Galpão, em Belo Horizonte. O documentarista registra as leituras, ensaios e bastidores da companhia a partir de um texto oferecido pelo próprio diretor, "As Três Irmãs", de Anton Anton Chekhov;


* 28/08 – Os Normais 2 (de José Alvarenga): o casal Vani e Rui (respectivamente Fernanda Torres e Luís Fernando Guimarães) enfrentam um casamento desgastado. A solução é bastante audaciosa: encontrar uma outra mulher (Danielle Winits) para fazer sexo a três;


* Agosto - Diário de Sintra (de Paula Galtán): o filme revelará as imagens dos últimos dias de Glauber rocha;


* Agosto - Só Dez Por Cento é Mentira (de Pedro Cézar): documentário sobre a vida e obra do poeta sulmatogrossense Manoel de Barros;


* Agosto - Todo Mundo Tem Problemas Sexuais (de Domingos Oliveira): várias histórias cujo tema o título já diz;


* Agosto - Waldick - Sempre no Meu Coração (de Patrícia Pillar): sobre o cantor Waldick Soriano. Patrícia Pillar tem sido elogiadíssima pela estréia na direção;


* Outubro – Alô, Alô, Terezinha (de Nelson Holneff): o diretor Nelson Hoineff fez uma das maiores pesquisas sobre o comunicador Chacrinha, recuperando imagens digitais, para contar a aventura "chacriniana" como se fosse um programa de TV;


* Outubro - Salve Geral (de Sérgio Rezende): megaprodução inspirada nos ataques orquestrados pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no fim de semana do Dia das Mães, em 2006;


* Dezembro - Do Começo ao Fim (de Aluízio Abranches): polêmica à vista, conta a história do amor incestuoso vivido pelos irmãos Francisco e Thomás.


Fontes: FilmeB e Ancine.

 
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